terça-feira, 30 de julho de 2019

Semíramis e os últimos sobreviventes da Divisão Azul


Segundo Heródoto, Semíramis foi rainha da Assíria, casada com Ninos. Sobre ela existem muitas lendas gregas e persas. Aliás, terá sido uma rainha mitológica.

Terminada a campanha da França, Hitler surpreendeu todos os seus próximos ao propor a invasão e a destruição da Rússia. A operação tomou o nome do imperador do Sacro Império Romano-Germânico do século XII, Frederico I, o Barba Ruiva.
Esta operação não surpreendeu o Exército Vermelho, pois essas probabilidades eram já esperadas pela Stavka.
Na tarde do penúltimo Domingo do mês de Junho de 1941, a notícia da invasão da URSS, alastrou pela Europa como rastilho de pólvora. A Espanha cujas feridas da Guerra Civil (1936-39) ainda estavam por sarar, foi a mais entusiasta de todas as nações ao saber da notícia. Uma oportunidade para combater o comunismo. Foi assim que a propaganda de Goebbels funcionou. E foi assim que a Cruzada se pôs em marcha. Para aqueles que se identificavam com o regime franquista, a Alemanha que enviara a Legião Condor para ajudar na luta contra os republicanos, estava a atacar aquele que era considerado o inimigo número um – a Rússia bolchevique. Comunista, portanto.
Porto de Barcelona
A Alemanha com a sua aparente invencibilidade atraiu, não só os espanhóis, mas todos os anti-comunistas europeus, muitos deles vinculados a movimentos fascistas.
Praticamente todas as nacionalidades europeias, desde a sueca à albanesa, forneceram voluntários para a frente russa.  Incluindo as que estavam sob domínio soviético, de estirpe asiática como tártaros, ubeques e quirguizes, ou do Cáucaso – arménios, argeris e georgianos. Houve mesmo voluntários russos, em grande número (Centenas de milhares), que se juntaram aos alemães para combater Estaline. Foram apelidados de Hilfswillige ou Hiwis.



Os espanhóis, contudo, destacaram-se de todos estes voluntários, formando a celebérrima Divisão Azul, formada por legionários espanhóis, voluntários daqui e dali, e cerca de duas centenas de portugueses.
Estação de Elda
O primeiro contingente era constituído por 18.000 homens. Mas durante os anos de guerra chegaram a estar na frente russa cerca de 48.000 homens. A divisão sofreu muitas baixas. Cerca 50%, ou um pouco mais, da divisão, era constituída por mortos feridos ou doentes, quando em 1943 retirou da frente para ser repatriada.
Porém, cerca de meio milhar foi aprisionado. E ficou cativo nos campos de concentração soviéticos, sem lhes reconhecerem os direitos de prisioneiros de guerra, durante cerca de 12 anos. Acabaram por ser dados como mortos. Com a morte de Estaline em 1953 deu-se o milagre. Foram libertados.  Sob custódia da França, a dois de Abril de 1954, a bordo do navio Semíramis, 248 (outras fontes indicam 229, 286 ou 300) voluntários sobreviventes embarcaram em Odessa para desembarcarem no porto de Barcelona. A quatro de Abril chegam à estação ferroviária de Elda.

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