Maria Manuela Araújo (Doutorada em Estudos Literários)
Pelas
Comemorações do Quingentésimo Aniversário de Camões (2024-2026).
N'Os
Lusíadas, Camões Canta, não Escreve. Camões Canta para poder viver.
Luís
Vaz de Camões (1524 ? -1580) faz quinhentos anos lembrados.
Em
Portugal, Camões não foi a única, nem primeira, mas foi, sim, a Voz Suprema do
Epos Lusíada, em cotejo directo com a tradição heróica cavaleiresca. No
paradigma épico ocidental, Os Lusíadas (1572), modelização renascentista da
épica greco-latina, é música alta que vem de longe. Música alta de elevado
verbo, trazida por ventos Leste e ressoada em búzios de mar, na terra
portuguesa, donde partiram Armadas Atlânticas, os Descobrimentos, que a
"tuba canora" camoniana exaltou, em metal nobre e cântico raro de
pássaros, que o génio humano ergueu à eleição de emblemática nacional, um Hino
musical, que, hoje, se pretende plural, de identidades, mas não de identidade,
um Hino inclusivo de todas as Diásporas Lusas, Canto Plural, em forma de Cânone
Literário.
Eis
Os Lusíadas, de Camões, homem pobre, arruinado, cego. Homem cego que viu mais
além. Poeta no escuro, e do escuro. Vate que Canta, não Escreve.
Porque Camões CANTOU, para poder viver !..



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