sexta-feira, 24 de maio de 2019

Doutor Jivago





Trata-se de uma obra com cariz literário e histórico muito forte. Para além de ter legitimamente ganho a reputação de Clássico pelas suas virtudes literárias, é uma viagem pelas realidades da URSS. Por conter inúmeras críticas subtis ao regime, é fácil compreender por que motivo não foi muito bem recebido na altura (1956). Dr. Jivago tornou-se uma personagem de referência para toda a literatura universal que, felizmente, chegou ao público português através do trabalho fiável de um dos melhores tradutores literários de russo, António Pescada. É sem dúvida, juntamente com Gorki (de quem, infelizmente, não temos ainda as traduções que seriam desejáveis) e Soljenitsin, uma das mais incontornáveis figuras da literatura russa do século XX. Sem dúvida um livro essencial, um resultado muito feliz do encontro entre boa literatura e boa tradução.


BORIS PASTERNAK nasceu em Moscovo em 1890, numa família judia. Depois de uma passagem pela Alemanha, onde estuda filosofia, volta para Moscovo em 1914, estabelecendo ligações com o grupo futurista local e iniciando-se na poesia. Pasternak afirma-se com o seu terceiro livro, Minha irmã a vida, de 1917, que circula sob a forma de manuscrito até 1922, ano em que é finalmente publicado. Mantém, com dificuldades, o seu trabalho como tradutor e escritor ao longo dos anos 30 e em 1947 inicia uma relação amorosa com Olga Ivínskaia, que inspirará a personagem de Lara em Doutor Jivago, obra que começa a escrever no pós-guerra. A primeira edição deste título dá-se em Itália em 1957 e no ano seguinte Pasternak é galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. As autoridades soviéticas reagem com fúria e obrigam-no a recusar o prémio, sob a ameaça de graves sanções. Boris Pasternak morre dois anos depois, em Peredelkino, perto de Moscovo. Doutor Jivago só seria publicado na União Soviética em 1988.

Fonte: Wook

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