É
apenas o homem que não sabe ser, humano
O Zé Pedro, meu filho
mais novo, enviou-me uma mensagem, estava eu ainda a trabalhar.
Dizia mais ou menos isto,
“Pai, lembras-te quando
eu e o Miguel doamos dez libras cada um, para plantar 20 milhões de árvores
pelo mundo? Isto foi possível por causa de um youtuber chamado Mr. Beast, que
tem uma enorme quantidade de seguidores. Recentemente ele influenciou muita
gente para outra doação, com o intuito de fazer uma limpeza nos oceanos, e
conseguiram livrar-se de mais de 13.6 milhões de kg de lixo. Isto prova as
coisas fantásticas que os humanos conseguem fazer, quando se juntam.”
E eu, respondi-lhe,
“Ámen, talvez seja essa a
razão pela qual Deus não varre a humanidade da face da terra, apesar das muitas
atrocidades cometidas, porque continua a haver uma grande quantidade de pessoas
boas, que nos dão Esperança.”
O poema que se segue, à
primeira vista, poderá parecer uma contradição ao que se acaba de dizer.
Mas, na segunda vista,
fala de Esperança.
Quando não há outro
remedio, o remedio é continuar a acreditar.
Um repentino palpitar no
coração
Uma ansiedade quase
desmedida,
És tu a reagir, quando
vês o leão
Porque foges dele, ao
correres pela vida,
Não pares, nem nesse
turbilhão de pensamentos
Qual complexo enredo,
Foi assim desde o
princípio dos tempos
E é isso que te faz
sobreviver, o medo.
Foi esse medo que te
alertou
Porque sabes que o leão é
um predador
A selva o viu nascer e
assim o criou
Caça, mata, para
sobreviver
E tu que és obra do
divino criador,
Matas, pelo teu
bel-prazer.
Na selva, é ele o rei, o
campeão
Caça por instinto e não
com um plano.
Não te chateies, é apenas
o leão, a ser leão,
E tu és o homem, que não
sabe ser, humano.
E o cão,
Olhaste-o nos olhos e o
que viste?
Não sabes… então?
É aquele que de ti nunca
desiste.
Aquele do amor puro e
fiel
Que te liga ao seu
coração
Que é meigo, atencioso e
doce como o mel,
Não te julga, não te
abandona, isso não.
Viste a sua cauda a
abanar, abanar?
não cabe em si de
excitação
É um gesto de lealdade,
amor e fidelidade
É o espelho do que sente
o seu coração.
É a sua profunda
tristeza, em contraste,
Porque o levaste ao
engano,
Não entende porque o
abandonaste
Como um mentiroso, um
aldrabão
É ele, o cão, a ser cão
E tu o homem que se
esquece de ser, humano.
E a formiga, viste como é
unida
Organizada, criativa e
com muita determinação?
Como nos ensina a
verdadeira essência da vida
A união e o bem da
colónia, sem exceção.
Não que eu faça disto uma
intriga
Ou uma espécie de desejo profano,
Mas sabes…é apenas a
formiga a ser formiga
E és tu que te esqueces
de ser, humano.
Sim, o leão é um
predador,
Mas tu, tens o dom de ser
amado e dar amor.
O cão é fiel, é amigo,
Mas tu…és tudo o que tens
dentro de ti e trazes contigo.
A formiga é organizada e
trabalha para o bem comum,
E nós que somos humanos,
somos todos, somos um.
António Magalhães -
(Possivelmente Poemas)

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