quarta-feira, 1 de julho de 2015

Porque tem a Europa medo do referendo grego?


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Não vem nenhum mal ao mundo ser-se admirador de Che Guevara ou de Rosa Luxemburgo. Guevara foi um homem do seu tempo e Rosa Luxemburgo uma mulher do seu. Ambos foram revolucionários de esquerda, ambos foram idealistas. Che, depois da revolução cubana foi ministro da indústria no governo de Castro, mas o seu idealismo revolucionário não o deixou acabar a vida como a Fidel. Preferiu a revolução à vida burguesa. Acabou morto na Bolívia, depois de uma emboscada. Quem na sua juventude, não teve admiração por este ícone do século XX?
Rosa Luxemburgo, ao contrário da lenda de sanguinária que se criou em seu redor, em vida, pouco depois da sua morte - assassinada juntamente com Liebknecht – a sua reputação da sanguinária “Rosa vermelha” sofreu grande alteração. Publicados os dois pequenos volumes das suas cartas surgiu uma nova lenda: a imagem de uma mulher que observava os pássaros, amava as flores, e de quem os guardas se despediram com lágrimas nos olhos quando saiu da prisão (Hannah Arendt).
O que nos levou a revisitar estes dois ícones, foram alguns comentários (cretinos, diga-se) tecidos sobre Tsipras e Varoufákis. Sabemos que o partido que sustenta o governo grego é de esquerda radical e que tanto Tsipras como Varoufákis são admiradores dos dois revolucionários.
Que as ideias revolucionárias de esquerda radical do Syriza incomodam a Europa, disso não temos dúvidas. Como incomodam qualquer cidadão sensato (e pacato). Mas o cerne da questão está na teia de relações de poder sobre a qual foi preparado e disposto todo o projecto da zona euro. Teia de relações (de poder) incompatível com a legitimidade popular. Ou seja, com os valores da democracia.
A Suécia fez um referendo, onde os suecos disseram “não”, os Irlandeses também, em relação ao Tratado de Lisboa. E as negociações não pararam. Porque razão o não pode fazer a Grécia?
Duas vozes conceituadas aconselharam os Gregos a votar “não” no referendo: os americanos Stiglitz e Krugman, dois prémios Nobel da Economia.
Votar “não” quer dizer simplesmente que os Gregos aceitam estar na Europa mas com medidas de austeridade mais “suaves”. Não quer dizer mais nada do que isto. Então porque razão tem a Europa tanto medo do referendo grego?

Armando Palavras

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