segunda-feira, 18 de maio de 2015

Monstruosidades democráticas: crimes públicos




Barroso da Fonte
 Blaise Pascal, escreveu no seu livro Pensamentos que o monstro incompreensível persegue o homem e que dele se  serve  para baralhar a opinião pública.  É perigoso mostrar ao homem até que ponto se assemelha aos animais sem lhe mostrar a sua grandeza. Também é perigoso mostrar-lhe muito a grandeza sem a baixeza. É ainda mais perigoso deixá-lo ignorar uma e outra. O homem não é anjo nem besta, e por desgraça,quem quer ser anjo acaba por ser besta. Se se exalta, humilho-o; se ele se humilha, exalto-o: e contradigo-o sempre, até que ele compreenda que é um monstro incompreensível. Condeno igualmente os que tomam o partido de louvar o homem, e os que tomam de o condenar, e os que tomam o de se divertir; e não posso aprovar senão aqueles que buscam gemendo.


 Os primeiros dez dias de Maio deram para perceber que a democracia cada vez mais se distancia da normalidade. Quarenta anos depois de tolerância em excesso, temos monstros de todos os tamanhos,  de todos os feitios e de todos os instintos. Meia dúzia de burgueses profissionais, vestidos a rigor, com galões dourados e crachás ao peito, imitam um exército de parada que se mostra nas grandes passarelles, no dia das Forças Armadas. São homens comuns,  chamados pilotos,  que conduzem no ar, máquinas sofisticadas , que manejam nos céus, à imagem dos condutores que não levantam voo. Que são humanos, frágeis e sujeitos a idiotices, provam-no exemplos recentes como aquele que se atirou contra os Alpes Suíços. Possivelmente por ser uma profissão pomposa, mediática e bem remunerada, é das mais sedutoras da sociedade Portuguesa. Chamam-lhes comandantes. E esse título deslumbra-os. Mas essa importância extravasa a condição social quando não conseguem impor-se num ambiente de crise, como é o nosso.
 Em 1999, o ministro da época, tentando evitar uma crise do género daquela que atravessamos hoje, aceitou que satisfaria as suas reivindicações: até 20% do capital social, diuturnidades a tempo e horas etc. Para serem super-homens ou únicos, à imagem de  Nietzsche ou Marx Stirner, apenas lhes restava serem proprietários dos aviões que tripulam. Quinze anos depois da promessa não cumprida, por inconstitucional,  meia dúzia desses profissionais, encabeçados por um tal «Santinho» que ingressou na Empresa em 2001, apresentou-se como o «diabo» dessa bandalheira.     Meia dúzia de pilotos, colocaram os aeroportos e  a vida de muitos milhares de passageiros, no ambiente social que  perturbou a opinião pública. Denegriram a imagem de uma empresa como a TAP, provocaram um prejuízo da ordem das centenas de  milhões de euros e  geraram um caos no  sector do Turismo e  na economia do país. Foram dez longos dias de agressividade palavrosa, de opressão à dignidade e ao sacrifício da esmagadora maioria dos Portugueses. Esse «comandante» que em apenas 15 anos de ligação à TAP, foi porta-voz de meia dúzia de profissionais da burguesia portuguesa; teve o desplante de manifestar-se orgulhoso  por ter conseguido um dano de 30 milhões na TAP que o promoveu a figura pública. Ninguém conhecia este sindicalista burguês. Não se lhe conhecem virtudes públicas, sinais de progresso científico, artístico ou cultural. Eis como um qualquer «zé ninguém», com a sua leviandade ideológica, saída da casca do ovo, em nome de um direito constitucional vago, tem o efeito de uma bomba atómico! Numa democracia adulta, séria e coerente, quem publicamente, se regozije  pelos prejuízos causados ao erário público, deveria ser responsabilizado, judicialmente, na proporção desses prejuízos, materiais e morais. No Prós e contras da RTP que se seguiu a essa greve, Santinhos fez piruetas e cambalhotas tais que já não parecia o mesmo que reclamava 20% no capital da empresa e diuturnidades e aumentos salariais. Tinha semeado na opinião pública, a peçonha política que acumulou desde o ano em que a TAP lhe garantiu emprego dos mais cobiçados da vida nacional. Com cidadãos deste estilo o país mergulhará no abismo, mais depressa do que se julga.  Se esta charlatanice, esta afronta à soberania nacional, esta provocação aos portugueses que apertam o cinto,  não for reprimida em toda a sua dimensão profissional, vamos ter muitos «santinhos» sindicalistas, a reclamar 20% do capital do país.   Barroso da Fonte


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