Vasco Pulido Valente
20/11/2015 - in: Jornal Público
O espectáculo que a direita está
a dar é o caminho mais curto para uma nova derrota.
A direita, a coligação ou como
lhe quiserem chamar tem reagido absurdamente à eleição de 4 de Outubro. Foi
compreensível, necessária, a condenação da táctica eleitoral de António Costa,
como o “acordo” com o PC e Bloco que ele fabricou perante o espanto de Portugal
inteiro. Foi também compreensível que Passos Coelho e Paulo Portas protestassem,
mesmo com violência, contra este abuso de confiança do eleitorado e, em geral,
do país. Mas dali em diante, começou a vir ao de cima nas declarações oficiais
dos dirigentes e de algumas personagens menores uma fúria e um ressentimento
que só prejudicam a posição e as políticas que a coligação pretende defender. O
espectáculo e o impropério, a exigência e a invenção de truques para recuperar
ou justificar o que de facto se perdeu não fazem mais do que fortalecer a
esquerda.
Estabelecida de uma vez para
sempre a equívoca legitimidade de um governo e fragilidade do acordo entre o PS
e o radicalismo, era precisa uma oposição séria. Ora chamar “usurpador”,
“golpista” e “fraudulento” a Costa não é uma oposição séria. Nem propor uma
revisão constitucional para repetir eleições imediata ou indefinidamente, como
Bruxelas costuma fazer. Nem organizar reuniões com “reputados”
constitucionalistas, politólogos, personalidades sem descrição exacta e um
triste séquito partidário. Nem, sobretudo, permitir que lunáticos da seita
continuem a destemperar na televisão e nos jornais, coisa que só beneficia
António Costa e o autoriza a tomar, por contraste, o arzinho de estadista
responsável e tranquilo, coisa que evidentemente impressiona o povo e o
solidifica a ele.
Claro que se compreendem as
pressões de um eleitorado enraivecido e revanchista. E os problemas que
levantam as manobras agressivamente dilatórias do madeirense Cavaco. Ou a
agitação e a ignorância de uns presuntivos “notáveis” como Vítor Bento que
andam por aí, citando Lenine, a comparar a triste “frente” de Jerónimo,
Catarina e Costa com o PREC e a revolução de Outubro (palavra de honra). Mas,
pondo essas puerilidades de parte, do que a coligação precisa é de um programa
e de um método de oposição, de um governo sombra, de uma maquinaria eficaz
(dentro e fora da Assembleia da República) e principalmente de uma política de
informação pública (quem fala sobre o quê e onde). O espectáculo que a direita
está a dar é o caminho mais curto para uma nova derrota.

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