quarta-feira, 30 de março de 2022

A saga das Casas regionais de Trás-os-Montes

 


Barroso da Fonte

A saga das Casas regionais de Trás-os-Montes

No dia (9) em que a Academia de Letras de Trás-os-Montes informava os seus associados da apresentação do livro «Congressos Transmontanos» (1920-2020) Unir o tempo do passado, do presente e do futuro», da autoria de António Jorge Nunes, recebia eu uma notícia, a partir da Câmara de Guimarães, nos seguintes termos:

«a Casa de Trás os Montes em Guimarães não vai fechar portas. A braços com uma grave crise financeira, a instituição tem garantido apoio financeiro da Câmara que lhe permite manter a actividade até final deste ano.

Em assembleia geral realizada este sábado, o Presidente da Direcção, Joaquim Coutinho, deu conta de uma promessa do vereador da Cultura que assegura condições que viabilizam a vida da instituição, até ao dia 31 de Dezembro de 2022. Paulo Lopes Silva garantiu que o Município vai atribuir um apoio financeiro no valor das rendas da sede da instituição, cujo valor mensal é de 270 euros. Ora, esta promessa é suficiente para impedir que a Casa de Trás- os- Montes, feche portas  antes do fim deste.
Joaquim Coutinho não esconde a sua satisfação com um apoio que permite criar condições para relançar a Casa de Trás os Montes de Guimarães». E o comunicado consola os associados, explicando que "esta promessa deixa, naturalmente satisfeitos, os Transmontanos porque evita o encerramento da instituição e permite o seu relançamento. Com esse objectivo, vamos promover uma campanha de angariação de novos associados para podermos assegurar uma receita que permita a viabilidade económica necessária da Casa de Trás os Montes de Guimarães" por mais algum tempo, afirmou o Presidente da Direção Joaquim Coutinho».

A estas duas notícias que interessam aos Transmontanos e Alto-Durienses, acrescem as confortáveis mensagens da Direção da Casa-Mãe, de Lisboa que nasceu em 23 de Setembro de 1905 e que, em 2005, durante as festas comemorativas do primeiro centenário, ganhou espírito coletivo, no sentido de avançar para a compra de terreno, com o intuito de construir uma sede  própria e adaptada às exigências contemporâneas.

Atualmente tem sede no Campo Pequeno, 50-3º Esqº-1000-081, em Lisboa. Mas os seus 117 anos merecem que os futuros Transmontanos e Alto-durienses que o destino os force a viver na Capital, possam alimentar, a todos os níveis, os gostos, os usos e costumes e, sobretudo, a influência que possam exercer, a partir do Terreiro do Paço. Ao longo dos anos, muitas vezes assim se fez e ainda assim se faz, sempre que o poder político se esquece de Trás-os-Montes e Alto-Douro, visto que, antes de ser Portugal, já este pedaço de chão, a norte do Rio Douro, era formava o «Entre Douro e Minho».

Em 1920 um punhado de inconformados Transmontanos, tiveram a feliz ideia de fundar uma associação, a partir da qual pudessem, os seus membros exercer a sua influência, a favor da nossa Província. Nascia, desse esforço coletivo a primeira Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro. Foi um enorme sucesso porque os responsáveis dessa época encheram-se de coragem. E deram a outras Províncias o exemplo de como se deve servir o bairrismo e a entre-ajuda, quando o poder político se esquece do país real.

Vinte e um anos depois, realizou-se o segundo congresso Transmontano. O entusiasmo redobrou e foi daí que Miguel Torga, por exemplo, gritou o «hino do Ipiranga» sobre o «Reino Maravilhoso».

A intenção consistia em repetir essas formas de pressão, de vinte em vinte anos. Contudo, os anos maus que se seguiram, por razões internas e externas, desencorajaram os influentes de 1920 e de 1941. As Casas regionais, na tentativa de imitar a de Lisboa, começaram a expandir-se, cá dentro e lá fora, onde os Transmontanos, chegavam. Em Luanda, onde se fundou o Clube Transmontano; no Brasil e nos USA com a Casa de S. Paulo e com o Clube Vasco da Gama,respetivamente; em Toronto e Paris, como em Coimbra, em Guimarães, no Porto, em Braga, Viana do Castelo, Águeda, Tomar e zona do Algarve, quer em casa própria, quer em sítios certos e convencionais,entre 1960 e 2002, a imprensa não se calou. E, entre a boa e má fé de alguns líderes Transmontanos, o III Congresso abortou por vários motivos. Até que as Casas Regionais entenderam federar-se. E essa força coletiva contou com o apoio financeiro e logístico que recaiu na autarquia de Bragança, nomeadamente do seu Presidente, Jorge Nunes. Portaram-se à altura os autarcas. Não fossem eles e, esse III Congresso, não teria reunido, em Bragança mil e trezentos congressistas, mais os representantes nacionais e locais e povo anónimo. Naturalmente estiveram presentes, não só o primeiro ministro e o Presidente da República, da época. Foi, inegavelmente, uma das mais concorridas manifestações conjuntas, de todos os tempos, durante três dias, em Setembro de 2002.

Dom Ximenes Belo
com Hirondino Isaías

 As Casas regionais, de Lisboa e Porto, sempre tiveram das restantes, quer do continente quer da Lusofonia, o seu aval. Foi pena que a Federação das Casas Regionais que, nessa qualidade, abriu e encerrou o Congresso, nunca mais tivesse reunido, postura que ditou a desativação legal. Foi pena!

Em 2020 o Presidente da Direção da Casa de Lisboa, Hirondino Isaías que tem sido reeleito, incentivou a Instituição a realizar o IV Congresso Transmontano. E, apesar de ser uma iniciativa levada a cabo, apenas e só da Casa, teve engenho e arte para cumprir o desígnio inicial de repetir os «Congressos» com a distância de duas décadas.

O Ex-presidente da Câmara de Bragança, Engº Jorge Nunes, entendeu que deveria comemorar-se o I século desde 1920. E a sua permanente vontade de fazer mais e melhor, reconhecendo que, embora os quatro Congressos já realizados não devem ser esquecidos, entendeu ser ele próprio a organizar e a escrever o grande livro dos Congressos Transmontanos (1920-2020).

A apresentação desta obra que penso, agradará a muitos transmontanos (e não só) decorrerá dia 18 do corrente, às 17,30 h na sala de Atos do Teatro Municipal de Bragança.

                                                     Barroso da Fonte

FONTE: https://www.diariodetrasosmontes.com/cronica/saga-das-casas-regionais-de-tras-os-montes


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