quinta-feira, 17 de abril de 2025

N'Os Lusíadas, Camões Canta, não Escreve...

 

Maria Manuela Araújo  (Doutorada em Estudos Literários)


Pelas Comemorações do Quingentésimo Aniversário de Camões (2024-2026).

 

N'Os Lusíadas, Camões Canta, não Escreve. Camões Canta para poder viver.

 

Luís Vaz de Camões (1524 ? -1580) faz quinhentos anos lembrados.


Em Portugal, Camões não foi a única, nem primeira, mas foi, sim, a Voz Suprema do Epos Lusíada, em cotejo directo com a tradição heróica cavaleiresca. No paradigma épico ocidental, Os Lusíadas (1572), modelização renascentista da épica greco-latina, é música alta que vem de longe. Música alta de elevado verbo, trazida por ventos Leste e ressoada em búzios de mar, na terra portuguesa, donde partiram Armadas Atlânticas, os Descobrimentos, que a "tuba canora" camoniana exaltou, em metal nobre e cântico raro de pássaros, que o génio humano ergueu à eleição de emblemática nacional, um Hino musical, que, hoje, se pretende plural, de identidades, mas não de identidade, um Hino inclusivo de todas as Diásporas Lusas, Canto Plural, em forma de Cânone Literário.

Eis Os Lusíadas, de Camões, homem pobre, arruinado, cego. Homem cego que viu mais além. Poeta no escuro, e do escuro. Vate que Canta, não Escreve.

Porque Camões CANTOU, para poder viver !..




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