segunda-feira, 12 de abril de 2021

O 25 de Abril. Onde e como eu o Vivi (6)

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                                              Reflexões JBM_ABRIL_20

J. Barreiros Martins Prof. Cat. Emérito Jubilado da Univ do Minho


O meu filho mais velho tinha trazido da Universidade de LMarques, já feito o 1º semestre de Engenharia Electrotécnica. O filho mais novo e a filha Helena estavam a completar o Ensino Secundário, que também não funcionava. A filha mais nova ainda andava no Primário. Por isso, eu pensei seriamente em abandonar o País rumando ao Brasil, onde a Albertina tem família, no Rio e em São Paulo. Como eu então, já com mais de 20 anos de serviço universitário nunca tinha usado “Licença Sabática” a que tinha direito ao fim de cada 5 anos de serviço, requeri “Licença Sabática” que logicamente me foi concedida. Eu tinha já feito uma “prospecção” contactando a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), que logo me tinha convidado para ir lá dar aulas durante a minha Sabática e assim aconteceu. Estive um ano Lectivo na (PUC-RJ) e, como as aulas não tinham começado na FEUP, levei comigo o meu filho JM mais velho. Nas aulas que dei na PUC-RJ tudo correu bem e o meu filho começou a assistir a aulas de Engenharia Eléctrica, como lá se diz. Não cabe aqui descrever várias peripécias que me aconteceram na PUC-RJ. A 1ª disciplina que tive de dar chamava-se “Mecânica dos Solos”. Ela já existia na Univ de L Marques, mas na PUC-RJ era uma disciplina de Mestrado. Por isso, os candidatos tinham de ter uma Licenciatura em Engenharia Civil que, em geral, não era de uma Pontifícia Universidade Católica, mas sim de uma simples Universidade Católica. E havia dúzias delas. Ou de outras universidades ditas dos PPP (Pagou Propina Passou). E eu sabia bem disso. Os colegas da PUC-RJ também me tinha informado. Os candidatos que conseguissem obter um Mestrado na PUC-RJ, “lavavam” a Licenciatura “porca” que tinham.

Por isso, eu na 1ª aula comecei por avisar que na 2ª aula haveria um teste sobre algumas matérias fundamentais da Engenharia Civil para eu averiguar quais os alunos que estavam em condições de frequentar a disciplina. E indiquei essas matérias. Quem tivesse menos de 35% (7 valores em Portugal) não estava em condições de frequentar a disciplina de Metrado. Feito o teste todos os alunos tiveram menos de 35%. Então eu fui falar com o Reitor relatando tudo e ele respondeu-me “ O Senhor é responsável pela garantia do bom nome da PUC-RJ. Portanto, só pode aprovar os alunos que saibam o suficiente”. Então, para ter de dar aulas, fiz um 2º teste e avisei os alunos que só poderiam frequentar aqueles que tivessem mais de 35%, por ventura entre 35%, e 50%. Aconteceu que dos 20 alunos só uns 10 tiveram entre 35%, e 50%. Eu dei conhecimento disso ao Reitor e dei aulas aos 10 Alunos em causa.

Infelizmente, embora eu tenha facultado todos os elementos para que os alunos “assimilassem” a matéria, no exame final reprovaram todos. Voltei a falar com o Reitor que voltou a dizer o mesmo que tinha dito antes. Assim, nenhum desses alunos obteve o Diploma de Mestre em Mecânica dos Solos pela PUC-RJ, nesse ano.

Também dei outras duas disciplinas, RESMAT II e RESMAT III, que eram disciplinas do 2ºe 3º anos; portanto os alunos já tinham sido seleccionados.



Os resultados não foram diferentes dos dos anos anteriores nessas disciplinas. Ainda montei um conjunto de ensaios laboratoriais de solos, etc., com a experiência que tinha do LEMMS de Moçambique e fiz um pouco de “Programação FORTRAN de Estabilidade de Taludes” com o meu Assistente Eurípedes Vargas: Entretanto , as aulas começaram na FEUP e ao meu filho JM foi dado o prazo de uma semana para se inscrever nelas. Como a Albertina, de modo algum queria saír de Portugal, procurei logo meter o filho num avião para Portugal, onde o “Verão Vermelho” também já tinha acabado. Apesar de termos entrado no Brasil como Turistas, para saírmos tínhamos de ter “Visto de saída” no Passaporte. Eu e o Filho formos à Repartição respectiva pelas 9 da manhã entregar o Passaporte dele. Atendeu-nos um funcionário amável dizendo que quem assinava o visto era um doutor que ainda não tinha chegado. Às 9h30 e 10h00 ainda não tinha chegado o doutor, até que eu disse ao funcionário: “Eu sei que Vocês estão muito sobrecarregados e o meu filho tem de estar no aeroporto às 11h00. Por favor diga-me quanto tenho de pagar para obter o Visto. Ele escreveu com o dedo na mesa do guichet 200. Eu coloquei nela duas notas de 100 cruzeiros. Ele pegou nelas e perguntou a que horas tinha sido entre o Passaporte, foi à papelada buscá-lo pôs nele um carimbo com o Visto e assinou, dizendo corra para o Aeroporto.

(Continua)

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