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Reflexões JBM_ABRIL_2021
J. Barreiros Martins Prof. Cat. Emérito Jubilado
da Univ do Minho
Convento de São Francisco de Olinda: património do Brasil há 80 anos.
Das dez edificações seleccionadas pelo Iphan, 80 anos atrás,
sete são igrejas, uma abrigou o Palácio Episcopal e duas eram moradia.
Protegidos por lei federal, os imóveis não podem ser destruídos nem
descaracterizados. Conheça o primeiro
convento franciscano do País, que remonta ao século 16.
A história do Convento de São Francisco,
na Cidade Alta de Olinda, começa em 1577 quando a pedido
de Dona Maria da Rosa, uma benfeitora, é construído um pequeno prédio para
receber os frades portugueses que viriam morar no Brasil. Eles só chegam em
1585, a edificação foi incendiada pelos holandeses em 1631 e os religiosos
levaram 42 anos para refazer a nova casa.
É esse prédio, erguido aos poucos de 1712 a
1754 com a típica arquitetura franciscana barroca, que recebe o título de
património brasileiro em 1938. “Tudo o que sobrou do antigo imóvel depois do
incêndio foi a Capela do Capítulo, onde os frades rezavam e faziam as reuniões
de planeamento”, informou frei Rogério Lopes, guardião do convento.
Com um altar de talha dedicado a Nossa Senhora Sant’Ana
e decorada com azulejos coloridos, a capela faz parte do roteiro de visitas do
Convento de São Francisco. “Todas as pedras desse prédio falam, elas guardam a
nossa história e quando contamos essa história aos visitantes estamos
preservando a nossa memória”, disse frei Rogério Lopes.
O grande atractivo da edificação secular
são os azulejos portugueses, espalhados em vários ambientes, afirma o frade. No
claustro, os painéis do século 18 contam passagens da vida de São Francisco. Os azulejos que forram a nave da
Capela de Sant’Ana retratam o casamento dos avós de Cristo (São Joaquim e
Santana, pais de Maria), entre outras imagens do casal, baseadas nos evangelhos
apócrifos.
Um dos painéis de azulejo da Igreja de
Nossa Senhora das Neves mostra a circuncisão de Jesus. “É uma cena rara e
emociona o público”, destacou frei Rogério. Pela nave da igreja o visitante tem
acesso à Capela de São Roque, da Ordem Terceira de São Francisco (associação de
leigos católicos), separadas por um arco em talha.
A sacristia decorada com móveis de
jacarandá, mesa de mármore, azulejos e pinturas a óleo sobre madeira no forro
do tecto retratando a devoção franciscana a Nossa Senhora é outra relíquia no Convento de São Francisco. “É um lugar de muito bom
gosto e a vista para o mar é belíssima”, destacou frei José Milton de Azevedo
Coelho. Segundo ele, Dona Maria da Rosa servia de intérprete na conversão de
índios.
VISITA
Os religiosos cobram R$ 2 pela visita e o
dinheiro arrecadado ajuda na manutenção do Convento de São Francisco, onde
moram seis frades. Como a taxa de acesso não sustenta a edificação, desde 2015
eles abriram as portas do convento para retiros de espiritualidade franciscana.
“Afora isso, alugam o auditório para palestras e cursos de capacitação e têm
os recursos dos casamentos”, afirmou frei Rogério.
Populares também
colaboram com doações espontâneas. “Pintamos a área externa do prédio com verba
doada pela comunidade. Nós promovemos momentos de encontro com a população,
para as pessoas sentirem que esse monumento também é delas. É um património com
mais de 400 anos de história que pertence a todos, não só aos franciscanos”,
ressalta o guardião. A parceria com o Iphan permite obras de restauração,
acrescenta. No momento, o Instituto do Património
Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está recuperando a torre, a pintura e a
cantaria (pedra) que contorna portas e janelas da fachada do Convento de São
Francisco, com recursos do PAC Cidades Históricas do governo federal. A obra também contempla intervenção no pátio defronte da igreja
para reintegrá-lo ao cruzeiro, como antigamente.
“Em 1934, três anos antes da criação do Iphan,
cortaram o adro para a circulação de veículos pela Ladeira de São Francisco e a
igreja ficou separada do cruzeiro. Agora vamos recuperar essa paisagem, mas os
carros continuarão passando na rua”, informou Frederico Almeida, engenheiro do
Iphan-PE.
