quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Coletânea de 65 coautores homenageia Miguel Torga

 Por BARROSO da FONTE


Coordenada por Assunção Anes Morais e com prefácio de Adriano Moreira:

Coletânea de 65 coautores homenageia Miguel Torga

 

Miguel Torga faleceu há 27 anos. Se em 1998 fosse vivo, possivelmente teria recebido da Academia Sueca o Prémio Nobel da Literatura. Confessou-me este sonho e este desejo, várias vezes, em Setembro de cada ano, entre 1969 e 1974, altura em que fazia o seu tratamento anual nas Termas de Chaves, sendo hóspede privilegiado do então diretor clínico, o também saudoso Mário Carneiro.

O regulamento da Academia Sueca recomendava que esse epíteto apenas fosse atribuído a pessoas vivas.

Já em vida Miguel Torga se tornara o nome lusófono mais sonante com vista a esse prémio, o que confidenciava aos amigos mais próximos. Eu tive essa sorte, recebendo dele oito cartões pessoais, que já tornei públicos com a autorização de sua Filha, Clara Crabbé Rocha.

Como editor, tive o gosto de trazer a público a tese de doutoramento de Vítor José Gomes Lousada, intitulada: Miguel Torga - O Simbolismo do Espaço Telúrico e Humanista nos Contos (2003).

Volvidos 25 anos, a atual Presidente da Direção da Academia de Letras de Trás-os-Montes, Maria da Assunção Anes Morais, que estudou para Mestrado a obra de Torga, já vertida em vários livros, quis assinalar os 25 anos da morte deste talentoso génio literário que, por falecer em 1995, já não conseguiu ver concretizado o sonho que acalentava desde que a sua obra conquistara o reconhecimento mundial. Essa manifestação de apreço foi agora levada a efeito numa sessão magna na sede do Espaço Cultural Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, berço do escritor. Essa sessão foi abrilhantada com um pequeno concerto do trio que cantou e declamou poesia do homenageado. A Câmara de Sabrosa e o diretor desse Espaço Cultural usaram da palavra para se congratularem com essa sessão, que teve como epicentro a apresentação do livro: FRAGAS - Homenagem a Miguel Torga nos 25 anos da sua morte.

Este volume de 640 páginas insere testemunhos inéditos de 65 participantes, sendo quarenta homens e vinte e cinco mulheres, todos devotados ao estudo da obra e do Autor, quiçá, o mais badalado da Língua Portuguesa. A isso se referiu João Luís Sequeira, ao afirmar que «Fragas consubstancia o interesse que a obra de Miguel Torga representa para todos nós». Martinho Barrias Gonçalves, em nome do Município, exaltou a relação afetiva da Organizadora da colectânea e adiantou que a sua presença é assídua em eventos que não se limitam aos temas torguianos. Por seu turno, Assunção Morais, que foi a oradora principal, explicou, tintim por tintim, as demarches e nuances que esta causa implicou, nos 25 anos de ausência forçada do escritor e intelectual que a fascinou, como pessoa e como referência cultural. A dado passo disse que «o nome de Fragas reflete a resistência e a resiliência de ser transmontano, ensinando que, mesmo nos momentos adversos, é possível encontrar forças e transformar as fraquezas em momentos de vitória e de superação».

Na Introdução da colectânea, Assunção Morais esclarece que «este livro é a continuação de um projeto realizado em 2015 com o título Negrilho, que assinalou os 20 anos da morte de Miguel Torga. E acrescenta que «Negrilho e fragas são duas palavras fundamentais no universo lexical da obra torguiana que tão bem retrata a realidade e a paisagem transmontanas», dissecando essas duas realidades ao longo da página 22. Quase todos os trabalhos já publicados desta académica pressupõem o universo virtual de Torga, até porque as obras do grande génio literário transmontano «têm sido um roteiro de reflexões e uma fonte de inspiração quer na vida pessoal, quer na vida profissional».

Este volume constitui, outrossim, um trabalho coletivo hercúleo e original pela dimensão e diversidade dos participantes. A coroar, alguns contributos exclusivos:

- o autor do prefácio é Adriano Moreira que em Setembro próximo completa um século de vida. É um privilégio para os 65 coautores que ocupam, curiosamente, idêntico espaço e disposição gráfica. A ordem é a alfabética e o tratamento é o mais democrático possível;

- D. José Manuel Cordeiro, acabado de ascender a Arcebispo de Braga. É o mais jovem bispo português que deixou vaga a Diocese de Bragança-Miranda, província dos familiares;

- Clara Rocha, filha única de Miguel Torga que, num gesto de grande dimensão intelectual e humana, convive neste círculo de Transmontanos que se respeitam mutuamente e que aceitam a convivência sem preconceitos, como é próprio das tradições, muito bem tratadas no livro da coordenadora de Fragas, intitulado: «Entre quem é! - Tradições de Trás-os- Montes e Alto Douro no Diário de Miguel Torga» (2007).

Um livro obrigatório na biblioteca de todos os transmontanos e de todos aqueles que admiram a obra imortal e universal de Miguel Torga. Para qualquer contacto com vista à obtenção do livro: assuncao.anes.morais@gmail.com

Barroso da Fonte


Sem comentários:

Enviar um comentário

Havia o meu amigo de fazer anos neste dia...

 Mário Adão Magalhães Jornalista Bom amigo Havia o meu amigo de fazer anos neste dia... Além de lhe trazer o meu melhor parabém, com o dese...

Os mais lidos