
10-06-2020 11:11 | Mundo
Porto Canal com Lusa
Bruxelas, 10 jun 2020
(Lusa) -- A Comissão Europeia afirma ter "provas suficientes" da
existência de propaganda chinesa na Europa relativa ao surto de covid-19, um
"novo fenómeno" que se junta à desinformação russa e à propagação de
informação falsa por "atores europeus".
"Temos provas suficientes para perceber como é que a propaganda chinesa funciona e como tem funcionado nesta crise da covid-19 e, devido a essas provas, penso que é altura de dizermos a verdade, de informar as pessoas", declarou a vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta dos Valores e Transparência, Vera Jourová.
Falando com um grupo de
jornalistas em Bruxelas, incluindo a agência Lusa, a propósito da comunicação
hoje adotada pelo colégio de comissários sobre desinformação no contexto da
pandemia da covid-19, a responsável acrescentou que estas evidências
"foram recolhidas pelo Serviço Europeu de Ação Externa".
"Tomámos
conhecimento de uma série de acusações, como a que o novo coronavírus foi
desenvolvido em laboratórios norte-americanos e sobre uma promoção exagerada do
apoio da China à UE, com muita propaganda que indica que os Estados-membros e
as instituições democráticas europeias não foram capazes de lidar com a
crise", precisou Vera Jourová.
De acordo com a
vice-presidente do executivo comunitário, "há uma série de situações em
massa deste género e este é um novo fenómeno, com comunicação mais assertiva no
território europeu e dirigida aos cidadãos europeus" por parte de Pequim.
Além da China, também a Rússia foi identificada como "promotora ou fonte de desinformação", naquela que é "a primeira vez" que a União Europeia (UE) assinala tão claramente estas origens de 'fake news'.
"Claro que, no que
toca à Rússia não é nenhuma novidade porque eles têm a desinformação incluída na
doutrina militar, mas a China é pela primeira vez assinalada e fico satisfeita
por o termos feito porque se existem provas, não nos devemos comedir de o apontar",
acrescentou Vera Jourová.
Para responder a estas
questões, a responsável defendeu um reforço da "cooperação interna e
também ao nível da NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e do G7
[grupo de potências mundiais] porque a desinformação é uma ameaça híbrida e,
por isso, uma questão de segurança".
"Temos de limpar a
nossa própria casa e temos de reforçar a nossa estratégia de comunicação e as
ligações diplomáticas", sublinhou Vera Jourová, numa alusão aos
"diferentes atores" que, dentro da Europa, "atuam como inimigos
exteriores".
"Estou a falar de
diferentes grupos extremistas, forças políticas com programas nacionalistas,
diferentes grupos que também visam a incitação à disrupção e violência na
UE", especificou.
Vera Jourová deu ainda
como exemplo o desastre nuclear de Chernobyl, "em que as pessoas não
estavam informadas sobre a situação e as suas consequências", rejeitando
casos destes na Europa em altura de pandemia.
Já admitindo que, por
vezes, "é difícil detetar a origem" destes casos de desinformação a
nível comunitário, a vice-presidente da Comissão Europeia defendeu maior transparência
por parte das plataformas digitais e apoios à imprensa independente e aos
investigadores.
"A pandemia de
covid-19 evidenciou uma enorme onda de desinformação e mostrou-nos que a
informação falsa pode criar sérias consequências, matar cidadãos e enfraquecer
a confiança nas instituições e, consequentemente, as medidas tomadas",
adiantou Vera Jourová.
Recentemente, o Serviço
Europeu de Ação Externa esteve envolvido numa polémica por alegada cedência a
pressões da China num relatório sobre desinformação, com o jornal
norte-americano New York Times a avançar no final de abril que a linguagem do
documento foi suavizada por influência de Pequim, o que Bruxelas rejeitou.


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