sábado, 10 de fevereiro de 2018

Um piropo para … (3)



Margot Robbie
A “coisa” idiota que alastrou pela aldeia lusa, foi hoje abordada, de novo, por Alberto Gonçalves, na sua crónica do Observador. Diz sobre o assédio sexual:
Adriana Lima
“Como sempre estimulados pelo exemplo do “estrangeiro”, os portugueses de alguma fama desataram a confessar o assédio sexual de que foram alvo. Não escrevi “as portuguesas” porque, numa subversão irónica do movimento #MeToo, aqui parecem ser os homens a liderar o rol de queixinhas. E as queixinhas chegam com travo típico: José Cid, uma das vítimas, foi assediado por um fadista; António Lobo Antunes viu-se perseguido por um professor de Moral.
Meg Ryan
Nas denúncias indígenas de abuso não há produtores de cinema, realizadores de prestígio, actores famosos ou um mero humorista digno do nome. Os vilões referidos são fadistas, padres e, arrisco, barbeiros, beneficiários do RSI, vereadores com pelouro e funcionários da conservatória do registo predial. O nosso lastro histórico, por comparação à juventude dos EUA, também pesa, já que, aparentemente, as poucas-vergonhas em causa aconteceram por volta de 1951. E, embora tenham profissão, os pervertidos nunca têm nome (porque o país é pequeno e toda a gente se conhece e tal). Contas feitas, o #MeToo indígena reflecte as diferenças entre a Brandoa e Hollywood e, de serôdio, não diverte tanto quanto o americano.
Jennifer Conneley
Milla Jovovich
Este é uma galhofa pegada, principalmente desde que Cristina Garcia, activista californiana incluída no artigo da “pessoa do ano” da “Time” (“As que quebraram o silêncio”), é acusada de apalpões e propostas indiscretas pelo assessor de um deputado (democrata, valha-nos Deus). Outro sujeito, um lobista do mesmo estado, garante que a senhora tentou tocar-lhe nas partes baixas. É possível que as delações sejam falsas, é possível que sejam verdadeiras, é provável que sejam irrelevantes – aliás, à semelhança de muitas daquelas que celebrizaram o #MeToo. Descontadas a violência e a opressão autênticas, que a histeria em voga só desvaloriza, sobram a vida e os gestos ridículos com que as pessoas frequentemente a levam. As pessoas do ano e as de todos os anos”.
Pedro Correia, por seu lado, no blogue Delito de Opinião, sobre o mesmo tema, avança:
Selena Gomez
“John William Waterhouse (1849-1917), pintor que esteve em voga na Inglaterra vitoriana, certamente nunca imaginou que um óleo da sua autoria, pintado em 1896, viria a causar tanta celeuma cento e vinte e dois anos mais tarde, nestes dias de neopuritanismo pseudo-feminista em que vivemos.
Monica Bellucci
Hilas e as Ninfas acaba de conhecer súbita celebridade graças ao ímpeto censório de Clare Canneway, a conservadora (palavra apropriadíssima) da Galeria de Arte de Manchester - museu público instalado numa cidade de sólidas tradições liberais, hoje cada vez mais comprometidas.
A virtuosa senhora ordenou a remoção do quadro, onde se vislumbram sete jovens em topless. Motivo invocado: a maléfica pintura promoverá a "coisificação do corpo da  mulher", algo que faz tremer a horrorizada conservadora, dizendo-se envergonhada "por não ter tratado deste assunto mais cedo".
Africana anónima
polémica não tardou no espaço mediático, forçando as autoridades municipais a devolver a tela à maculada parede. Mas a controvérsia continua. "Vivemos um pesadelo vivo com tanta correcção política, histórica e artística", alarma-se Rachel Johnson no Mail on Sunday. Jonathan Jones, crítico de arte do Guardian, inquieta-se com este surto de pudicícia: "O próximo será Picasso?"
Não é preciso dar-lhes ideias: as novas brigadas censórias permanecem vigilantes”.



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