sexta-feira, 3 de junho de 2016

Citadinos e vilões, como eu.

Tempo Caminhado: Na Casa do Alentejo

Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra

Como tinha prometido, não faltei. Ontem, 02 Junho, às 18h00, estava junto à porta do Palácio Alverca ou Casa do Alentejo para numa das belíssimas salas do imóvel daquela associação regional assistir ao lançamento de mais um valioso trabalho da autoria do poeta e prosador João de Deus Rodrigues. Desta vez com o título: “Burros? Sim, mas só de NOME”. Muita gente admiradora e amiga do conceituado escritor e etnógrafo transmontano, enchia por completo o salão e uma plateia muito selecta atenta para ouvir uma filha falar com particular ternura de seu pai, e de um editor do livro que teceu palavras elogiosas ao povo transmontano. Com o autor, ladeado pela filha, Drª. Ana Sofia Luís Rodrigues, a apresentadora da obra, e pelo General José Ribeirinha Dinis da Costa, o prefaciador, na mesa de honra pontificou ainda o Doutor Fernando Mão de Ferro, das Edições Colibri.
Para estas cerimónias culturais nunca se deve ir sozinho, porque a cultura é para ser distribuída por todos e não só para privilegiados, assim procedi, fazendo-me acompanhar por pessoa que anonimamente presta aos cultores da poesia e da prosa serviços relevantes. Mas tive que aguardar pois quem trabalha, tem horários a respeitar e o movimento às horas de ponto na cidade é complicado. Bem o disse o autor, quando ao agradecer a presença dos participantes, recordou que muitos para ali estarem aquela hora fizeram-no com algum sacrifício. Mas valeu apena.
Ouvir dissertar à cerca que não sabemos e quando à volta de um animal que tanto serviço presta ao homem e tão mal tratado é até no modo de se falar dos dotes que o caracterizam, foi para uma plateia muito atenta motivo de especial regozijo. Bem o antecipou no prefácio, o General Dinis da Costa, quando se refere o interesse do autor por esta espécie: “Mas porque é que o “burro” merece tal destaque nas suas memórias? Talvez porque o “burro” é dos animais domésticos, com que ele viveu, que mais se aproxima e interage com todos os homens e mulheres das aldeias na vida diária dos campos, pela afabilidade, capacidade de trabalho e disponibilidade no uso diário”.
Aquisição de mais um livro e uma humanista lição, de carinho, respeito e reconhecimento pelos animais domésticos foi ali leccionada por um distinto transmontano da diáspora o qual com toda a sua sensibilidade aludiu à importância deste animal na vida daquele “povo” que nas nossas aldeias cultiva os alimentos que come quem trabalha na fabrica, na oficina, na loja, nos escritórios, na escola, no hospital, os citadinos e vilões, como eu.

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