A Direção da Casa de Trás-os-Montes e Alto-Douro tem o prazer de a/o convidar para a assistir à sessão de apresentação do livro: "Camilo de Mendonça - Uma Biografia e um Testemunho" do autor Álvaro Mendonça a realizar no próximo, dia 15 de Junho, quinta-feira, pelas 18.00horas , na sua Sede, Campo Pequeno, N.º 50, 3º esq.,em Lisboa.
O Livro
será apresentado pelo Sr Embaixador Álvaro Mendonça e Moura, a
convite do autor.
Convite
Foto Autor
Contamos
com a sua presença.
Saudações
Transmontanas e Alto Durienses
A
Direção da CTMAD
Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Tel: 217939311 Tlm: 916824293
Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.
1000-081 Lisboa
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O que diz Isabel Abreu Lima:
Ser mais como Camilo de Mendonça
Alguns conhecerão o
nome. E se não conhecem, convido a que o façam. Foi o responsável pela maior
revolução agrícola a que se assistiu em Trás-os-Montes até aos dias de hoje.
14 set. 2021,
00:04
Há várias semanas que
muitas das conversas que tenho circulam em torno de uma pessoa que este ano
tive o privilégio de poder conhecer melhor. Digo isto com um misto de orgulho e
de pena… orgulho pelo exemplo tão forte e tão próximo, pena por esta inspiração
despertar tarde, 100
anos depois do seu nascimento. Mas nada é mais certo do que aquilo que hoje sinto: todos nós
devíamos ser um pouco mais como Camilo de Mendonça.
Mas quem foi Camilo de
Mendonça?
Alguns conhecerão o nome. E
se não conhecem, convido a que o façam. Em poucas palavras, sempre
insuficientes: foi um transmontano, homem de família, engenheiro agrónomo, político,
alto funcionário público. Um visionário, empreendedor, dono de uma admirável e
inabalável persistência. Foi o responsável pela maior revolução agrícola a que
se assistiu em Trás-os-Montes até aos dias de hoje.
Camilo de Mendonça nasceu em Trás-os-Montes, em 1921.
Aqui cresceu, para mais tarde continuar os seus estudos no Porto e formar-se na
Universidade Técnica de Lisboa. Dedicou por inteiro a sua vida e o seu trabalho
ao desenvolvimento da região que o viu nascer, dedicação que hoje comove não só
quem conhece a sua história, mas sobretudo quem teve a oportunidade de o
conhecer pessoalmente. Foi deputado da Assembleia Nacional eleito pelo círculo
de Bragança, entre 1953 e 1973, grande impulsionador do cooperativismo e primeiro
Presidente da RTP. Um homem ao serviço do seu país, que se empenhou e se excedeu
para o fazer crescer.
Em 1964 começou a
verdadeira revolução. Para fixar as populações do Nordeste, Camilo de Mendonça
sabia que era necessário desenvolver o ensino superior (apoiou a fundação das
primeiras estruturas daquilo que hoje é a UTAD) e a indústria. Com o propósito de
valorizar as produções da região transmontana e dotá-la de ferramentas que
abrissem portas a um crescimento económico e social, fundou nesse ano o
Complexo Agro-Industrial do Cachão. Até hoje, nenhuma estrutura agrícola em
Portugal se lhe assemelha.
O local do complexo fabril
deu origem à aldeia do Cachão e as suas estruturas (água canalizada, saneamento
e eletrificação) foram crescendo com ele. As produções da região – castanha,
amêndoa, noz, azeitona, hortícolas, frutícolas, vinho, leite, carne, entre
tantas outras – eram organizadas pelos Grémios da Lavoura e encaminhadas para o
Cachão onde eram transformadas e canalizadas para os mercados interno e
externo. Uma perfeita simbiose entre agricultura, indústria e comercialização.
Para assegurar a viabilidade das produções foi projectada uma extensão rural,
com contratação de agrónomos para apoiar os agricultores locais na
implementação de novas técnicas. Foram também introduzidos novos produtos e
feita a implementação do regadio. Foram projectadas 130 barragens de terra (das
quais apenas nove foram executadas) e foi constituído um inovador parque de
máquinas comunitário, com novas alfaias e máquinas agrícolas ao serviço da lavoura
– instrumentos que na altura eram raros e pouco conhecidos. Estava até pensada
a construção de um aeródromo próximo, a partir do qual a exportação da produção
pudesse ser feita caso o mercado nacional não a absorvesse.
Mas não foi só uma
revolução agro-industrial. Não nos podemos esquecer que estávamos numa região
isolada, minifundiária, assolada pela pobreza. E o fascinante é que em 10 anos
tudo mudou. Passou-se de uma era rudimentar para a era moderna. E muitas destas
mudanças foram também sociais. Foi construído um bairro social no Cachão para
mais de 100 famílias, com equipamentos de apoio, como infantários, escola
primária, centro de saúde, centro cultural, etc.. A empregabilidade aumentou, a
dinamização da região e as condições de vida também.
Tudo isto fortemente
assente na força e na convicção de uma pessoa, que abdicou de rendimentos e
confortos para estar tão presente em Trás-os-Montes como em Lisboa, percorrendo
semanalmente centenas de quilómetros em estradas débeis e infindávies. Se hoje
ainda sentimos que a capital está longe do mundo rural, imaginem como seria nos
anos 60 e 70. E qual não terá sido o esforço de um homem para fazer chegar a
Lisboa as necessidades e a importância dos projectos do Nordeste. E tornou-os
realidade, apesar de efémera. A sua sede de conhecimento e incansável
actualização permitiram que o projecto do Cachão e a agricultura transmontana
fossem equiparadas às melhores europeias.
Infelizmente, com a
revolução do 25 de Abril e a instabilidade política, o projecto perdeu o apoio
e a viabilidade e foi-se degradando ao longo dos anos. E o que resta são hoje
vestígios de uma gigante obra, de uma vida passada e de um propósito que ainda
faria sentido existir à luz dos dias de hoje. Usando a descrição do Sr.
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na
comemoração do centenário do seu nascimento – que inspira este texto – foi um
“adiantado mental”, e um verdadeiro meteoro, que viveu intensamente um sonho,
com uma visão à frente do seu tempo, e consumiu a sua vida ao serviço desse
sonho.
Mas então, e porquê ser
mais como Camilo de Mendonça?
· Porque é um nobre exemplo de serviço – aquele que dedica não apenas o tempo que lhe sobra, mas uma total vocação e entrega ao serviço dos outros e ao crescimento em comunidade, onde o interesse pessoal passa para segundo plano;


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