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| Jorge Lage |
4- A Capela de
Valfreixo – É
assim que o povo se refere (e referia) a esta capela solitária no termo de
Miradezes, a alguma distância desta aldeia. Em pequeno, eu menino de escola, ou
até antes, quando acompanhava o rebanho de gado com o meu irmão Eduardo e
chegávamos às «Fragas da Molinheira» o meu olhar dirigia-se para a Capela de
Valfreixo. E parecia-me insólito uma sem qualquer casa por perto. E choviam as
perguntas e a que me acalmava por a julgar verdadeira, era que, há muito tempo,
os «Angomadinhos» terão sofrido um ataque de formigas e mudaram-se para o
actual chão da aldeia e levaram tudo, até a pedra para fazer novas casas. A
minha imaginação pintava quadros com crianças mortas e comidas pelas formigas.
Esta imaginação teve um ponto final quando a 10 de Junho o Revmo. Cónego
Silvério me recebeu em Miradezes e me mimou com um almoço em sua casa e a que
já me referi. A visita guiada pela aldeia, à Igreja e a extensa conversa
mantida fez-me ver o passado com a sabedoria do presente. O próprio
oro-fitónimo «Vale de Freixo» (o povo diz Valfreixo) sofreu ajustamento mais
urbano. E mais curioso fiquei quando me ofereceu os cadernos culturais da sua
autoria: «Vale de Freixo – Nossa Senhora da Apresentação – 21 de Novembro» e «N.ª Senhora d’Apresentação – Vale de
Freixo, Miradezes - 2011». No
primeiro fala-nos da extinção da freguesia de Miradezes pela reforma
administrativa de Mouzinho da Silveira de 6 de Novembro de 1836 e consta como
anexa a «Quinta de Vale de Freixo»». Hoje perduram ali os topónimos: Lameiro da
Quinta e Olival da Quinta. Vale de Freixo é um terreno ribeirinho, na margem
esquerda do rio Rabaçal, em que haveria uma mata de freixos ou nos rebordos de
ribeiros ou regatos com abundância desta árvore ripícola. Sobre as complexas
relações dos moradores da Quinta, cita o ditado popular: «Gente de Quinta!...
Deus a fez, mas o diabo a pinta.» A Capela de Vale de Freixo está de pé e
alindada devido à acção do Cónego Silvério e à devoção (e generosidade) das
gentes de Miradezes na Senhora de Vale de Freixo ou da Apresentação (ao templo
de Jerusalém). A imagem da Senhora de Vale de Freixo, que é «em estilo barroco
do século XVII, rodeada de anjos», ornamentada de ouro pelos fiéis devotos, com
o Menino Deus no colo. Foi retirada da capela e guardada, para se prevenir
qualquer furto. Em momentos difíceis os devotos da Senhora de Vale de Freixo,
transportavam a imagem envolta em linhos, numa canastra e, na aldeia,
faziam-lhe uma novena a que acorriam devotos das redondezas, implorando chuva
ou fim desta, bom ano agrícola ou que afastasse alguma praga ou outro mal.
À Senhora de Vale
de Freixo *
«Senhora d’Apresentação
A minh’alma aqui vos deixo
Em vinte e um de Novembro
Na quinta de Vale de Freixo.»
«Ó quinta de Vale de Freixo
Com tuas velhas paredes
O Rabaçal aos pés
Coração de Miradezes.»
*Cónego Silvério Pires In «Vale de Freixo
– Nossa Senhora da Apresentação» – Miradezes, 21 de Novembro de 2007.
Provérbios ou ditos:
No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanha e prova o teu vinho.
Veräo de S. Martinho säo três dias e mais um bocadinho.
Casa que não caibas e fazenda que não saibas.
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