sexta-feira, 18 de setembro de 2015

As padarias trasmontanas debatem-se com a diminuição de clientes




Jorge Lage


3- As padarias trasmontanas debatem-se com a diminuição de clientes – O pão foi um dos alimentos fundamentais à longa caminhada da Humanidade, desde o período Pré-Histórico até aos nossos dias. O pão mais comum, mesmo nas civilizações do Crescente Fértil, do Nilo e nas clássicas, foi de cereais, fossem eles o centeio, o trigo, a aveia, a cevada, o painço ou nas terras ameríndias o milho ou milhão. Curioso é constatar que os padeiros nas civilizações clássicas gozavam de um estatuto especial. Os portugueses, desde a fundação do reino, tinham hábitos de fazer pão e comê-lo como os demais povos europeus. Assim, a secagem e moagem da castanha conhece-se desde os nossos primeiros reis. Por isso, os camponeses mais pobres e a população em geral em anos de grande fome confecionavam, além do pão de cereais, o pão de castanha e de bolotra. A bolota ou azinho no Alentejo, ainda hoje há quem ande com um punhado (de landes adocicadas) no bolso, como o Padre, António Sanches, de Redondo. Da castanha confecionava-se (e ainda se faz) o pão primitivo de castanha a «falacha», comparado ao bíblico pão ázimo. Mas, hoje aposta-se mais no pão de mistura (farinha de cereais e castanhas) levando um terço de farinha de castanha nas padarias italianas. Curioso é verificar que, em locais isolados, como nas nossas ilhas atlânticas, em que a população mais pobre tinha de sobreviver, fui dar com o pão de farinha de graínha de uva, numa típica casa de Porto Santo. Também, o sábio Botânico, Prof. Jorge Paiva, me informou que, em algumas ilhas pobres dos Açores, até se fazia pão dos rizomas dos lírios secos e moídos. Certo é que, hoje, a população do interior de Portugal é na sua maioria idosa e os mais idosos estão a ser acantonados em lares (alguns são mais asilos de cara lavada), levando as misericórdias, para sobreviverem, a fabricarem o pão que nelas se consome. Desta situação nova comecei a ouvir queixas na Padaria Moutinho, em Argeriz – Valpaços. Mas, o alarme maior foi-me dado, pela funcionária de balcão, do João Padeiro, junto às Caldas termais. Em Chaves? Em Chaves haver grande diminuição de consumo de pão duma padaria típica e tradicional? Então, as próprias cidades do Interior que andaram a dormir em vez de reivindicarem medidas que levassem a segurar a população dos seus concelhos?!... Bem, a famosa padaria, Zélita, do Cruzamento da Bouça - Mirandela confirma-me a forte tendência de diminuição do consumo de pão e se perguntasse ao Amândio Rodrigues de S. Pedro Velho teria, com certeza, a mesma resposta. Isto, apesar destas nossas padarias praticarem bons preços para muito bom pão.

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