Alexandre
Parafita
Foi um
dos grandes trunfos de Luís Montenegro, na reentrada política do Pontal, no
Algarve, em agosto de 2024. Anunciou então o Curso de Medicina na UTAD. Este
anúncio, no entanto, foi travado dois meses depois pela Agência de Avaliação e
Acreditação do Ensino Superior (A3ES), cuja comissão de avaliação externa,
embora considerando “atrativa” a proposta curricular do curso, justificou a não
acreditação com insuficiências ao nível do corpo docente.
Finalmente,
hoje mesmo (5-11-2025), foi tornado público que a A3ES, aprovou o Curso
de Medicina na UTAD, considerando que foram cumpridas as recomendações
formuladas anteriormente com a não acreditação.
Foi longo
e penoso o processo. Iniciado pelo antigo reitor Prof. Torres Pereira e
agarrado com afinco pelo reitor Carlos Sequeira, nunca a UTAD o abandonou.
Carlos Sequeira tinha por cumprir esse sonho de criar um curso de Medicina. Só
que o Conselho Geral de então meteu-se ao meio. Disse-lhe que não. Que tínhamos
médicos a mais. Imagine-se! E tal bastou para que batesse com a porta. Deixou,
voluntariamente, o lugar de Reitor antes do fim do mandato. De cabeça erguida.
Como é próprio dos grandes Homens.
Fazendo
ainda um pouco de história, há que recordar que foi em 1998, pela mão ousada e
incansável de Torres Pereira, que a UTAD, então ainda uma criança com apenas
dois anos de vida como Universidade, apresentou uma candidatura irrepreensível,
tendo a participação do Prof. Nuno Grande, ilustre vila-realense, fundador do
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e antigo diretor da Faculdade de
Medicina do Porto, com a garantia de um corpo docente de qualidade. Tinha
também todos os estudos e pareceres que se impunham e, sobretudo, a
participação do Centro Hospitalar de Vila Real, como futuro Hospital
Universitário e que evoluiu, entretanto, para Centro Hospitalar de
Trás-os-Montes e Alto Douro, já então uma das melhores unidades de saúde do
interior do país.
Acontece
que, surpreendendo tudo e todos, o então ministro José Sócrates, resolveu puxar
a brasa à sua sardinha e levou o Curso de Medicina para a Covilhã. Ele que se
dizia um amigo de Trás-os-Montes por força das suas raízes em Vilar de Maçada.
Escrevi na altura um artigo na imprensa, onde dizia: “Com amigos assim,
Trás-os-Montes não precisa de inimigos”.
Por fim, afigura-se a concretização do sonho. Na pessoa do reitor em exercício Prof. Jorge Ventura, felicito toda a comunidade académica pela competência e compromisso demonstrados neste ambicioso projeto, que trará uma nova vida a Vila Real e a Trás-os-Montes.

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