Igreja
do Carmo de Olinda, primeira construção carmelita das Américas
Localizada no Sítio Histórico de Olinda, a Igreja do Carmo é o
tema da quarta reportagem da série sobre os primeiros prédios tomados como
monumento nacional pelo Iphan, na cidade, 80 anos atrás.
Ela é a primeira igreja construída em
honra de Nossa Senhora do Carmo nas Américas. Fica no alto de uma colina e
ocupa o lugar de uma ermida do século 16 dedicada a Santo António e São
Gonçalo. A Igreja do Carmo de Olinda, com sua arquitetura
religiosa barroca, integra o Livro de Belas Artes do Instituto do Património
Histórico e Artístico Nacional, como monumento isolado, desde 1938, logo depois
da criação do Iphan, no ano anterior.
O prédio que conhecemos
hoje é uma construção do fim do século 17, com um altar principal e dez altares
laterais. Tempos atrás, a edificação esteve ameaçada por um problema de
desestabilização na encosta, que provocou a inclinação da torre da igreja.
“Iniciamos a estabilização da colina histórica do Carmo em 1995 e fizemos a
obra aos poucos, de acordo com o dinheiro arrecadado”, declarou o engenheiro do
Iphan, Frederico Almeida. O
programa Monumenta financiou as intervenções civis. Mas a restauração do altar
e dos bens móveis, incluindo a recuperação do douramento, foi executada com recursos
do Pronac, informa o engenheiro. “Entregamos tudo pronto há seis anos”, diz
ele. A Igreja do Carmo passou 138 anos como propriedade da
União, de 1874, quando foi confiscada dos carmelitas, até ser devolvida aos
frades, em 2012.
Hoje mantido pela ordem religiosa, o
templo está disponível para casamentos e outras cerimónias festivas. “Temos
missas fixas às 11h nos domingos e às 19h30 nas quartas e quintas-feiras.
Abrimos para visitas de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos até o
meio-dia”, informou frei Luiz Nunes, prior da Igreja do Carmo. A taxa de acesso
(excepto nos horários das missas) custa R$ 3 e ajuda na manutenção do prédio.
“Nunca abandonamos a igreja, mesmo quando o
escritório do Iphan em Olinda funcionava no primeiro piso do imóvel, os frades
sempre celebraram missas no Carmo, eles apenas não podiam morar no prédio”,
destacou frei Luiz Nunes. Atualmente, seis religiosos residem no Convento de
Santo António do Carmo. “Quando os carmelitas receberam a ermida, pediram para
colocar esse nome no convento, em homenagem ao nome da pequena igreja.”
HISTÓRIA
Os carmelitas chegaram a Olinda em 1580,
no século 16, se instalaram na Ermida de Santo António e São Gonçalo e
ampliaram a edificação, parcialmente destruída no incêndio de 1631 provocado
pelos holandeses que ocuparam o Nordeste brasileiro de 1630 a 1654. A Igreja do Carmo seria reconstruída após a saída dos
flamengos e o convento foi derrubado em 1907.
Num dos altares laterais há uma imagem de
Nossa Senhora da Boa Morte, considerada uma relíquia pelos religiosos. “Dizem
que a imagem teria sido encomendada pelos frades, na viagem marítima a caravela
afundou, sobrando apenas a santa, que chegou boiando a Olinda num caixote de
madeira”, disse frei Luiz Nunes. “A devoção a Nossa Senhora é muito forte entre
os carmelitas.”
O altar de Santa Terezinha, acrescenta,
único feito com cantaria, é um dos mais antigos do prédio. “Recebemos a igreja de volta em 5 de agosto de 2012 e a Província
Carmelita de Pernambuco faz a manutenção, com muita dificuldade. “Gastamos R$
12 mil numa obra no tecto e vamos gastar mais R$ 77 mil na pintura externa, é
difícil porque dependemos da doação de fiéis”, declarou o frade.
A Igreja do Carmo de Olinda abriga eventos
artísticos, como o Festival Mimo. na Páscoa, os carmelitas promovem um jantar
para pessoas pobres, com a distribuição de mil cestas básicas, desde 2012.




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