segunda-feira, 26 de abril de 2021

Escritos reavivados de Nuno Nozelos


BARROSO da FONTE


«Transmontano transparente, solidário, agradecido, bondoso e inconfundível, no seu apego a Trás-os-Montes", confirma-o Armando Palavras no «tempo caminhado», a propósito do livro póstumo de «Escritos Reavivados» de Nuno Nozelos.

Deixou-nos aos 86 anos de vida, cheia de coisas boas, de qualidades nobres e de convites à Terra e ao Criador. Em prosa e em verso editou dezoito títulos. Em antologias e dicionários marcou presença em sete obras e foi cofundador da Revista Sílex que marcou uma época de vazio literário. Foi um contista de referência nacional e um poeta laureado. Um técnico profissional respeitado e um intelectual de larga coerência cívica.

Celeste Nozelos descobriu nas gavetas do seu espólio: Escritos reavivados que seu companheiro de jornada irrepreensível, deixou coligidos e adiados, incluindo o título e o nome do prefaciador. Obrigado Nuno pela distinção!

Este livrinho de bolso, com 168 páginas, mimosamente organizado e revestido, com a frondosa ramagem da árvore da sua saudade Fradizelense.

Na última página do miolo menciona-se o nome da Design da Capa: Patrícia Martins e da foto que forra capa e contra capa que identifica o Monte de S. Brás e a Torre Dona Chama, freguesia de Mirandela.

Nas abas deste tesouro se diz que Nuno Nozelos «era um dos mais ilustres escritores da terra transmontana. Reavivar estes escritos excelentes, é realizar o seu sonho por ele iniciado».

 Ao fundo da 1ªaba:

 «Tu

Serás a minha ama das vigílias negras/

Nas vigílias brancas tenho centos delas».

                              

                                                        *******

Nuno  Nozelos
Enquanto confrade e contemporâneo de Nuno Nozelos, lamento que nenhuma estação de rádio nacional, nenhum dos muitos canais televisivos e nenhum diário, semanário ou revista de âmbito nacional, tenham promovido meia dúzia de palavras laudatórias acerca da vida exemplar e da obra produzida por este Poeta e Contista que nos deixou. Leio regularmente quase todos os jornais que se publicam em Trás-os-Montes. Fizeram o mesmo.

Na semana em que o governo realizou um conselho de Ministros para tratar, exclusivamente, o futuro da cultura, é pena que esta rasteje pelos caminhos do desprezo e dos valores essenciais. Silenciar aqueles que tiveram um percurso de vida exemplar, criativa e progressista, por troca com os corruptos, com os indesejáveis e com anarquistas é censurável. É o que entendo com esta hipocrisia social e política.

Barroso da Fonte


1 comentário:

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