Em Português, se faz
favor, de Helder Guégués, é de facto um guia fundamental para escrever bem, e
quando ontem lhe peguei surpreendi-me a abanar a cabeça, descobrindo-me pecador
de "Alguns erros mais comuns". Daí que o remédio será lê-lo de fio a
pavio e tê-lo à mão para evitar deslises.
Do posfácio de Desidério
Murcho:
"O desmazelo a que a
língua portuguesa tem sido votada, não é senão o resultado do desmazelo
cultural endémico no nosso país, mas o importante a notar é que este desmazelo
não é apenas uma infelicidade para aqueles que têm uma vida cultural activa; é
uma infelicidade para todos os portugueses, porque afecta as decisões
económicas, políticas, educativas e quotidianas que a todos dizem respeito.
Pensar cuidadosamente, não é apenas um luxo estético, mesmo que a estética
fosse um luxo e não uma expressão comum do que é fundamentalmente humano nos
seres humanos; pensar cuidadosamente é a condição de possibilidade do
desenvolvimento económico, social e pessoal"
…………….
"A língua portuguesa
tem enfrentado dois obstáculos de monta ao seu apuramento, um mais geral e
quanto ao qual nada de meramente linguístico pode ser feito, e outro que diz
respeito mais especificamente à nossa relação com a língua, mas ambos estão
intimamente relacionados. O aspecto mais geral é o relativo atraso cultural
português, que é endémico e que em nada beneficiou do fechamento salazarista do
país, que durou até 1974. Depois disso, para mal dos nossos pecados, fomos
colonizados pela cultura popular e científica americanizada e foi como
esfaquear um doente em estado terminal. Se a pouca produção cultural
significativa já era uma desgraça, a imitação linguística do linguajar
norte-americano colocou populares e académicos na situação desgraçada de serem
estrangeiros na sua própria língua: incapazes de exprimir em português de gente
o que querem exprimir e obrigados a usar estruturas sintáticas americanas e
léxicos que em português querem dizer uma coisa diferente do uso que lhes é
dado, só porque são léxicos semelhantes aos ingleses."
J. Rentes de Carvalho - in: Tempo Contado
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