quarta-feira, 19 de abril de 2017

Dois exemplos de combatividade cultural

MACEDO de CAVALEIROS

João Barroso da Fonte18 de abril de 2017 às 10:54

Dois exemplos de
combatividade cultural
Acabo de ler esta judiciosa recensão ao mais recente livro do Cláudio Amílcar Carneiro, criteriosamente feita pelo inquieto e imparável Dr. Jorge Lage. Não sei qual destes dois Ilustres Transmontanos mais devo reverenciar. Cada um deles, é ao seu nível, do melhor que temos. O Cláudio Carneiro (que recentemente perdeu sua amada e inspiradora Musa), é um marceneiro inimitável e um psicólogo pertinaz, sobretudo no soneto biográfico. Em quantidade não conheço nenhum outro que o suplante a descrever, pessoa a pessoa, extraindo metáforas, traços psíquicos, físicos e éticos. Cada herói do ciclo daqueles que Cláudio elege para tema de mais um soneto, o Poeta de Chacim que, tardiamente ascendeu ao pódio, fica com a certeza de que é mais uma peça cinzelada por, dentro e por fora: é, em suma, uma figura humana, em movimento contínuo. Mas não brilha somente no poema. Um poeta completo usa dois estiletes simultâneos: um em cada mão.
O Historiador e oficial superior das n/ Forças Armadas, ainda que miliciano e quase esquecido de si mesmo, que é Jorge Lage, desde há décadas. entrou na órbita da Cultura Portuguesa, congregando um saber acumulado que em muitas das tribunas mediáticas (jornais e blogues) pulveriza a opinião pública, que se habituou às reflexões formativas e informativas. Se vozes públicas como a de Jorge Lage não alertassem, com a persistência com que o faz, nessas tribunas que cada vez são menos intensivas (pelo encerramento da imprensa escrita), muitos autores e artistas passariam despercebidos. As televisões e as rádios nacionais são, exclusivas para os espantalhos de Lisboa, Porto e arredores que sobem aos palcos alheios, E como em Portugal só é bom quem desfila pelas televisões, rádios nacionais, Expresso e Jornal de Letras, temos uma crise com muitas crises acumuladas, mormente nas áreas da competência, da artes, das letras e das ciências.
Parabéns ao Cláudio e ao Jorge Lage porque são exemplos de como a Província sobrevive segregada, mas resoluta para a combatividade que vai continuar, cada vez mais feroz, mais antidemocrática e mais tirana.
Barroso da Fonte
(comentário deixado neste blogue, a artigo de Jorge Lage)

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