Coordenada por
Assunção Anes Morais e com prefácio de Adriano Moreira:
Coletânea de 65
coautores homenageia Miguel Torga
Miguel
Torga faleceu há 27 anos. Se em 1998 fosse vivo, possivelmente teria recebido
da Academia Sueca o Prémio Nobel da Literatura. Confessou-me este sonho e este
desejo, várias vezes, em Setembro de cada ano, entre 1969 e 1974, altura em que
fazia o seu tratamento anual nas Termas de Chaves, sendo hóspede privilegiado
do então diretor clínico, o também saudoso Mário Carneiro.
O
regulamento da Academia Sueca recomendava que esse epíteto apenas fosse
atribuído a pessoas vivas.
Já
em vida Miguel Torga se tornara o nome lusófono mais sonante com vista a esse
prémio, o que confidenciava aos amigos mais próximos. Eu tive essa sorte,
recebendo dele oito cartões pessoais, que já tornei públicos com a autorização
de sua Filha, Clara Crabbé Rocha.
Como
editor, tive o gosto de trazer a público a tese de doutoramento de Vítor José
Gomes Lousada, intitulada: Miguel Torga - O Simbolismo do Espaço Telúrico e
Humanista nos Contos (2003).
Volvidos
25 anos, a atual Presidente da Direção da Academia de Letras de Trás-os-Montes,
Maria da Assunção Anes Morais, que estudou para Mestrado a obra de Torga, já
vertida em vários livros, quis assinalar os 25 anos da morte deste talentoso
génio literário que, por falecer em 1995, já não conseguiu ver concretizado o
sonho que acalentava desde que a sua obra conquistara o reconhecimento mundial.
Essa manifestação de apreço foi agora levada a efeito numa sessão magna na sede
do Espaço Cultural Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, berço do escritor.
Essa sessão foi abrilhantada com um pequeno concerto do trio que cantou e
declamou poesia do homenageado. A Câmara de Sabrosa e o diretor desse Espaço
Cultural usaram da palavra para se congratularem com essa sessão, que teve como
epicentro a apresentação do livro: FRAGAS - Homenagem a Miguel Torga nos
25 anos da sua morte.
Este
volume de 640 páginas insere testemunhos inéditos de 65 participantes, sendo
quarenta homens e vinte e cinco mulheres, todos devotados ao estudo da obra e
do Autor, quiçá, o mais badalado da Língua Portuguesa. A isso se referiu João
Luís Sequeira, ao afirmar que «Fragas consubstancia o interesse que a
obra de Miguel Torga representa para todos nós». Martinho Barrias Gonçalves, em
nome do Município, exaltou a relação afetiva da Organizadora da colectânea e
adiantou que a sua presença é assídua em eventos que não se limitam aos temas
torguianos. Por seu turno, Assunção Morais, que foi a oradora principal,
explicou, tintim por tintim, as demarches e nuances que esta
causa implicou, nos 25 anos de ausência forçada do escritor e intelectual que a
fascinou, como pessoa e como referência cultural. A dado passo disse que «o
nome de Fragas reflete a resistência e a resiliência de ser
transmontano, ensinando que, mesmo nos momentos adversos, é possível encontrar
forças e transformar as fraquezas em momentos de vitória e de superação».
Na
Introdução da colectânea, Assunção Morais esclarece que «este livro é a
continuação de um projeto realizado em 2015 com o título Negrilho, que
assinalou os 20 anos da morte de Miguel Torga. E acrescenta que «Negrilho
e fragas são duas palavras fundamentais no universo lexical da obra
torguiana que tão bem retrata a realidade e a paisagem transmontanas»,
dissecando essas duas realidades ao longo da página 22. Quase todos os
trabalhos já publicados desta académica pressupõem o universo virtual de Torga,
até porque as obras do grande génio literário transmontano «têm sido um roteiro
de reflexões e uma fonte de inspiração quer na vida pessoal, quer na vida
profissional».
Este
volume constitui, outrossim, um trabalho coletivo hercúleo e original pela
dimensão e diversidade dos participantes. A coroar, alguns contributos
exclusivos:
-
o autor do prefácio é Adriano Moreira que em Setembro próximo completa um
século de vida. É um privilégio para os 65 coautores que ocupam, curiosamente,
idêntico espaço e disposição gráfica. A ordem é a alfabética e o tratamento é o
mais democrático possível;
-
D. José Manuel Cordeiro, acabado de ascender a Arcebispo de Braga. É o mais
jovem bispo português que deixou vaga a Diocese de Bragança-Miranda, província
dos familiares;
-
Clara Rocha, filha única de Miguel Torga que, num gesto de grande dimensão
intelectual e humana, convive neste círculo de Transmontanos que se respeitam
mutuamente e que aceitam a convivência sem preconceitos, como é próprio das
tradições, muito bem tratadas no livro da coordenadora de Fragas,
intitulado: «Entre quem é! - Tradições de Trás-os- Montes e Alto
Douro no Diário de Miguel Torga» (2007).
Um livro obrigatório na biblioteca de todos os transmontanos e de todos aqueles que admiram a obra imortal e universal de Miguel Torga. Para qualquer contacto com vista à obtenção do livro: assuncao.anes.morais@gmail.com
Barroso
da Fonte
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