sexta-feira, 20 de maio de 2022

Situado no sopé da Serra do Larouco: Não será o antigo seminário de Gralhas “Casa de Conhecimento” ?

Por  BARROSO  da  FONTE


Situado no sopé da Serra do Larouco:

Não será o antigo seminário de Gralhas “Casa de Conhecimento” ?


O programa conhecido como Rede de Casas do Conhecimento (RcdC) nasceu em 2012, inspirado pela Universidade do Minho (UM) em conjunto com outras 5 entidades: quatro municípios e um centro de investigação. Atualmente, são membros efetivos da Rede de Casas do Conhecimento, além da UM, um total de 9 municípios: Vila Verde, Fafe, Paredes de Coura, Vieira do Minho, Boticas, Montalegre, Trofa, Ponte da Barca e Valongo. Os recursos científicos e tecnológicos estão a cargo da universidade e os recursos humanos, materiais e financeiros estão a cargo das autarquias.

As “Casas do Conhecimento” representam os canais pelo quais as autarquias e a universidade procuram sensibilizar e envolver o cidadão em desafios como a inovação, a aprendizagem, a criatividade, a experimentação tecnológica e o conhecimento, dinamizando as comunidades locais como meio para potenciar o desenvolvimento económico e social e desenvolver o empreendedorismo de base local, segundo explicam os seus promotores. E esclarecem que a Rede de Casas do Conhecimento tem como objectivos:

«Divulgar o conhecimento científico e tecnológico das populações, privilegiando contextos de experimentação prática; contribuir com os seus ativos humanos, conhecimento e rede de investigação para a dinamização do conhecimento dos cidadãos através do acesso livre da população às suas Casas do Conhecimento; incentivar uma cidadania mais participativa, colaborativa e associativa, através do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação contribuindo para a diminuir as assimetrias digitais (locais ou regionais) e a info-exclusão; incrementar a perceção das atividades e dos atores do processo de investigação científico e tecnológico por parte das populações; contribuir para o reforço das atribuições municipais ao nível da inovação, do desenvolvimento local e regional, da ciência e da tecnologia, nomeadamente através da promoção, dinamização e implementação de projetos tecnológicos, com a respetiva componente de investigação e desenvolvimento, de utilidade pública para as populações e para a região; constituir-se como um fórum para a Sociedade do Conhecimento e Inovação, local de convergência de entidades públicas e privadas, através de ações como colóquios, seminários, conferências, workshops ou através da promoção, elaboração, edição e divulgação de estudos e publicações; implementar modalidades de ensino-aprendizagem em contextos de e-learning, bê-learning

e m-learning. Tem como principais atividades: ações de formação para reforço das competências técnicas e académicas, junto de vários públicos-alvo; ações de divulgação tecnológica e científica (como workshops, seminários, eventos recreativos, ações junto do público escolar, entre outras); projetos de experimentação tecnológica.»

Coloco aspas no texto que recolho através do Google e que serve de preâmbulo ao tema que aqui me traz.

Dia 20 de Abril fez 100 anos que foi fundada a Diocese de Vila Real. Deveria ter sido pretexto para que o distrito que recebeu essa prenda Papal fizesse algo que acordasse aqueles que acreditam na religião Católica.

Quem costuma ler os meus escritos neste e noutros jornais, acompanhou as sugestões que fui fazendo, para ver se os católicos Transmontanos recordavam a história da sua Igreja, antes de 1922. Até essa altura, no distrito de Vila Real, os padres que existiam eram formados em Braga. E esse facto ainda hoje se ressente, quando se pretendem investigar biografias, certidões de pessoas, de escrituras, de tanta coisa.

Montalegre era dos concelhos que mais padres tinha, ao contrário de agora, que deixou de formar párocos em Vila Real.

Medeiros foi viveiro de Padres e Gralhas foi exemplo vivo

João Álvares Fernandes de Moura nasceu em Gralhas, em 9 de Julho de 1848. Era filho de Rosa Álvares de Moura, natural de Medeiros e no seio de uma família de seis irmãos, 3 dos quais padres. Esses três sacerdotes, todos formados em Braga, doaram ao sobrinho bens e, nomeadamente, as respetivas bibliotecas. Por seu turno, esse sobrinho legou tudo à arquidiocese de Braga que, em 1921, cedera a Casa de Gralhas e os bens para aí funcionar um Seminário.

Só que, com a criação da Diocese de Vila Real, esse seminário teve de regressar à posse da Arquidiocese de Braga. Em 1923 os alunos e professores do Seminário de Gralhas transitaram para uma segunda sede, em Poiares (Régua). E em 1930, no antigo Convento de Stª Clara, abriu o Seminário de Vila Real, que fechou 75 anos depois.



