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| Vitror Soromenho Marquers in: Diário de Noticias |
Para Clausewitz a guerra é a continuação
da política por outros meios. Contudo, também é verdade que a política nasceu
da guerra e, no caso das democracias, constitui a sua ritualização
constitucional. As regras são importantes por moderarem o natural conflito
entre facções e interesses. A política vence a violência e ao fazê-lo cria as
condições para o combate pacífico que alimenta o verdadeiro poder de que
depende uma vida social civilizada. Contudo, o estadista deve ter as qualidades
do general, e uma das coisas que mais deveremos lamentar na cultura dos
dirigentes da III República é uma generalizada amnésia dos assuntos militares e
da sabedoria estratégica. A coligação de direita mostrou talento castrense
quando concentrou as suas forças numa só candidatura legislativa (escapando à
profecia de uma derrota certa) e agora apresentando um só cavaleiro no torneio
presidencial. António Costa, por seu lado, usou o efeito-surpresa quando,
depois de uma derrota, se reergueu numa manobra tática fulminante, contornando
as regras constitucionais que o aconselhariam a aguardar uma segunda chamada
presidencial, caso o governo de Passos Coelho não venha a passar no Parlamento.
As operações-relâmpago, contudo, dependem vitalmente da solidez e fiabilidade
das linhas de abastecimento. Os sucessos dos primeiros dias podem ser gorados
se faltar o alimento e o combustível para continuar a campanha. Soldados
esfomeados e carros de combate com o depósito vazio podem transformar as
promessas iniciais de vitória numa dolorosa e duradoura derrota. E, como já
dizia Maquiavel, embora o desejo de "conquistar" (acquistare) seja
muito natural, quem o tentar fazer de modo surpreendente será melhor que tenha
mesmo sucesso. Dificilmente terá uma segunda oportunidade.

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