quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Que governo?


O nosso regime, além de parlamentar, é ainda semipresidencialista. Ora o Parlamento, com a golpada patrocinada por quem perdeu as eleições (defraudando o acto eleitoral popular nas urnas) a quatro de Outubro, já se pronunciou. Quem ainda o não fez foi o Presidente da República que pensa pela sua cabeça (não é “pau mandado” de alguns!). E até lá, meus caros, não há nada a fazer. E é dele a última palavra, queiram ou não os golpistas.
O Presidente sabe muito bem pesar as consequências de um governo de gestão e de um governo assente em arames numa papelada assinada com secretismo absurdo, agora do conhecimento de todos. E sabe pesar entre a politica de um Orçamento da Coligação PSD/CDS (já apresentado em Bruxelas antes de quatro de Outubro) e o programa do PS, agora completamente estilhaçado com a assinatura daquela papelada. Até porque o Presidente, quando foi Primeiro-ministro em 1987 governou cinco meses em gestão e o governo que nos levou à bancarrota em 2011 governou em gestão durante três meses.
O Presidente sabe ainda da situação em que o país se encontrava em 2011: a um mês da bancarrota (a um mês dos funcionários públicos não receberem os seus vencimentos), o país era tratado como caloteiro em toda a Europa, ao nível do que escreveu Eça de Queirós no século XIX, que os mercados não financiavam a nossa economia (aliás, o primeiro sucesso de venda de divida foi tratado de uma forma escabrosa por algumas facções do PS), que a economia descia abruptamente, o desemprego em flecha, e os bolsos dos portugueses vazios, que as pensões e os vencimentos haviam sido congelados, etc. E sabe ainda que hoje, em 2015, embora as famílias não sintam os bolsos cheios, o país é o contrário de 2011 – com a economia a crescer, o emprego também, os mercados risonhos, os bancos têm mais liquidez, são mais rentáveis e robustos do que no período da Troika, do qual o país saiu lindamente (as esquerdas nunca acreditaram!) e com uma almofada financeira substancial. Quem conseguiu isto depois de uma bancarrota e de quatro anos de sacrifícios? Os Portugueses e a coligação PSD/CDS.
O Presidente sabe disto e de muito mais. Sabe, por exemplo, que no programa do PS se vão descongelar as pensões e os vencimentos. Onde vai o PS buscar esses mil milhões? Á almofada de sete mil milhões (algumas fontes revelam 19 milhões!) que os outros pouparam! Uma almofada que dá para o país se aguentar durante um ano sem Orçamento! E o povo também sabe que a diferença entre o “neoliberalismo” (como dizem as esquerdas”) e o socialismo e o comunismo, no caso das pensões é de 60 cêntimos mensais! E sabe ainda que as pensões menores sobem menos (60 cêntimos!) que as maiores (cerca de um euro e meio!). Não haverá nessas cabeças a noção de ridículo?
O Presidente e o povo sabem ainda que o descongelamento dos vencimentos dos funcionários públicos não é para todos, é para alguns – os tais 10% que sempre impingiram o que quiseram, sendo os do costume a “pagar as favas”.
Dizer agora, como ontem se disse em Setúbal, que não dar posse a um governo do PS é ir contra a vontade popular, é o mesmo que dizer que uma traineira é igual a um porta-aviões. A vontade popular (segundo o principio básico da democracia) deu a vitória a uma força politica – a coligação PSD/CDDS. Todos os jornais de dia cinco referiram um vencedor - Passos Coelho. E um derrotado - António Costa. É muito mais sensato dar posse a um governo de gestão (que nos tirou da bancarrota) do que a um governo composto por gente que nos levou à mesma. Com a particularidade de dentro de seis meses se processarem eleições para esclarecer a golpada parlamentar. A almofada financeira aguenta bem o país durante um ano.
O povo sabe disto e o Presidente também. Faz muito bem o Presidente não apressar o processo. Que ouça quem deve ouvir, demore o tempo que demorar, e decida pela sua cabeça que é Catedrático de Finanças e Economia.
Na Bélgica estiveram um ano sem governo e não foram à falência. As esquerdas souberam dar exemplos de coligações europeias (que é comparar o que é diferente como já aqui escrevemos), mas agora não dão o da Bélgica! Como diz o Povo, sabem mais que a Amália!
Quanto às ameaças de resposta nas ruas pelas agremiações ligadas às esquerdas, o país pode bem com elas, e o Presidente também. Não lhes saia o tiro pela culatra, com o verdadeiro povo (o "burro de carga") a responder-lhes à letra. Querem PREC? Talvez o tenham e não pelas melhores razões.
Armando Palavras

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Tintim traduzido para mirandês.

 

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