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| Barroso da Fonte |
O JN
de 30 de Agosto noticiou que Ivo Scapolo arcebispo italiano fora nomeado pelo
Para Francisco para representante diplomático em Portugal. Tem 66 anos e passou
a ser o núncio apostólico em Portugal. Exercia as mesmas funções no Chile desde
2011 e sucede no cargo, em Lisboa a Rino Passigato que renunciou por limite de
idade. Nasceu em Pádua e foi ordenado sacerdote em 1978, ingressando no serviço
diplomático em 1984 para desempenhar funções em Angola, Portugal e USA. Como
núncio representou a Santa Sé na Bolívia, no Ruanda e no Chile. Colaborou com a
agência Ecclesia e sabe-se pelo JN que «a Igreja chilena foi afetada nos
últimos anos por uma crise provocada por casos de abusos sexuais que levaram à
renúncia de vários bispos e à intervenção do Papa. Foi do conhecimento público
que a visita do Papa Francisco ao Chile, em 2018 ficou marcada por polémicas,
suscitadas por informações incorretas desse núncio apostólico que agora chega a
Portugal. Leu-se na referida nota do JN que «algumas vítimas de abuso sexual no
Chile se queixaram da falta de apoio do núncio Ivo Scapolo designado no verão
de 2011». Mais diz essa fonte que uma dessas vítimas, Juan Carlos Cruz foi
recebido pelo Papa no Vaticano e manifestou a sua alegria no Twitter pela
transferência de Ivo Scapolo, acrescentando que «ele é um dos que arruinou a
Igreja no Chile».
D.
Manuel Clemente emitiu, uma nota para acalmar os católicos, informando que tem
toda a confiança no critério do Papa Francisco que «o terá nomeado, com toda a
consciência».
Este
tipo de polémicas, por estas ou outras razões menos favoráveis à compreensão
dos católicos, leu-se no recente livro «A Saga da Santidade de D. Afonso
Henriques» da Fundação Lusíada, 2017, pp.
95/104: «Bichi e Polignac: dois cardeais às avessas».
Em
1728 foi aprovada uma tese de doutoramento da autoria do cavaleiro Vimaranense
da Ordem de Cristo, José Pinto Pereira nos 29 anos de funções no Vaticano. Dez
das vinte e sete lendas que se conheciam, por essa altura, acerca da vida e
obra de D. Afonso Henriques, dez delas foram aceites como verdadeiras. E o
Júri, em consonância com o Papa Bento XIII chegou a consenso de que esse
trabalho académico deveria ser abonatório para que a Comissão da Causa dos
Santos, validasse esse trabalho para considerar o Rei Fundador como «beato, pio
e santo».
Só
que por essa altura D. João V, que reinou cerca de 44 anos, estava envolvido no
escândalo das Freiras de Odivelas, cujos capítulos do filme ««Madre Paula», já
passado na RTP, diversas vezes, chocavam com a o monarca Português que nesse
mesmo ano pretendia que Bento XIII nomeasse o Cardeal Vicente Bichi para
chefiar a Nunciatura de Lisboa. Sabia-se, contudo que este cardeal
comercializava os sacramentos e fora persona non grata na Suíça. Agradava aos
interesses políticos de D. João V. mas desagrava ao Papa Bento XIII, que tinha
o consenso de outro Cardeal: Polignac.
Não
sendo satisfeita a vontade do rei Português, este cortou relações com a Santa
Sé. Extinguindo a Nunciatura em Lisboa e retirando do Vaticano os
representantes de Portugal.
Esse
livro intitulado «Aparato Histórico» que fora editado em Roma, na Tipografia
Rochi Bernabò fora impresso em Latim e não chegou a circular. Mas em 2011, com
a publicação da obra «1111-2011 - 900 anos do nascimento de D. Afonso
Henriques», Editora Cidade Berço, soube-se dessa edição e, conseguido um
exemplar. Foi traduzido pelo latinista Américo Augusto Ferreira para a Língua
Portuguesa, sendo apresentado no Paço dos Duques de Bragança pelos docentes
profissionais: Armando Malheiro da Silva e Pedro Vilas Boas Tavares.
A obra manteve-se retida no Vaticano 286 anos
e em versão latina.
Em
2017 a Fundação Lusíada promoveu a edição sobre a Saga da Santidade do Rei
D. Afonso que tenta explicar a morosidade da Comunidade para o
aprofundamento da Verdade Histórica, face a esta tese que só agora saiu do
Vaticano. E que relata coincidências como esta cujas personalidades, como
Vicente Bichi e Ivo Scapolo, se repetem
no espaço e no tempo.



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