quarta-feira, 22 de maio de 2019

17 meses em filas de prisões … Anna Akhmátova.



Anna Akhmátova (pseudónimo de Anna Andreevna Gorenko) nasceu em Odessa, 23 de Junho de 1889 e faleceu em Leninegrado a 5 de Março de 1966. Foi uma das mais importantes poetisas acmeístas russas.
Entre 1935 e 1940, compôs o poema “Requiem”, a sua obra mais famosa, na qual lamenta a execução do primeiro marido, Gumilióv, e as prisões do terceiro marido, Nikolai Púnin, e do filho Lev. Os versos tornaram-se o hino da resistência a Estalin:

“Passei 17 meses em filas de prisões em Leningrado (hoje, São Petersburgo). Uma vez, alguém me ‘identificou’ ali. Então, uma mulher que estava atrás de mim, azul de frio, e que com certeza nunca tinha ouvido meu nome, acordou daquele transe característico de todos nós e perguntou ao meu ouvido (ali, todos falavam em sussurros): ‘Ah, você pode descrever isto?’ / E eu respondi: / ‘Eu posso’. Então algo semelhante a um sorriso atormentado passou por aquilo que um dia foi seu rosto.”

A obra de Akhmatova compõe-se tanto de pequenos poemas líricos como de grandes poemas, como o Requiem, um grande poema acerca do terror estalinista. Os temas recorrentes são o passar do tempo, as recordações, o destino da mulher criadora e as dificuldades em viver, em escrever à sombra do estalinismo.
Casa-se com o poeta Nikolai Gumilev em 1910. E em 1912 tem um filho desta relação - Lev Goumilev (que esteve nos campos de concentração soviéticos durante c. de 15 anos.
Nikolai Gumilev foi executado em 1921 por causa de actividades consideradas anti-soviétes; Akhmatova foi forçada ao silêncio, não podendo a sua poesia ser publicada de 1925 a 1952 (exceptuando de 1940 a 1946). Excluída da vida pública, vivendo de uma irrisória pensão, forçada a fazer traduções de obras de escritores como Victor Hugo e Rabindranath Tagore, Akhmatova começou, após a morte de Stálin, em 1953, a ser reabilitada, tendo-lhe sido autorizada uma viagem a Itália para receber o prémio literário Taormina e a Oxford para receber um título honorário, em 1965.

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