sábado, 14 de setembro de 2019

Assumpção



Mário Adão Magalhães


 A) Eis uma das imensíssimas razões https://24.sapo.pt/opiniao/artigos/trigemeos-e-a-indiferenca-do-estado-e-das-instituicoes  pelas quais eu nunca poderia militar em qualquer Partido, seja ele o de mal menor, seja ele o mais ou menos vocacionado para políticas sociais. Se bem que qualquer política é – invariavelmente, social.
As doenças estão pelas autoestradas da amargura. Não podemos continuar brandos e temos que concordar com o insuspeito Salgueiro Maia: “Às vezes é preciso desobedecer”.
Precisamos de pôr as letras nas palavras. Há dias conversando acerca do que é a Esquerda e a Direita na Política, eu concluí: é a contramão da Democracia.
Puta que pariu!
Hoje tinha estabelecido outras prioridades e surge-me pela manhã aquele artigo que me destabilizou logo. De imediato me meteu um nojo do caralho - temos mesmo que por as letras nas palavras.
Ainda por cima acabam de me telefonar a desmarcar uma consulta que aguardava há meses, que teria lugar para a semana e que eu venho pedindo paulatina e reiteradamente o adiantamento por me sentir a piorar bastante, e hoje mesmo ia fazê-lo de novo e fazem isto... Assim. Ali.
Um dia destes viro marginal. Digo que sou bêbado e drogado, tenho todos direitos e mais alguns, e até prioridades nas consultas... como venho presenciando à beça.
Passam a ser eufemismos as minhas designações de eufemismo, mas não posso dar-lhe a volta. Por todas as razões não quero trazer os meus casos pessoais à colação, mas dão-me uma visão privilegiada das coisas que passo e pelo que presencio noutros, o que anula os apaniguados de meios políticos onde andam apenas a dizer amem, amem. De outro modo ninguém daria conta deles, é certo.
Num contexto em que eu não desisto, mas não insisto, passo a não poder dizer que desisto?
O meu Estado – o Estado de quase todos nós, começou a prejudicar-me muito cedo. Tem faltado aos meus direitos e chamado aos deveres num conluio.
Entre dezenas de casos que volta e meia vemos e nos indignamos muito? Sim Fui vítima, presenciei, dezenas deles muito piores. E não desvalorizo esses que se tornam notícia nacional. Antes se vemos muitos samaritaninhos, algumas vezes até com petições públicas.
Defendo que quem tiver feitio para choradinhos, que as televisões promovem à beça sem supervisão da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) cuidando de não permitir espiolhar vítimas desfavorecidas e perturbadas, que além dessa imprudência gera outras complicações – uma espiral em favor do prolongamento do probleminha, o sensacionalismo, e por mor da informação tóxica que passa para a opinião pública que faz doutrina, na vez de irem pelo lado pedagógico. 
Image result for cientista Leonor GonçalvesIsto porque com ar de solidários / preocupados façam o melhor para o público em geral. Chegam a ser agraciados ou rostos de causas.
“A Dor Neuropática não é uma dor. É uma doença”, diz a comunidade cientista.
A cientista Leonor Gonçalves defende há uma dúzia de anos que “a Dor Crónica induz alterações no cérebro que conduzem à depressão”. Esta conclusão nessa altura valeu-lhe o Prémio Grunenthal Dor, pela primeira vez atribuído em Portugal.

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