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| BARROSO da FONTE |
Já nada é
como era no meu tempo. E este tempo ainda é o meu. Por isso esbracejo-me,
irrito-me e protesto até ao raios que o partam, em defesa da coerência, da
justiça e da lealdade para com os meus leitores. Vou exemplificar.
Na edição
do JN do dia 24 de Maio, na página 30 do suplemento Cultura leu-se «Sabedoria
ilimitada» de Eduardo Lourenço soma 96 anos.
Segue-se o lead: «Primeiro-ministro
juntou-se ao tributo que a Livraria Lello prestou ao ensaísta atribuindo-lhe
prémio com o seu nome»
No corpo do
relato, assinado por Ana Vitória, começa assim: «Homenagem Eduardo
Lourenço, o maior sábio vivo que Portugal tem completou ontem 96 anos. E a data
que nunca poderia passar ao largo do país, foi superlativamente assinalada numa
iniciativa promovida pela Livraria Lello que não só criou um prémio (do valor
de 50 mil euros) com o nome do ensaísta, como lhe atribuiu o galardão da
primeira edição».
Ainda no
desenvolvimento do relato, lê-se que esteve presente Jorge Sampaio e o Primeiro
Ministro que «enfatizou a ilimitada sabedoria», não fosse ele, homem
beirão «um verdadeiro rei Midas da cultura, o puro ouro da inteligência e da
cultura em tudo aquilo em que toca». O palco foi o Palácio Foz, em Lisboa,
podendo ter sido a própria Livraria Lello, porque jogaria «em casa», no Norte.
O atual Presidente da República, não esteve presente, talvez para não ser
acusado de assistir a esse comício socialista. António Costa pôde aí
desenvolver, a teoria do agradecimento público ao candidato, em «lugar não
elegível» que desde 2014, «viajou por conta própria, um sonho. «E esse
sonho não terá fim, disse Eduardo Lourenço, acrescentando que os
portugueses se atreveram tanto quanto podiam e esse atrevimento é aquele que
ficará na história». Daí que «o maior sábio vivo que Portugal tem
associe o papel de Portugal na história a uma vontade de não abdicar do sonho»
uma «vontade um pouco louca». Tudo por que «Eduardo Lourenço acredita
que a má Europa, a dos extremismos, não vencerá: nunca seremos europeus como os europeus podem
ser. Já tivemos dois mil anos para o ser e não conseguimos».
Nos largos
anos (1975-1982) em que eu estive ligado ao JN, esta notícia não saía, talvez
aparecesse na linguagem dos «correspondentes», mas nunca em suplementos
culturais. Que A. Costa tenha atribuído «sabedoria ilimitada» a Eduardo
Loureço, aceita-se, como hipérbole. Mas que uma jornalista ligada a um
suplemento de Cultura afirme de um qualquer ente mortal, por mais conhecido que
seja, ser «o maior sábio vivo em Portugal» é uma monstruosidade intelectual.
Que irão, o
JN e a Ana Vitorino, escrever sobre o Transmontano Adriano Moreira, quando, em
15 de Setembro próximo completar 97 anos?


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