Trata-se de uma obra com cariz literário
e histórico muito forte. Para além de ter legitimamente ganho a reputação de
Clássico pelas suas virtudes literárias, é uma viagem pelas realidades da URSS. Por conter inúmeras críticas subtis ao regime, é fácil compreender por que
motivo não foi muito bem recebido na altura (1956). Dr. Jivago tornou-se uma
personagem de referência para toda a literatura universal que, felizmente,
chegou ao público português através do trabalho fiável de um dos melhores
tradutores literários de russo, António Pescada. É sem dúvida, juntamente com
Gorki (de quem, infelizmente, não temos ainda as traduções que seriam
desejáveis) e Soljenitsin, uma das mais incontornáveis figuras da literatura
russa do século XX. Sem dúvida um livro essencial, um resultado muito feliz do
encontro entre boa literatura e boa tradução.
BORIS PASTERNAK nasceu em Moscovo em 1890, numa família
judia. Depois de uma passagem pela Alemanha, onde estuda filosofia, volta para
Moscovo em 1914, estabelecendo ligações com o grupo futurista local e
iniciando-se na poesia. Pasternak afirma-se com o seu terceiro livro, Minha
irmã a vida, de 1917, que circula sob a forma de manuscrito até 1922, ano em
que é finalmente publicado. Mantém, com dificuldades, o seu trabalho como
tradutor e escritor ao longo dos anos 30 e em 1947 inicia uma relação amorosa
com Olga Ivínskaia, que inspirará a personagem de Lara em Doutor Jivago, obra
que começa a escrever no pós-guerra. A primeira edição deste título dá-se em
Itália em 1957 e no ano seguinte Pasternak é galardoado com o Prémio Nobel da
Literatura. As autoridades soviéticas reagem com fúria e obrigam-no a recusar o
prémio, sob a ameaça de graves sanções. Boris Pasternak morre dois anos depois,
em Peredelkino, perto de Moscovo. Doutor Jivago só seria publicado na União
Soviética em 1988.
Fonte: Wook

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