BARROSO da FONTE
Ainda não sabia
que em Golungo Alto, em 17 de Janeiro, tinha nascido Armando Manuel Gomes
Palavras, filho de pais Transmontanos. A «minha guerra» fazia-se na antiga
Fazenda do Mucondo e servia, entre quatro outras Fazendas: S. Paulo,
Daladaliata e zona de passagem para Maria Fernanda e Cova das Pacaças, sítio
asado para permanentes emboscadas, a partir da Pedra Verde. Como oficial Ranger,
tive a sorte de sobrevoar toda essa área, em helicópteros, sempre que se
realizavam operações conjuntas, por terra, mar e ar.Com
este intróito pretendo regressar, 60 anos depois, à região dos Dembos, onde, o
agora investigador Armando Palavras, já se debatia com a sobrevivência pessoal
e familiar, regressando, em condições perturbadas, para a metrópole, como
tantos outros milhares de vítimas da «descolonização exemplar».
Clique na imagem para aumentar
Apesar
dessas contrariedades, Armando Palavras superou, com louvável sucesso, esses obstáculos,
regressando às origens e mostrando à sociedade como se pode chegar ao topo das
carreiras profissionais, atravessando oceanos, abolindo vícios e construindo
obra que basta para confirmar os méritos cívicos e culturais com que muitos
sonham mas bem poucos atingem.
Os
meus 86 anos de vida, 72 dos quais dedicados ao jornalismo activo,
aconselham-me a parar. Por ter origens minguadas em todos os aspetos, vali-me
do jornalismo para me fazer ouvir. Aprendi o pouco que sei no convívio com os
amigos. Todos nós temos direito a escolhê-los. Armando Palavras é um desses
Amigos, e que me tem dado voz e vez, neste seu excelente blogue.
Devo-lhe este companheirismo que foi caldeado no norte de Angola. Aí fiz a militância cívica como jornalista, para o que tive de requerer autorização ao Ministério da Defesa Nacional. Usei mais a escrita do que a arma G-3. Em 23 de Janeiro de 1953 fiz o tirocínio. Armando Palavras nascera nesse palco de guerra subversiva que já durava há cinco anos. Regressei a casa em Maio de 1967. E só nos conhecemos pessoalmente quando, também ele, colaborava nos jornais e revistas transmontanos.
Licenciado em Belas Artes (Pintura), Armando Palavras doutorou-se em História, na área específica de História da Arte. É investigador integrado do CITAD - Centro de Investigação em Território, Arquitectura e Design, do ILID (Agrupamento de Centros de Investigação), financiado pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia), desde 01/09/2010. Tem publicado, na sua área académica, vários artigos em revistas como Brigantia (Bragança), Tellus (Vila Real), Beira Alta (Viseu) e Côa Visão (Vila Nova de Foz Côa). Foi também colaborador 9 Séculos - Revista da Lusofonia (sediada em Guimarães).
Eis alguns livros monográficos de Armando Palavras: A Bandeira processional de Lagoaça - Análise iconográfica (Ed. ExoTerra, 2020); As Igrejas Setecentistas do Padroado da Universidade de Coimbra (bispado de Lamego) – documentos para o seu estudo – Vol II (Ed. 5 Livros, 2021); As visitações de Alijó e alguns documentos dispersos - documentos para o seu estudo - Vol III (5Livros, 2022); As Mulheres nos Evangelhos Canónicos - A sua representação na periferia duriense (5livros, 2023); Artistas e Artífices no Século XVIII nas periferias Transmontana, Beirã e Duriense (5Livros, 2024). Noutras áreas da escrita coordenou duas antologias de autores transmontanos: Trás-os-Montes e Alto Douro – Mosaico de Ciência e Cultura (Exoterra, 2010/2011); Antologia de Autores Transmontanos, Durienses e da Beira Transmontana (Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa, 2018). Colaborou com a Comissão Técnica do IV Congresso Transmontano e Alto-duriense em 2018. Tem organizado vários eventos culturais e colaborado com a imprensa regional transmontana durante vários anos. Actualmente é proprietário do blogue Tempocaminhado, onde aborda assuntos sobre todas as áreas de actividade humana.
Barroso
da Fonte
.jpg)

.jpg)

Sem comentários:
Enviar um comentário