terça-feira, 10 de setembro de 2019

A história do Papa Bento XIII repete-se com o Papa Francisco


Barroso da Fonte

O JN de 30 de Agosto noticiou que Ivo Scapolo arcebispo italiano fora nomeado pelo Para Francisco para representante diplomático em Portugal. Tem 66 anos e passou a ser o núncio apostólico em Portugal. Exercia as mesmas funções no Chile desde 2011 e sucede no cargo, em Lisboa a Rino Passigato que renunciou por limite de idade. Nasceu em Pádua e foi ordenado sacerdote em 1978, ingressando no serviço diplomático em 1984 para desempenhar funções em Angola, Portugal e USA. Como núncio representou a Santa Sé na Bolívia, no Ruanda e no Chile. Colaborou com a agência Ecclesia e sabe-se pelo JN que «a Igreja chilena foi afetada nos últimos anos por uma crise provocada por casos de abusos sexuais que levaram à renúncia de vários bispos e à intervenção do Papa. Foi do conhecimento público que a visita do Papa Francisco ao Chile, em 2018 ficou marcada por polémicas, suscitadas por informações incorretas desse núncio apostólico que agora chega a Portugal. Leu-se na referida nota do JN que «algumas vítimas de abuso sexual no Chile se queixaram da falta de apoio do núncio Ivo Scapolo designado no verão de 2011». Mais diz essa fonte que uma dessas vítimas, Juan Carlos Cruz foi recebido pelo Papa no Vaticano e manifestou a sua alegria no Twitter pela transferência de Ivo Scapolo, acrescentando que «ele é um dos que arruinou a Igreja no Chile».
D. Manuel Clemente emitiu, uma nota para acalmar os católicos, informando que tem toda a confiança no critério do Papa Francisco que «o terá nomeado, com toda a consciência».
Este tipo de polémicas, por estas ou outras razões menos favoráveis à compreensão dos católicos, leu-se no recente livro «A Saga da Santidade de D. Afonso Henriques» da Fundação Lusíada, 2017, pp.  95/104: «Bichi e Polignac: dois cardeais às avessas».
Em 1728 foi aprovada uma tese de doutoramento da autoria do cavaleiro Vimaranense da Ordem de Cristo, José Pinto Pereira nos 29 anos de funções no Vaticano. Dez das vinte e sete lendas que se conheciam, por essa altura, acerca da vida e obra de D. Afonso Henriques, dez delas foram aceites como verdadeiras. E o Júri, em consonância com o Papa Bento XIII chegou a consenso de que esse trabalho académico deveria ser abonatório para que a Comissão da Causa dos Santos, validasse esse trabalho para considerar o Rei Fundador como «beato, pio e santo».
Só que por essa altura D. João V, que reinou cerca de 44 anos, estava envolvido no escândalo das Freiras de Odivelas, cujos capítulos do filme ««Madre Paula», já passado na RTP, diversas vezes, chocavam com a o monarca Português que nesse mesmo ano pretendia que Bento XIII nomeasse o Cardeal Vicente Bichi para chefiar a Nunciatura de Lisboa. Sabia-se, contudo que este cardeal comercializava os sacramentos e fora persona non grata na Suíça. Agradava aos interesses políticos de D. João V. mas desagrava ao Papa Bento XIII, que tinha o consenso de outro Cardeal: Polignac.
Não sendo satisfeita a vontade do rei Português, este cortou relações com a Santa Sé. Extinguindo a Nunciatura em Lisboa e retirando do Vaticano os representantes de Portugal.
Esse livro intitulado «Aparato Histórico» que fora editado em Roma, na Tipografia Rochi Bernabò fora impresso em Latim e não chegou a circular. Mas em 2011, com a publicação da obra «1111-2011 - 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques», Editora Cidade Berço, soube-se dessa edição e, conseguido um exemplar. Foi traduzido pelo latinista Américo Augusto Ferreira para a Língua Portuguesa, sendo apresentado no Paço dos Duques de Bragança pelos docentes profissionais: Armando Malheiro da Silva e Pedro Vilas Boas Tavares.
 A obra manteve-se retida no Vaticano 286 anos e em versão latina.
Em 2017 a Fundação Lusíada promoveu a edição sobre a Saga da Santidade do Rei D. Afonso que tenta explicar a morosidade da Comunidade para o aprofundamento da Verdade Histórica, face a esta tese que só agora saiu do Vaticano. E que relata coincidências como esta cujas personalidades, como Vicente Bichi e  Ivo Scapolo, se repetem no espaço e no tempo.
                                                                                                       

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