sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A política portuguesa e os novos tempos


No passado dia quatro de Outubro a Coligação Social-democrata e Democrata-cristã ganhou as eleições, com uma margem bastante satisfatória se consideradas as circunstâncias. Com o país à beira da bancarrota em 2011, sujeitou os portuguese a medidas de austeridade só atingidas na primeira década de governação do Doutor Salazar. Apesar de tudo, venceu o acto eleitoral que, só por si, é façanha considerável.
O Dr. António Costa reconheceu-o na noite eleitoral. E o Dr. Pedro Passos Coelho, na mesma noite, desenvolveu um discurso onde apontava praticamente os quatro pontos sugeridos pela força politica perdedora.
Com a vitória da Coligação desmistificaram-se os argumentos de comentário que proliferaram no país durante quatro anos. Num país decente, 95% dos comentadores seriam despedidos. Como o não foram, há uma semana que inventam fantasias governativas e cenários imaginários de governação! Azar o deles porque vão errar de novo! E azar o nosso porque irão manter os seus contratos. O que vale é que a maioria dos portugueses já não perde tempo com eles.
Como esses cenários se começam a esfumar, viram-se agora para a intervenção do Presidente da República. Aqui chegados importa uma curta reflexão. O que fez então o Presidente? Uma coisa muito simples que qualquer cidadão prudente e sensato faria. Chamou, como mandam as regras, o líder da força política vencedora, e encarregou-o de encontrar uma solução governativa estável (não o indigitando ainda como Primeiro-ministro). Com sabedoria relembrou os compromissos do país com as várias instituições europeias e com a NATO. Não indicou, como alguns (os do costume) dizem, questões programáticas. Era o que faltava!
O Dr. Passos Coelho tem agora a tarefa de negociar, como é óbvio, com o Partido Socialista [o que não implica que o não faça, em certas matérias, com o Bloco e o PCP]. Muitos dos que votaram na Coligação em 2011, viraram-se para o Bloco, uns poucos para o PCP e outros tantos para o PS. Mas uma grande percentagem esclarecida votou em branco. Não o fizeram por questões ideológicas, mas sim por protesto. Protesto de quê? Protesto da inércia da Coligação.
Livrar o país da bancarrota, temos de admitir, não foi tarefa fácil. Mas mais difícil é governar com Justiça! E foi aqui que a Coligação falhou. Ao não corrigir as patifarias (fosse em relação às micro, pequenas e médias empresas, ou em relação ao funcionalismo público) da governação “socialista” de José Sócrates, pagou o preço respectivo.
Por essa razão criou o sarilho em que agora estamos metidos, ao não conseguir a maioria que esteve perfeitamente ao seu alcance – de 12 deputados!
Posto isto, o que irá acontecer? Essas reuniões (fantasiosas) da esquerda acabarão rápido. O Partido Socialista, completamente fragmentado pela corrupção anterior (do Estado, note-se bem) vai ter de apoiar um governo minoritário liderado por Pedro Passos Coelho. Até porque 80% dos votantes socialistas não compreenderiam a "coligação" (imaginária, diga-se)  de socialistas com bloquistas e comunistas.
Depois se verá. Ou a Coligação aprende e corrige as patifarias para durar quatro anos com uma força silenciosa a sustentá-la, para ganhar as próximas com maioria, ou durará, quanto muito, ano e meio. Com uma provável vitória de Pirro do PS, que transportará o país para momentos de instabilidade e má governação. Ou seja, de balbúrdia.
Uma coisa é certa, a Coligação pode construir uma matriz para o país, o PS acabou (por largos anos ) como força essencial do regime democrático.
Armando Palavras

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