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| Margot Robbie |
A “coisa”
idiota que alastrou pela aldeia lusa, foi hoje abordada, de novo, por Alberto Gonçalves, na sua crónica do Observador.
Diz sobre o assédio sexual:
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| Adriana Lima |
“Como sempre
estimulados pelo exemplo do “estrangeiro”, os portugueses de alguma fama
desataram a confessar o assédio sexual de que foram alvo. Não escrevi “as portuguesas”
porque, numa subversão irónica do movimento #MeToo, aqui parecem ser os homens
a liderar o rol de queixinhas. E as queixinhas chegam com travo típico: José
Cid, uma das vítimas, foi assediado por um fadista; António Lobo Antunes viu-se
perseguido por um professor de Moral.
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| Meg Ryan |
Nas
denúncias indígenas de abuso não há produtores de cinema, realizadores de
prestígio, actores famosos ou um mero humorista digno do nome. Os vilões
referidos são fadistas, padres e, arrisco, barbeiros, beneficiários do RSI,
vereadores com pelouro e funcionários da conservatória do registo predial. O
nosso lastro histórico, por comparação à juventude dos EUA, também pesa, já
que, aparentemente, as poucas-vergonhas em causa aconteceram por volta de 1951.
E, embora tenham profissão, os pervertidos nunca têm nome (porque o país é
pequeno e toda a gente se conhece e tal). Contas feitas, o #MeToo indígena
reflecte as diferenças entre a Brandoa e Hollywood e, de serôdio, não diverte
tanto quanto o americano.
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| Jennifer Conneley |
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| Milla Jovovich |
Este é uma
galhofa pegada, principalmente desde que Cristina Garcia, activista
californiana incluída no artigo da “pessoa do ano” da “Time” (“As que quebraram
o silêncio”), é acusada de apalpões e propostas indiscretas pelo assessor de um
deputado (democrata, valha-nos Deus). Outro sujeito, um lobista do mesmo
estado, garante que a senhora tentou tocar-lhe nas partes baixas. É possível
que as delações sejam falsas, é possível que sejam verdadeiras, é provável que
sejam irrelevantes – aliás, à semelhança de muitas daquelas que celebrizaram o
#MeToo. Descontadas a violência e a opressão autênticas, que a histeria em voga
só desvaloriza, sobram a vida e os gestos ridículos com que as pessoas
frequentemente a levam. As pessoas do ano e as de todos os anos”.
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| Selena Gomez |
“John William Waterhouse (1849-1917),
pintor que esteve em voga na Inglaterra vitoriana, certamente nunca imaginou
que um óleo da sua autoria, pintado em 1896, viria a causar tanta celeuma cento
e vinte e dois anos mais tarde, nestes dias de neopuritanismo pseudo-feminista
em que vivemos.
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| Monica Bellucci |
Hilas e as Ninfas acaba de conhecer súbita celebridade
graças ao ímpeto censório de Clare Canneway, a conservadora (palavra
apropriadíssima) da Galeria de Arte de Manchester - museu
público instalado numa cidade de sólidas tradições liberais, hoje cada vez
mais comprometidas.
A virtuosa senhora ordenou a remoção do quadro, onde se vislumbram
sete jovens em topless. Motivo invocado: a maléfica pintura
promoverá a "coisificação do corpo da mulher", algo que faz
tremer a horrorizada conservadora, dizendo-se envergonhada "por não ter
tratado deste assunto mais cedo".
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| Africana anónima |
A polémica não tardou no espaço mediático,
forçando as autoridades municipais a devolver a tela à maculada parede. Mas a
controvérsia continua. "Vivemos um pesadelo vivo com tanta correcção
política, histórica e artística", alarma-se Rachel Johnson no Mail
on Sunday. Jonathan Jones, crítico de arte do Guardian,
inquieta-se com este surto de pudicícia: "O próximo será Picasso?"
Não é preciso dar-lhes ideias: as novas
brigadas censórias permanecem vigilantes”.








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