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por BARROSO DA FONTE - A VOZ de TRÁS- os MONTES
O padre Delmino Fontoura assinou na Voz de Chaves das últimas semanas um
pequeno texto que intitulou: «Telescola: - que saudades tenho dela!»
Começa assim: «Quando, no fim de 1971, tomei conta das paróquias de Mairos
e de Paradela, uma das primeiras coisas que implementei foi a criação de uma
Telescola a funcionar no Salão Paroquial de Mairos. Foi uma das boas ideias de
Marcelo Caetano: levar o ensino às aldeias numa altura em que ainda não havia
transportes nem tão pouco estradas para as povoações. Chegámos a ter quatro
turmas com 80 alunos e oito professores. Assim, alguns jovens com 15 ou 16 anos
puderam fazer os seus estudos do 5º e 6º anos».
Muitos e grandes empresários, técnicos e quadros médios do aparelho
do Estado ou de Empresas privadas, graças a esse ensino à distância, subiram na
vida ativa da sociedade Portuguesa.
Dos mais recônditos Lugarejos do país real, onde não havia escolas
primárias, nem professores diplomados pelas Escolas do Magistério Primário,
emergiram do anonimato, por três vias: esse tipo de ensino à distância onde,
desde 1962, já havia televisão a preto e branco; através das heroicas
professoras regentes que, tendo apenas a 4ª classe, faziam um exame sobre os
seis meses de preparação e, passando, eram distribuídas pelos lugarejos mais
recônditos, ou as verdadeiras professoras que faziam o 5º ano dos liceus e mais
dois anos da Escola do Magistério Primário.
Apesar das deficitárias finanças do Estado Novo, o país construiu escolas
primárias pelo menos em todas as freguesias e, em certos casos, até em aldeias
onde havia alunos em excesso.
O Padre Delmino Fontoura deu o lamiré: «Telescola! que saudades tenho
dela!»
Lembro-me de uma minha prima de Gralhós, Montalegre, que foi escolhida para
lecionar matemática na telescola. Foi das primeiras docentes do ensino
secundário. Nunca mais esqueci essa grande senhora que me deslumbrava, a mim,
mais velho, pastor de vacas e da vezeira, que apenas conhecia Gralhós pelas
ameixas bravias que ali abundavam. Formou-se em Coimbra e fixou-se em Chaves,
onde ensinou alunos, hoje distintos cidadãos. Deixou rasto de um saber quase
divino, aos olhos deste débil parente que só mais tarde conheceu o «ti
Vicente», a filha, Maria do Carmo e a neta prendada. Não ficou por ali tão
nobre geração. A Sofia e o Gabriel atestam esse rasto de bondade e de nobreza
humana que irradiaram das terras de Barroso, ligadas ao ensino, através da
Telescola. Que saudade desses tempos tão difíceis!

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