sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O ciclo de Tobias e os anjos do Apocalipse na capela-mor da igreja de São Miguel de Lobrigos, uma igreja de periferia – Análise iconográfica e iconológica



A legislação sinodal portuguesa do final do século XVI e do século XVII,  referencia os contornos contra-reformistas. O mecenato impôs aos artistas o respeito por determinadas composições italianas e flamengas. Seguindo aliás, as determinações da igreja contra-reformista. Estas impunham que as colecções de gravuras se norteassem por regras de “decoro” artístico e de “rigor” litúrgico, dentro dos cânones impostos por Trento. Estas concepções estéticas foram difundidas em todo o mundo cristão. Além das disposições de “decoro”, havia um objectivo didáctico que, como lembra Umberto Eco, já havia sido sancionado pelo sínodo de Arras em 1025, segundo o qual, o que os humildes não podiam aprender através da escrita devia ser-lhes ensinado através das figuras.
Contudo, o simbolismo e a complexidade do Livro de Tobias, não se adequam a estas directivas. Por essa razão só em condições excepcionais o ciclo de Tobias foi representado pela arte do Renascimento , em determinados círculos culturais. E é escasso na arte portuguesa, como Vitor Serrão já assinalou com propriedade, indicando as suas diminutas iconografias. Ao contrário dessas, o programa iconográfico de Lobrigos  pretende ressaltar os cinco painéis centrais sobre a vida de Cristo e os painéis dos anjos do Apocalipse que, à primeira vista, parecem ser  distribuídos arbitrariamente , juntamente com alguns relacionados com o Arcanjo São Miguel e a Anunciação.

Este estudo pode ser consultado aqui.


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