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| Jorge Lage |
O
Programa Nacional de Barragens a Norte – O Programa
Nacional de Barragens prevê a construção de quatro novas barragens na bacia
hidrográfica do rio Tâmega. Já existe a «Barragem do Torrão», junto à foz do
Tâmega e que ancora até Amarante. A «Barragem do Fridão» junto a Amarante já
está aprovada e vai submergir toda a zona ripícola, com imensa biodiversidade,
até próximo de Ribeira de Pena. A «Barragem de Daivões» já em construção e que
vai engolir as Terras Ribeirinhas de Pena. A «Barragem de Gouvães» da Montanha
do Alvão e que vai alagar paisagens únicas de serrania e, paralelamente vão
desviar o rio Olo, que estava previsto ser conduzido, em alguns troços, em
estacas de cimento e agora passou para vala, cortando o acesso a grande parte
do habitat a alguns animais e ao homem dificultando-lhe a passagem. Entre
Ribeira de Pena e o Vidago vai surgir mais um mostrengo de betão que afoga
grande parte da biodiversidade nesta zona e se vai fazer sentir até à cidade de
Chaves. Foi suspensa ou cancelada, para já, a «Barragem de Padroselos», sobre o
rio Beça, no concelho de Boticas. Se 50% da riqueza gerada por todas as
barragens hídricas e e pelas torres eólicas fosse obrigada a ser aplicada no
desenvolvimento da nossa região, decididamente seríamos das zonas mais atractivas
de Portugal. É urgente criar um movimento autónomo que se bata pelo
desenvolvimento da nossa região. Os nossos políticos locais acaçapam-se ou
aparram-se em demasia ao triturador poder central. Ainda me recordo, quando
José Sócrates visitou a barragem da Foz do Tua e disse para o Presidente da EDP
que o que ali «era preciso era betão». Veio-me, então, à memória o que ouvi num
café para os lados de Alcochete: eurão, nota viva em envelopão, em mão, do
Smith(ão). Em vez de betão, «emparedão» e ver-nos-íamos livres de alguns
«génios da política» que nos emparedaram num muro de miséria e se enroscam na
toca ou regougam para confundir. Desculpem o surrealismo, mas a barragem do Tua
é um grande espinho na minha alma e afoga parte da minha vida.

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