quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Grã Ordem Afonsina promoveu concertos de Coro Zamorano nas Sés do Porto e de Braga

A Grã Ordem Afonsina, Associação sediada e fundada em Guimarães, em 13 de Fevereiro de 2019, promoveu a realização de dois concertos, no Porto e em Braga, do coro Capella Ocelum Durii, de Zamora, já com o pensamento na comemoração dos 900 anos da investidura de D. Afonso Henriques como Cavaleiro, a celebrar no dia 8 junho de 1125.

É importante esclarecer que, essa foi uma decisão histórica, rumo à independência de Portugal, que ocorreria, cerca de 3 anos mais tarde, no dia 24 de Junho de 1128, no rescaldo da vitória, na Batalha de S. Mamede, contra sua mãe e respetivos partidários galegos.

Desgostoso com D. Teresa, sua mãe, que administrava o Condado Portucalense após ficar viúva do Conde D. Henrique, o infante tinha já o intuito de o tornar independente. O filho de ambos era ainda jovem e precisava de tornar-se cavaleiro, para legitimar a escaramuça que viria a travar com a mãe e os seus amantes galegos, os poderosos irmãos Trava, demonstrando a sua preparação para cumprir as normas sociais do tempo. Com esse intuito, em 8 de Junho de 1125, armou-se Cavaleiro na Sé Catedral de Zamora, na presença dos seus conselheiros.

Quando, em 1143, ali celebrou o convénio com o primo Afonso VII de Castela e Leão, já possuía essa exigência legal, para que a sua vitória na Batalha de S. Mamede confirmasse o nascimento de Portugal.

Um grupo de Vimaranenses, independente do poder político, discordando de que a câmara não comemorasse os 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques em 25 de Julho de 2011 e o antecipasse para 2009, passou a celebrar anualmente, entre 2011 e 2019, o aniversário do Primeiro Rei, lutando para anular a imposição política de 1109 como data oficial do nascimento.

Aquele grupo foi engrossando desde a celebração, em 2011, dos 9 séculos do nascimento do rei Fundador. Com a mudança política, a autarquia mudou, não de partido, mas de pessoas. E o movimento inicial acabou por obter personalidade jurídica, em Fevereiro de 2019. Os associados teimaram e, após alguns desânimos naturais, fruto da insípida adesão ideológica, mormente no apoio financeiro, a direção da Grã Ordem tem sabido superar essa falha e o trabalho está à vista. 

Ao fim de cinco anos, contra ventos e marés, a Península Ibéria já reforçou os laços de parentesco, de que andou arredío. Além de fomentar as relações ibéricas, entre as autarquias de Guimarães com Zamora, também com Coimbra se têm intensificado. Quer a nível turístico, cívico, literário, religioso e, sobremodo, político.

No adro da Sé de Zamora já impera, em granito de S. Torcato, uma escultura de D. Afonso Henriques, enquanto jovem, trabalhada e ofertada por um artista Vimaranense.

Fruto dessa dinâmica, nos dias 16 e 17 deste mês, a Grã Ordem Afonsina (GOA) promoveu a realização de dois concertos com o coro zamorano Capella Ocelum Durii: um, dia 16, na Sé do Porto; outro no dia 17, na Sé Catedral de Braga, assinalando os 100 anos do Seminário de Nª Srª da Conceição. O Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, participou, na tarde do último Domingo, neste concerto. Ambas as Sés estiveram repletas de público que, graciosamente, assistiu aos concertos.

O Coro Capella Ocelum Durii, fundado em Zamora em 2017, é composto por 12 cantores, destacando-se, pela especialização em polifonia, de vozes graves, uma tradição que tem vindo a perder espaço, face aos coros mistos. Originalmente criado para celebrações em honra da Beata Erundina Colino, mártir da Guerra Civil Espanhola, tornou-se um grupo permanente, em 2024, sob a direção de Monsenhor Pablo Colino.

É o despertar de uma grande jornada para celebrar as datas históricas mais simbólicas entre Portugal e a vizinha Espanha.

                                                                                                  Barroso da Fonte

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