quinta-feira, 30 de maio de 2019

Quando a política é suja e negra


BARROSO da FONTE

Já nada é como era no meu tempo. E este tempo ainda é o meu. Por isso esbracejo-me, irrito-me e protesto até ao raios que o partam, em defesa da coerência, da justiça e da lealdade para com os meus leitores. Vou exemplificar.
Na edição do JN do dia 24 de Maio, na página 30 do suplemento Cultura leu-se «Sabedoria ilimitada» de Eduardo Lourenço soma 96 anos.   Segue-se o lead:                                                                                                                                                                                                                 «Primeiro-ministro juntou-se ao tributo que a Livraria Lello prestou ao ensaísta atribuindo-lhe prémio com o seu nome»
No corpo do relato, assinado por Ana Vitória, começa assim: «Homenagem Eduardo Lourenço, o maior sábio vivo que Portugal tem completou ontem 96 anos. E a data que nunca poderia passar ao largo do país, foi superlativamente assinalada numa iniciativa promovida pela Livraria Lello que não só criou um prémio (do valor de 50 mil euros) com o nome do ensaísta, como lhe atribuiu o galardão da primeira edição».
Ainda no desenvolvimento do relato, lê-se que esteve presente Jorge Sampaio e o Primeiro Ministro que «enfatizou a ilimitada sabedoria», não fosse ele, homem beirão «um verdadeiro rei Midas da cultura, o puro ouro da inteligência e da cultura em tudo aquilo em que toca». O palco foi o Palácio Foz, em Lisboa, podendo ter sido a própria Livraria Lello, porque jogaria «em casa», no Norte. O atual Presidente da República, não esteve presente, talvez para não ser acusado de assistir a esse comício socialista. António Costa pôde aí desenvolver, a teoria do agradecimento público ao candidato, em «lugar não elegível» que desde 2014, «viajou por conta própria, um sonho. «E esse sonho não terá fim, disse Eduardo Lourenço, acrescentando que os portugueses se atreveram tanto quanto podiam e esse atrevimento é aquele que ficará na história». Daí que «o maior sábio vivo que Portugal tem associe o papel de Portugal na história a uma vontade de não abdicar do sonho» uma «vontade um pouco louca». Tudo por que «Eduardo Lourenço acredita que a má Europa, a dos extremismos, não vencerá:  nunca seremos europeus como os europeus podem ser. Já tivemos dois mil anos para o ser e não conseguimos».
Nos largos anos (1975-1982) em que eu estive ligado ao JN, esta notícia não saía, talvez aparecesse na linguagem dos «correspondentes», mas nunca em suplementos culturais. Que A. Costa tenha atribuído «sabedoria ilimitada» a Eduardo Loureço, aceita-se, como hipérbole. Mas que uma jornalista ligada a um suplemento de Cultura afirme de um qualquer ente mortal, por mais conhecido que seja, ser «o maior sábio vivo em Portugal» é uma monstruosidade intelectual.
Que irão, o JN e a Ana Vitorino, escrever sobre o Transmontano Adriano Moreira, quando, em 15 de Setembro próximo completar 97 anos?

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