domingo, 5 de junho de 2022

É apenas o homem que não sabe ser, humano

 


ANTÓNIO  MAGALHÃES
Técnico aeroespacial, Sheffield



É apenas o homem que não sabe ser, humano

 

O Zé Pedro, meu filho mais novo, enviou-me uma mensagem, estava eu ainda a trabalhar.

Dizia mais ou menos isto,

“Pai, lembras-te quando eu e o Miguel doamos dez libras cada um, para plantar 20 milhões de árvores pelo mundo? Isto foi possível por causa de um youtuber chamado Mr. Beast, que tem uma enorme quantidade de seguidores. Recentemente ele influenciou muita gente para outra doação, com o intuito de fazer uma limpeza nos oceanos, e conseguiram livrar-se de mais de 13.6 milhões de kg de lixo. Isto prova as coisas fantásticas que os humanos conseguem fazer, quando se juntam.”

E eu, respondi-lhe,

“Ámen, talvez seja essa a razão pela qual Deus não varre a humanidade da face da terra, apesar das muitas atrocidades cometidas, porque continua a haver uma grande quantidade de pessoas boas, que nos dão Esperança.”

O poema que se segue, à primeira vista, poderá parecer uma contradição ao que se acaba de dizer.

Mas, na segunda vista, fala de Esperança.

Quando não há outro remedio, o remedio é continuar a acreditar.  

 

Um repentino palpitar no coração

Uma ansiedade quase desmedida,

És tu a reagir, quando vês o leão

Porque foges dele, ao correres pela vida,

Não pares, nem nesse turbilhão de pensamentos

Qual complexo enredo,

Foi assim desde o princípio dos tempos

E é isso que te faz sobreviver, o medo.

 

Foi esse medo que te alertou

Porque sabes que o leão é um predador

A selva o viu nascer e assim o criou

Caça, mata, para sobreviver

E tu que és obra do divino criador,

Matas, pelo teu bel-prazer.

 

Na selva, é ele o rei, o campeão

Caça por instinto e não com um plano.

Não te chateies, é apenas o leão, a ser leão,

E tu és o homem, que não sabe ser, humano.

 

E o cão,

Olhaste-o nos olhos e o que viste?

Não sabes… então?

É aquele que de ti nunca desiste.

Aquele do amor puro e fiel

Que te liga ao seu coração

Que é meigo, atencioso e doce como o mel,

Não te julga, não te abandona, isso não.

 

Viste a sua cauda a abanar, abanar?

não cabe em si de excitação

É um gesto de lealdade, amor e fidelidade

É o espelho do que sente o seu coração.

É a sua profunda tristeza, em contraste,

Porque o levaste ao engano,

Não entende porque o abandonaste

Como um mentiroso, um aldrabão

É ele, o cão, a ser cão

E tu o homem que se esquece de ser, humano.

 

E a formiga, viste como é unida

Organizada, criativa e com muita determinação?

Como nos ensina a verdadeira essência da vida

A união e o bem da colónia, sem exceção.

Não que eu faça disto uma intriga

Ou uma espécie de desejo profano,

Mas sabes…é apenas a formiga a ser formiga

E és tu que te esqueces de ser, humano.

 

Sim, o leão é um predador,

Mas tu, tens o dom de ser amado e dar amor.

O cão é fiel, é amigo,

Mas tu…és tudo o que tens dentro de ti e trazes contigo.

A formiga é organizada e trabalha para o bem comum,

E nós que somos humanos, somos todos, somos um.

 

António Magalhães - (Possivelmente Poemas)

 

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