sexta-feira, 22 de abril de 2016

Coisas da nossa história

Por: Costa Pereira -Portugal, minha terra

Foi-me enviada da Ribeira Brava, em 04/ 08/1974, ainda o selo por avião custava 1$50. Bons tempos, não fora abrir a boca ter de ser com respeito e palavras medidas. Mas havia ordem e os corruptos eram corridos… Os ordenados eram pequenos, mas davam para poupar e também dar o seu passeio mais alargado como foi o caso deste meu amigo Martins que de lá mo enviou. As casas típicas madeirenses que representa começam a rarear, numa das recentes visitas feitas ao arquipélago, só em Santana é que as vi com certa implantação. Santana, povoação que dizem teve inicio por volta do ano de 1550, graças a minhotos de Braga idos do continente, por isso ainda hoje aos naturais de Santana é dado o alcunha de “bragados”.

Da Madeira vou através deste postal cuja data desconheço evocar entre outras as que nele constam referenciadas: Quarteira, Praia Oura, Albufeira, Armação de Pêra, Praia da Rocha e Praia Dona Ana. Quarteira tem uma das mais concorridas praias algarvias com cerca de 2km de areal, perto fica Vilamoura que fala por si, e os turistas e veraneantes por Vilamoura. Também na gastronomia dá cartas. Outras das praias notáveis é Praia Oura a leste de Albufeira perto da zona de lazer e cercada de rochedos. A marina de Albufeira é outro atractivo da região. A oeste de Armação de Pêra fica situada a Praia da Cova Redonda, a Praia da Rocha, assim como na Costa d´Oiro de Lagos, a Praia Dona Ana. Um mundo de sol e areal desde Aljezur até à foz do Guadiana. Para quem gosta de praia

 Mas o Algarve para além das praias tem um património cultural e artístico do mais alto calibre, onde a vertente religiosa marca pontos, como em Loulé acontece com Nossa Senhora da Piedade que tem o seu zelado Santuário no topo de um cerro sobranceiro à cidade do poeta António Aleixo. Templo católico edificado em 1553, ainda não muito o visitei, dele fiz o meu arrazoado e devo ter adquirido este postal. Ali se faz festa rija, em honra da Padroeira, na segunda-feira depois da oitava da Páscoa. O que foi ermida é desde meados do século XX um templo de grandes dimensões.

De regresso…. passamos por Évora, e como é de nosso agrado, paramos junto à Igreja da Graça ou Convento de Nossa Senhora da Graça. Foi da ordem dos frades eremitas descalços de Santo Agostinho, gente santa que fez chegar o culto Graciano ao cimo do Monte Farinha, em Vilar de Ferreiros-Mondim de Basto. É um edifício em estilo renascentista, projectado pelo arquitecto Miguel Arruda, em 1511.

,Se a igreja da Graça exige uma demorada e atenta visita, não lhe fica atrás a Capela dos Ossos, na Igreja do Convento de São Francisco, que como o Convento da Graça sofreu um rede golpe com os golpistas da época ao extinguirem as Ordens Religiosas, em 1834. Em quanto que o convento da Graça foi nacionalizado e transformado em quartel, o de São Francisco recebeu o que não roubaram daquele monumento dos “Meninos da Graça”. Mas é da capela dos Ossos que falamos agora, um dos mais conhecidos monumentos de Évora, está situado no interior da igreja de São Francisco, foi construído no século XVII por iniciativa dos monges que de acordo com as normativas do Concílio de Trento pretendiam transmitir a mensagem transitória da vida e contrariar as reforma religiosa de então. As paredes e os oito pilares estão decorados com ossos e crânios ligados por cimento. As abóbadas são de tijolo rebocado a branco, pintadas com motivos alegóricos à morte.
Ao Padre António de Ascensão Teles, que foi pároco, na igreja de São Francisco,entre 1845 e 1848 é atribuído este soneto:

“Aonde vais, caminhante, acelerado?

Pára…não prossigas mais avante;

Negócio, não tens mais importante,
Do que este, à tua vista apresentado.
Recorda quantos desta vida tem passado,

Reflecte em que terás fim semelhante,

Que para meditar causa é bastante

Terem todos mais nisto parado.
Pondera, que influído d'essa sorte,

Entre negociações do mundo tantas,

Tão pouco consideras na morte;
Porém, se os olhos aqui levantas,

Pára…porque em negócio deste porte,

Quanto mais tu parares, mais adiantas. “

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