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| EDUARDO BOTELHO (Mirandela) |
Assim, estabelecido que foi o calendário
eleitoral e há que sair do limbo e percorrer o país como cultivadores de flores
brancas, perfumadas partidariamente e puras, munidos das habituais ferramentas
para adubar as flores mimosas que os esperam.
Palavras que são autêntico adubo, discursos que
são regas benéficas, apertos de mão que são podas individuais e promessas que
redundam em colheita de toda a azáfama.
E com as promessas de que nunca estiveram
abandonadas, as flores sentam-se à mesa com os jardineiros partidários que lhes
prometem tudo e até um par de botas de borracha por causa da lama, vão levando
a água ao seu canteiro partidário, ludibriando mais uma vez a inocência e
submissão de plantas cheirosas e perfumadas.
E os jardineiros, depois de passagens pelos
canteiros, regressam aos locais de venda com uma possível colheita pois que as
flores estavam a desabrochar e na altura do corte, lá estarão como sempre
atentas, veneradoras e obrigadas a dar o seu perfume aos jardineiros bem
cheirosos e falantes que apareceram, não, que passaram pelo seu canteiro e até
lhe deram uma etiqueta que ela desfralda ao vento, ou uma protecção para ela
usar nos trabalhos domésticos, ou um protector solar para usar nos dias de sol
e de chuva que se seguem à colheita.
Mas o que mais agrada às flores são as canetas,
lindas, coloridas, mas para quê se a grande maioria não sabe usa-las?
E para terminar o dia juntam as florinhas todas
num canteiro as adubam abundantemente e as regam copiosamente, esperando uma
boa produção.
Bem e agora falando a sério.
Tudo isto é uma farsa vicentina, que na peça de
quem quer farinha, está bem simbolizada.
Durante a vigência legislativa, não aparecem
nas regiões pelas quais são eleitos, salvo honrosas excepções, abandonam os
seus eleitores, prometem de longe, pois que não se podem misturar com a plebe,
mas nada cumprem.
Mas nesta altura, em que a comunicação tem um
papel importante, não se lembraram de que as rádios locais são um veículo por
excelência da transmissão de mensagens e comunicações.
Abandonaram este sector da comunicação social,
sem lhes ter dado resposta aos seus anseios, necessidades e sobrevivência, mas
duplicando as taxas e taxinhas sobre as rádios, além da obrigatoriedade de
pagamento à SPA da taxa das musicas passadas, apareceu com o beneplácito empurrão
da Assembleia da Republica mais um grupo parasitário denominado Passe Musica
que obriga as rádios locais ao pagamento de uma taxa de 5 por cento sobre a sua
faturação, cumulativa com a taxa da SPA e no caso da faturação não permitir uma
taxa, passam a taxa mínima de 150€ mensais. Tal facto, com mais uma taxa, vão
abafando e estrangulando as rádios locais que além de tudo o mais tem uma
função social junto dos seus ouvintes.
Esperavam agora que as mesmas lhes abrissem as
portas para se servirem das suas ondas para transmitirem as suas preces e
apelos para que mais uma vez os enviassem para solo europeu e depois mais uma
vez se esqueceriam de uns degraus do seu escadote.
Como foi bonito de ler e ouvir o comunicado das
rádios do nordeste afirmar que não estavam disponíveis para contribuir com o
seu trabalho e as suas rádios para um processo que viria mais uma vez prometer
e nada fazer, continuando tudo na mesma e agravando a sua possibilidade de
sobrevivência com novas taxas que não são mais do que resoluções para
satisfazer clientelas e grupos de pressão que pululam na Assembleia da República..
Resumindo, as rádios transmontanas fizeram um
grande manguito às pretensões eleitorais, pelo facto de os castigarem com mais
impostos.
Os jornais regionais também terão razões de
queixa do esquecimento a que são votados, mas ainda não tomaram uma posição tão
radical como as rádios.
São os apoios a uma imprensa falada e escrita
que está estrangulada, mas que vai sobrevivendo com a carolice dos seus
diretores e dos seus colaboradores e a ânsia de notícias de todos os naturais
espalhados pela diáspora.
É uma vergonha que um jornal vá para as bancas
no dia primeiro de cada mês, mas para percorrer parcos 500 km demore na melhor
das hipóteses seis dias, seis, já chegando a demorar 12 dias, e ser pago como
correspondência normal, sem taxa reduzida pela sua função de informação e
divulgação.
Também a imprensa regional deve fazer um grande
manguito à classe política pelo esquecimento que tem das regiões depois das
campanhas eleitorais.
E como os candidatos sabem usar o ditado
popular de quem não aparece esquece, eles aparecem nesta altura e depois até é
bom que os esqueçam, continuando aqui a ressalva de salvo honrosas excepções.
Desta vez esperemos que os votantes, as tais
florinhas mimosas e perfumadas, percebam que são usadas apenas para garantir
lugares de alguns. Mas votem, votem sempre nem que seja em branco ou nulo se
nenhum dos jardineiros lhes servir, mas acima de tudo não votem contra a vossa
condição e as vossas aspirações de vida e de futuro.
Pela minha parte, saúdo os directores das
rádios e jornais pela posição tomada em tempo de campanha eleitoral.
O boicote deveria ser mantido em todas as
campanhas até que os políticos percebessem que não se pode esquecer a realidade
da comunicação social regional.
Mais uma vez a campanha não é de
esclarecimento, mas qual campeonato de futebol, de ataques e contra ataques,
sem que de esclarecimento e respeito nada se diga.
Todos estão metidos no mesmo saco, mas tentam
sacudir a água do capote e atirar com essa água para o capote do vizinho.
Não gritem, falem, não mintam, digam a verdade,
não acusem, respeitem, lembrem-se que estão no mesmo barco, onde também já
provocaram rombos, mas que continuam a torpedear aqueles que localmente nas
rádios e nos jornais mantém acesa a chama da comunicação e divulgação das suas
regiões.
Uma votação em consciência e a bem do progresso
e de um futuro melhor para todos.
Eduardo Botelho
Lx.14.05.2019


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