sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Dois académicos britânicos recuperam o papel de Portugal como pioneiro do primeiro império global


A terminar o ano, é aconselhável fazer referência a dois livros que saíram a público este ano de 2016, da lavra de dois conceituados académicos britânicos, cuja temática é a época das descobertas portuguesas. São eles Russell-Wood (já falecido) e que dedicou grande parte da sua vida ao estudo dos impérios ultramarinos e à história africana e brasileira portuguesas, escrevendo em 1992 “O Império Português", agora reeditado em 1ª edição do Clube do Autor. O outro, Roger Crowle, quis o acaso que fosse advertido por um conhecido que lhe ofereceu dois livros sobre História de Portugal, escritos em inglês, motivando-o a uma narrativa sobre os primeiros 30 anos das descobertas portuguesas. Escreveu “Conquistadores”, uma narrativa empolgante e cheia de acção, numa linguagem própria para o vulgo.
Os dois académicos britânicos coincidem em vários pontos e recuperam o papel de Portugal como pioneiro do primeiro império global.
Russel “apresenta uma perspectiva inovadora centrada no movimento de pessoas, bens e ideias que marcou os quatro séculos de expansão portuguesa”. É uma história de luta e perseverança desde a fundação ao auge e ao declínio de uma potência alicerçada em todas as componentes marítimas.
Crowley, numa narrativa empolgante e solidamente fundamentada, constrói o percurso de Ceuta até à Índia, equilibrando “a vertente humana com as dimensões geopolítica e religiosa”. A supremacia marítima de Portugal foi total e o desempenho dos comandantes digno de hinos heróicos. Em narrativa límpida, dá vida a personagens como Dom João II, Dom Manuel I, Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama ou Afonso Albuquerque.

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