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| BARROSO da FONTE |
«No dia 21 de Novembro de 2014, um ex-primeiro
ministro português foi detido no aeroporto de Lisboa, à saída do avião em que
regressou ao país. A notícia teve honras de abertura em todos os telejornais e
foi manchete nos principais jornais do país e do estrangeiro: não é todos os
dias que se prende, publicamente, um ex-chefe do governo e secretário-geral de
um dos principais partidos políticos portugueses! Detido o dito ex-governante
no estabelecimento prisional de Évora, as romagens à prisão pelos seus
correligionários, entre os quais se contava até um ex- presidente da República,
eram notícia diária. A imprensa acompanhou o processo com compreensível
curiosidade, noticiando os mundos e fundos que o indiciado detido movimentara,
à conta da suposta generosidade de um amigo, tendo até comprado um luxuoso
apartamento num dos mais caros bairros de Paris. Mas, quando tudo levava a crer
que se ia, finalmente, passar à fase do julgamento dos implicados na mega operação,
o preso deixa de estar preso; faz-se um sorteio para a atribuição da instrução
do processo pouco transparente; e a procuradora-geral da República é
substituída. Meras coincidências com o facto do actual governo ser socialista?
Talvez. Mas a verdade é que já quase não se fala deste processo, como se nada
tivesse acontecido ... Só falta que, em breve, a imprensa noticie, como é
hábito, que o caso prescreveu. Quer isto dizer que se prendeu, com todo o
aparato e publicidade, um ex-primeiro-ministro que, afinal, é inocente?! Ou
será que não é inocente, mas a política pode mais do que a justiça?! Quer a
justiça se tenha excedido na espetacular captura do ex-governante socialista,
quer tenha cedido à pressão do poder político, para não avançar agora com este
processo, nenhuma destas duas hipóteses honra a justiça portuguesa. Também não
abona, em seu favor, esta incrível demora. O caso de uma instituição bancária
controlada pelo Estado fez desfilar, recentemente, pelo parlamento português,
um conjunto de tristes figuras, que foram responsáveis por operações
financeiras ruinosas e escandalosos créditos. Os gestores dessa instituição
bancária e aqueles a quem concederam multimilionários empréstimos, bem como os
então supervisores do banco central».
O texto que acabo de reproduzir, foi escrito e
assinado pelo Padre Gonçalo Portocarrero de Almada. Querendo dizer o mesmo, não
sou capaz de tanto. Por isso deixo aqui esta reflexão, no dia (9) em que leio
no JN que o Juiz Rui Rangel e a sua mulher também Juíza Fátima Rangel, na
sequência de crimes gravosos foram suspensos do exercício. Incrivelmente, foram
reintegrados na hierarquia que fica inacessível a titulares subalternos. Apesar
de ainda enfrentarem a possibilidade de uma demissão por causa de processos
disciplinares abertos pelo Conselho Superior da Magistratura, o paradoxo
prevaleceu. Ambos são arguidos na Operação Lex e estiveram fora dos tribunais
por nove meses como medida de coação pelos processos disciplinares em que estão
envolvidos. As injustiças sobem de tom, de graduação e de impaciência. A
política estatelou-se. Quanto pior, melhor. E nas catacumbas do pântano social,
a loucura coletiva bate palmas à loucura do caos sem regresso. 

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