domingo, 28 de julho de 2019

A chafarica lusa, uma distopia do século XXI



As grandes distopias do século XX como Admirável Mundo Novo (1930) de Aldous Huxley, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1948) de George Orwell e Fahrenheit 451 (1953) de Ray Bradbury, possuem muitos pontos em comum, como por exemplo, descrever por antecipação a engenharia social que, apoiada no controlo do pensamento e na repressão da dissidência, garante a unanimidade totalitária.
A obra precursora destas foi Nós (1924), do autor russo Zamiatine. Não se conhece o nome do personagem. Apenas o nome de código: D-503.
O Banco de Portugal, na chafarica lusa, resolveu, 95 anos depois, colocar em prática métodos da distopia de Zamiatine, coisa que deve deixar preocupado qualquer cidadão decente. E então, em vez de publicar a lista com os nomes dos grandes devedores da CGD, publicou-a, com nome de código, para, numa atitude totalitária, não dar a conhecer as famílias incumpridoras!
O comentariado e as “elites” nem um “Ai” disseram, porque pertencem a esse processo colectivo de vigilância e auto vigilância do sujeito do Estado! E como pertencem aos do costume, onde as moedas tilintam nos bolsos, estão-se borrifando para a liberdade e para a decência.
A lista dos grandes devedores da CGD, desde 2007 a 2017, pode ser consultada AQUI, no site do BP. Mas para que se não perca grande tempo, adianta-mo-la:

012
128
078
018
019
023
089
107
084
100
122
016
045
107
111
041
088
029
085
093
103
118

Perceberam? É uma distopia do século XXI, onde não existem Josés, Marias, Josefinas, Anas, Antónios, e por aí adiante.


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