quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Forrobodó com as subvenções vitalícias - II


BARROSO da FONTE
Na edição deste jornal de 9 de corrente assinei um texto que, como habitualmente, saiu na segunda página. Dei-lhe o título de «Forrobodó com as subvenções vitalícias». Fundamentei-me num artigo que um coronel Amigo me remeteu e que, com as facilidades que nos dias de hoje se podem encaminhar para todos os destinos do universo, me chegou e a tantos outros leitores desse ciclo de cidadãos que estão atentos à geringonça que se instalou na sociedade portuguesa e que – pelos vistos – veio para ficar.
Conhecendo bem o posicionamento social, profissional e político de quem me fez chegar essa informação não hesitei em comentá-la, citando alguns nomes dos mais sonantes sortudos a quem saiu o «euromilhões» das reformas vitalícias. Presumo que foi com essa monstruosidade parlamentar que se iniciou a bagunça, o descalabro e o desnorte da economia nacional que redundou na bancarrota que eclodiu em 2009.
Dia 22 do corrente recebi um e-mail, do Dr. Basílio Horta, Presidente da Câmara de Sintra, nos termos em que aqui o reproduzo, sem mais delongas.

«Acabo de ler no Jornal de Matosinhos um artigo seu onde escreve que o signatário acumula a subvenção vitalícia a que tem direito com o seu vencimento de Presidente da Câmara Municipal de Sintra. Essa informação é falsa e o pagamento da referida subvenção está suspenso enquanto se mantiver o exercício de funções autárquicas.
Assim sendo solicito que em tempo útil proceda à correção do seu artigo repondo a verdade dos factos.
Com os melhores cumprimentos. Basílio Horta.»

Aqui fica a correção com as naturais desculpas. E também com os meus agradecimentos pelo facto de, regularmente, abordar este tema que envolve 332 políticos e que, nunca, nenhum deles me ter desmentido. Se o tivessem feito não teria escrito o que escrevi.
Convivo com alguns desses sortudos que trabalharam comigo, enquanto autarcas. Nunca suportei, enquanto cidadão, essa «prenda» que pode ser legal mas é, grosseiramente, injusta. Teimarei insistir nesta tecla com exemplos como este. Por mim e pelo grosso do funcionalismo público. Para não ofender ninguém aponto o exemplo pessoal: pertenci à geração dos Capitães de Abril, enquanto oficial miliciano, servindo na ZIN, em Angola, antes do 25 de Abril e com a especialidade de Ranger. Aposentei-me como director de serviços, com o tempo completo da Função pública. Cumpri o tempo obrigatório para receber, de reforma, sensivelmente, metade do que recebe (só da subvenção vitalícia) cada um dos 332 beneficiários. Pagar o Estado a 332 cidadãos vulgares, por 5 a 7 anos de serviço, o dobro do que paga à maioria de cidadãos, que cumpriram carreiras idênticas, entre 36 a 40 anos de trabalho, ao serviço do mesmo patrão (o Estado), constitui uma indignidade democrática que repugna a quem serviu, sem se servir.

PS como assinei o mesmo artigo em outros órgãos, incluindo o blogue tempo caminhado, sinto-me no dever de dar a mesma explicação - BF

1 comentário:

  1. Curioso o Sr. Basílio Horta apenas suspendeu. Hoje suspende-se e amanhã embolsa-se novamente. Será assim que faz ou poderá fazer muita gente. O melhor para o Zé Povinho era renunciarem definitivamente. Suspender...

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