Anna Akhmátova (pseudónimo de Anna Andreevna Gorenko)
nasceu em Odessa, 23 de Junho de 1889 e faleceu em Leninegrado a 5 de Março de
1966. Foi uma das mais importantes poetisas acmeístas russas.
Entre 1935 e 1940, compôs o poema “Requiem”, a sua obra mais
famosa, na qual lamenta a execução do primeiro marido, Gumilióv, e as prisões
do terceiro marido, Nikolai Púnin, e do filho Lev. Os versos tornaram-se o hino
da resistência a Estalin:
“Passei 17 meses em filas de prisões em
Leningrado (hoje, São Petersburgo). Uma vez, alguém me ‘identificou’ ali.
Então, uma mulher que estava atrás de mim, azul de frio, e que com certeza
nunca tinha ouvido meu nome, acordou daquele transe característico de todos nós
e perguntou ao meu ouvido (ali, todos falavam em sussurros): ‘Ah, você pode
descrever isto?’ / E eu respondi: / ‘Eu posso’. Então algo semelhante a um
sorriso atormentado passou por aquilo que um dia foi seu rosto.”
A obra de Akhmatova compõe-se tanto de pequenos poemas
líricos como de grandes poemas, como o Requiem, um grande poema acerca do
terror estalinista. Os temas recorrentes são o passar do tempo, as recordações,
o destino da mulher criadora e as dificuldades em viver, em escrever à sombra do
estalinismo.
Casa-se com o poeta Nikolai Gumilev em 1910. E em 1912 tem um
filho desta relação - Lev Goumilev (que esteve nos campos de concentração
soviéticos durante c. de 15 anos.
Nikolai Gumilev foi executado em 1921 por causa de
actividades consideradas anti-soviétes; Akhmatova foi forçada ao silêncio, não
podendo a sua poesia ser publicada de 1925 a 1952 (exceptuando de 1940 a 1946).
Excluída da vida pública, vivendo de uma irrisória pensão, forçada a fazer traduções
de obras de escritores como Victor Hugo e Rabindranath Tagore, Akhmatova
começou, após a morte de Stálin, em 1953, a ser reabilitada, tendo-lhe sido
autorizada uma viagem a Itália para receber o prémio literário Taormina e a
Oxford para receber um título honorário, em 1965.
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