Cada
país tem, tal como as pessoas, um dia próprio para comemorar o seu aniversário.
Do mesmo modo as nações. Esse espaço de tempo, nós, como todos os povos que têm
história, festejamo-lo como herança de todos os atos ocorridos, para lá
chegarem. Ainda ninguém, em milhões de anos, acertou a distância de tempo, de
modo e de fim, desta sobrevivência, por que todas as gerações já passaram e vão
continuar a passar.
Estamos
a três anos de distância do 9º centenário do nascimento de Portugal, que
aconteceu em 24 de junho de 1128, na sequência da vitória de D. Afonso
Henriques na Batalha de S. Mamede, junto ao Castelo da Fundação, em Guimarães,
sobre as forças de sua mãe, apoiada pelos nobres galegos que queriam controlar
o destino do condado portucalense, após a morte do seu marido, o Conde D.
Henrique. Nesse dia teve início a definição do
território que é hoje Portugal.
Recuamos para o 4 de Junho de 1920, em
que foi publicada a Lei n.º 983, considerando feriado nacional o dia 10 de
Junho de cada ano. Mas a escolha do dia de Portugal remonta à morte do nosso
maior épico, Luís de Camões, em 10 de junho. Simplesmente nos anos 20 do século
passado vivia-se um tempo anarquizado e de guerra, com pandemias devastadoras,
e milhões de mortos e feridos da Primeira Grande Guerra.
Só em
2 de março de 1978, pelo Decreto-Lei nº14/1978, já com Mário Soares como 1º
ministro se entendeu revogar o Dia da Raça, que foi suporte ideológico e moral
aos militares dos 13 anos de guerra do Ultramar. Nessa altura o 10 de junho
passou a chamar-se «dia de Portugal, de Camões e das Comunidades»,
revogando o dia da Raça. Ainda lhe anexaram o «Dia da Universidade
Aberta».
O 10
de Junho, afinal, ficou órfão, porque: com a explosão de Universidades, Escolas
Superiores, Politécnicos; com a construção do Monumento aos mortos do Ultramar
que bem mereciam um dia específico, o poder político deveria centrar o dia
de Portugal numa data consensual: o 24 de Junho da «primeira
tarde Portuguesa». Não seria mais um feriado, nem um dia santo. Bastava o
Parlamento extinguir o 10 de Junho, trocando-o pelo dia 24 do mesmo mês. Tal
troca acabará com as muitas divergências, até porque ainda não se conhecem, com
fidelidade, o local e a data do nascimento e morte do autor de Os Lusíadas.
Porto, Braga e outros concelhos que celebrem o S. João, ficariam na mesma bem
servidos. E os empresários que pagam os dois feriados em 10 e 24 de junho
agradeceriam.
Mas
há mais um fator que seria de celebrar nesse dia: o nascimento de São Nuno de
Santa Maria, que esteve nas origens da Casa de Bragança. O maior guerreiro
Português, ombreando com Afonso Henriques, este undécimo filho do Prior do
Crato, Álvaro Gonçalo Pereira, nasceu em dia 24 de junho de 1360. Foi um dos
últimos santos Portugueses, canonizado em abril de 2009. Curiosamente, neste
último dia 10 de junho, a Junta de Freguesia de Pedraça, do concelho de
Cabeceiras de Basto, inaugurou uma escultura artística do Condestável, nas
imediações da Casa da Torre, onde D. Nuno Álvares Pereira viveu durante cerca de
quatro anos, após as núpcias com Leonor de Alvim, uma jovem e bela e graciosa
barrosã, do concelho de Montalegre, e herdeira da maior fortuna da região. A
inauguração da nova escultura em Pedraça contou com a participação festiva da
população local, bombos e fanfarra, e um simpático almoço volante nos jardins
da Casa da Torre, que abriu as portas àqueles que estiveram presentes neste ato
nacional. A concretização de um desafio do presidente Junta de Pedraça, João
Luís Mouta que surgiu da nossa parte, numa reunião de 12 de Abril de 2024, na
Casa do Tempo de Cabeceiras de Basto.
Praticamente
os mass media nacionais, silenciaram esta inauguração, que
devolveu aos nossos dias, duas grandes figuras humanas da história de Portugal:
D. Nuno de Santa Maria e sua esposa Leonor Alvim.
Barroso
da Fonte

Sem comentários:
Enviar um comentário