     GRALHAS - no sopé do Larouco

Como barrosão orgulhoso das minhas raízes, pobres mas honradas, gostaria de ter visto o imóvel de Gralhas, onde funcionou o seminário, reconhecido como Casa de Interesse Concelhio. Esse estatuto, que formalizei e foi deferido, foi-lhe atribuído pelo Executivo camarário liderado pelo Prof. Carvalho de Moura.

Foi - que me lembre - a primeira de quatro propostas que lhe propus, para bem do concelho, e que ele concretizou. A segunda foi a realização dos I e II jogos florais de Montalegre; a terceira foi o reconhecimento de João Rodrigues Cabrilho como Barrosão; e a quarta foi a atribuição toponímica, do nome desse escritor e pai de Nadir Afonso: Artur Maria Afonso. Continuo a achar - que esses, sim - foram Barrosões, de corpo e alma.

Honro-me muito de saber que, quer em Chaves, quer em Boticas, quer em Montalegre, a toponímia regista esses nomes, de pai e filho, na via pública. A todos esses municípios fiz a proposta, na imprensa da época.

Com esta explicação pretendo esclarecer o estatuto de «conselheiro» de que os autarcas socialistas me acusaram: de ter sido para com o Prof. Carvalho de Moura. Não me ocorre nenhuma outra sugestão. Mas nenhuma dessas sugestões foi feita a pensar em mim ou na minha família. Sempre e apenas por Barroso e suas Gentes.

Do mesmo modo recordo que, depois de utilizar o meu bom relacionamento com essas três autarquias do Barroso e Alto Tâmega, propus ao Executivo do Dr. Fernando Rodrigues a atribuição, a uma Rua, do nome de D. Joaquim da Boa Morte Álvares de Moura, tio do Padre João Moura que doou a Biblioteca e a Casa de Gralhas para aí funcionar Seminário atrás referido. Esse tio foi o último Padre Cruzio. Sobre ele escreveu Raul Brandão, no Livro «O Padre», e o seu processo de beatificação já se encontra no organismo do Vaticano, a aguardar a sua análise para a «Causa dos Santos».

Foi também proposta minha. E o mesmo autarca aceitou - e bem - por rara e a fazer inveja a Sabrosa e outros concelhos. Beneficiei do meu conhecimento pessoal, durante sete anos, em Chaves, com Miguel Torga que me foi apresentado pelo Dr. Mário Carneiro, ao tempo de diretor das Termas Flavienses. Conhecendo bem a sua vasta obra, perguntei-lhe se gostaria de ver os seus 28 (?) diários registados em Terras de Barroso, (Montalegre e Boticas), mencionados nos 16 «volumes». Falei com Fernando Rodrigues e com Fernando Campos. Fizeram-se duas edições patrocinadas pelas duas Câmaras. E, no seguimento dessas publicações, a Câmara de Montalegre encomendou a inscrição, em granito, desses diários, ordenou a sua fixação nos sítios geográficos onde Torga os situou e datou. Ainda hoje sou amigo e admirador deste autarca Barrosão, por ele ter anuído às minhas duas propostas culturais que definem a sensibilidade de qualquer político.

Conheci escolas secundárias de concelhos vizinhos que programaram visitas de estudo para conhecerem melhor a obra Torguiana. Foram catorze (?) cartas epigráficas, dispersas por todos os locais, onde, o quase eterno Miguel Torga, registou alguns dos seus diários. Torga não escrevia diários à sorte, nem a qualquer pretexto. Montalegre e Boticas foram pedaços do Reino Maravilhoso. Não andaram por aqui as maçonarias que deixaram rasto e que, como sanguessugas, do escaravelho da batata, do castanheiro, ou ratos roedores bebericam o suor do rosto alheio.

Conclusão que gostarei de conhecer

Já participei nalguns debates públicos, pelo sistema Zoom, sobre a RCdC. Pensei que a Biblioteca de Montalegre, graças à adesão - e bem - ao programa, tivesse agendado qualquer visita, pelo Zoom ou numa deslocação real a Gralhas. Ou então um debate ao vivo a organizar, no âmbito deste centenário diocesano. É este o interesse histórico que entendo, por exemplo, para a Casa do Capitão em Padornelos; o imóvel de Gralhas onde o seminário funcionou, em Vilar de Perdizes onde há vários espaços com história, etc. Perguntar não ofende.

Barroso da Fonte

 

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