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Modesto Navarro (autor), Hirondino Isaías (Presidente da Direcção da CTMAD), Armando Palavras (apresentou o volume) e Rui Mota (editor "página a página") |

Na
passada Quinta-feira, dia 16 de Maio, decorreu na Casa de Trás-os-Montes e Alto
Douro de Lisboa, mais um evento cultural: a apresentação pública do livro de
poesia do escritor transmontano (natural de Vila Flor) Modesto Navarro.
Como
é normal nestes eventos, a agremiação transmontana sediada em Lisboa, ofereceu
aos presentes um douro de honra.
Estiveram
presentes alguns escritores transmontanos.
Segue
resenha aí lida e comentada:
A “Ronda” de memórias
Estruturalmente,
o volume encontra-se dividido em quatro grupos de poemas. Um dedicado a Lisboa,
outro aos Transmontanos, seguindo-se um dedicado à Reforma Agrária e,
finalmente, o último trata da prisão de Caxias.
Contudo,
os temas cruzam-se. A abrir, o autor recorda o 1º dia da Revolução de Abril de
1974, seguindo-se um conjunto de poemas caracterizados por conceitos (e
sentimentos), como a liberdade, injustiça e opressão fascista.
Caracteriza
o campesino, alerta para a angústia das condições de vida, movidas por patrões
exploradores, rememora o Ultramar e os imigrantes, gente oriunda da Antiga
África Portuguesa, em especial os cabo-verdianos. Traz-nos aos ouvidos os sons
barulhentos da cidade.
Estão
aqui presentes, as questões ideológicas do autor, mas também as humanas, ao
considerar um amigo “carne que não apodrece”.
A
cidade em si, descreve-a em pequenos pormenores: os homens cansados apanhando o
eléctrico (59); o motorista lambe-botas (54),
o restaurante onde comeu um bom bife, vislumbrando à distância David Mourão
Ferreira (60); os subúrbios e as barracas (66). Sempre com sentido de crítica
social; pronto na denúncia, apontando a miséria social e alguma “escória”
humana.
Uma
pausa e surgem os Transmontanos. A mesma temática com nuances próprias da região. O rumo é traçado: o sonho, a revolta, a
luta por uma vida melhor. Um testemunho solidário, pela igualdade e pela
mudança. O poeta descreve a sua descida para Lisboa, como um emigrante, e passa
à descrição da sua terra, Vila Flor, e das suas gentes. Uns versos dedicados à
praça (“Na feira dos quinze veio muita gente à vila”), aos afazeres do
quotidiano (“As carnes/ verdes/ suspensas dos ganchos…”) onde está a sempre
presente matança do porco, e a denúncia: “… as nossas barrigas estavam cheias
de fome…”. Um hino a Vila Flor, seu termo, e aos seus lavradores e operários.
Este
volume de Modesto Navarro, enquadra-se no movimento literário surgido em
Portugal nos anos 30 do século XX – o Neorrealismo. Inspirado na literatura
norte-americana (John Steinbeck - “As vinhas da ira”) de preocupações sociais e
no romance regionalista brasileiro (Guimarães Rosa – “Veredas, Sertões”, ou
Euclides da Cunha – “Sertão”, a revolta
de Canudos). Comprometido com os princípios do realismo socialista cuja
temática se centrava nas condições de vida do campesinato. Um movimento
inspirado pelas teorias marxistas do materialismo histórico e dialéctico. Dava
ênfase à mensagem simples e directa comunicada pela obra de arte (quer fosse
literária, artística ou outra). Abordada de modos distintos por alguns dos
intelectuais então intervenientes, como Mário Dionísio (mais moderado, defensor
de uma “osmose” entre “forma” e “conteúdo”) ou Rodrigo Soares e Álvaro Cunhal
(defensores de um maior protagonismo do conteúdo no resultado criativo).
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| Filho do Professor Adriano Moreira aguarda autógrafo. |
Ora no volume que agora
se apresenta, os últimos dois conjuntos de poemas, assim como os dois
primeiros, tratam disso – A Reforma Agrária e A Prisão de Caxias, este em prosa
poética.
Armando Palavras
*Resenha lida e comentada no dia 16 de Maio de XIX, na
Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa.
[1]E
artistas plásticos como Júlio Pomar, Manuel Filipe, M. Ribeiro de Pavia, Lima
de Freitas, Cipriano Dourado, Vespeira, Rogério Ribeiro, Querubim Lapa, Alice
Jorge ou José Dias Coelho.



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