sexta-feira, 2 de junho de 2023

As provas de aferição onde chuumbou o Ministério da educação

 

A balburdia na governação do dr. Costa é conhecida. Todos os casos absorvidos durante este último ano (já com maioria absoluta) o indicam. O caso bandoleiro deste governo é agora observável com o caso da DGS e com o dos exames de aferição. Esta gente, em oito anos, arruinou o ensino. Sobre as provas de aferição nada se disse nas televisões, e na imprensa escrita conhecemos seis linhas escritas por Santana Castilho. Neste blogue, desde a primeira prova alertámos duas vezes para a barraca em curso. Finalmente, a um de Junho, Alexandre Homem Cristo, no Observador, escreveu sobre o assunto, demonstrando a mediocridade do sistema, denunciando a balburdia do mesmo.


Parecer da ANPRI sobre o processo de aplicação das provas de aferição em suporte digital

por Fernanda Ledesma - 
Número de respostas: 0

Terminada a implementação da prova de Tecnologias da Informação e Comunicação (89) fizemos a avaliação e analise do processo de implementação, pois nas instituições envolvidas parece não haver capacidade de fazer autoavaliação da situação. Tendo em conta que as declarações sobre o assunto, não correspondem à realidade.  Consideramos, que só tendo coragem para assumir as falhas o sistema pode evoluir.

Comentário: Acham que esta gente vai assumir este falhanço? Esta balbúrdia?

 

Alexandre Homem Cristo - OBSERVADOR

 

Esta experiência de provas de aferição digitais foi um fiasco que só não se revelou inútil porque, embora não sirva para avaliar os alunos, serve para avaliar o ministério. E o ministério chumbou.

01 jun. 2023, 00:217

Os governantes portugueses falam de digitalização dia sim, dia não. É a palavra da moda, erguida como bandeira reformista. Sim, o potencial é indiscutível e entusiasmante. Só que o potencial é apenas uma parte — a outra parte consiste em implementar políticas públicas devidamente planeadas para que a digitalização seja uma mais-valia, em vez de um problema. Ora, é nesta dimensão de planeamento que as coisas geralmente correm mal.

Na Educação, conhecemos agora um caso exemplar dos efeitos nefastos dessa falta de planeamento. Decorreu, entre 16 e 26 de Maio, o período para a realização da prova de aferição do 8º ano de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) — a primeira vez que uma prova destas se realizou 100% em formato digital. E foi um pequeno desastre operacional. De acordo com um parecer da ANPRI, apenas 27% dos alunos concluíram a prova no tempo regulamentar e metade dos alunos (49%) não a concluiu de todo. Houve ainda alunos (24%) que concluíram a prova dispondo de um período extra e discricionário (que oscilou entre 30 minutos e toda uma manhã/tarde). Consequência óbvia: estas provas de aferição pouco ou nada aferiram. Se metade (!) dos alunos não concluiu por motivos técnicos e um quarto dos alunos concluiu porque beneficiou de tolerâncias de que outros não beneficiaram, a comparabilidade entre resultados ficou comprometida e não há generalização possível a partir dos resultados, que não espelharão os conhecimentos dos alunos portugueses. Um fiasco.

Parte inferior do formulário

A culpa do fiasco atribui-se ao formato digital? Não — as avaliações internacionais também se fazem em Portugal com provas digitais e tudo corre bem. O problema aqui esteve na falta de planeamento em vários momentos. Primeiro, o procedimento concursal para o desenvolvimento da plataforma das provas digitais foi tardio — o contrato público data de 21 de Março de 2023, menos de dois meses antes da realização das provas de aferição. Segundo, os atrasos converteram-se em pressão sobre as escolas, que receberam orientações para a realização da prova (e instalação do programa) cerca de 72 horas antes (com fim-de-semana) do início do período para a sua realização. Terceiro, a esmagadora maioria das escolas não pôde fazer testagem prévia dos equipamentos com uma prova-teste, porque esta deixou de estar disponível logo no dia 16 de Maio. Quarto, o programa para realizar as provas tinha incompatibilidades de requisitos com vários dispositivos, pelo que gerou bloqueios e anomalias em inúmeros computadores, impedindo a realização da prova por parte dos alunos. Quinto, as palavras-passe facultadas pelo Ministério não cumpriam os requisitos legais para a segurança e protecção de dados

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