quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Festa do Folar de Valpaços é a maior «Romaria» trasmontana próxima da Páscoa e um poema de Abilio Bastos




Jorge Lage
3- A Festa do Folar de Valpaços é a maior «Romaria» trasmontana próxima da Páscoa – Romaria porque são muitos os devotos desta iguaria pascal ou festiva. Em boa hora, o ex-Presidente do Município, Francisco Tavares, decidiu dar-lhe uma grande projecção. Aliás, não há outra câmara municipal que pudesse elevar tão alto o folar pascal e festivo. Por um lado, nesta Feira do Folar de Valpaços juntam-se três tipos de folar diferentes do mesmo município. O de Terras de Monforte de Rio Livre cujo centro dinamizador se situava em Lebução, a massa entra no forno sem forma e diz-se que daqui irradiou para Chaves. É um folar com uma excelente e afidalgada massa e recheado de boas carnes de fumeiro, por tradição. O folar de massa mais rural na parte sul do concelho, de que é exemplo Ritórto. E, a poente do concelho podemos considerar Argeriz e Montenegro como algumas das localidades mais representativas. Este último tem a melhor massa aveludada que já conheci. Quase sempre vou à Feira do Folar e vou percorrendo os vários stands. Este ano antes de rumarmos à Feira foi-nos dito que o melhor folar da Feira era de Moreiras (aldeia de Lebução – Valpaços) e era excelente em massa e carnes, só que as carnes estavam repilhentas não se podendo tragar. Sugiro que, num próximo ano, as mãos mágicas que lhe deram forma, ponham o presunto ou a pá de molho. Isto resolve-se com um concurso do melhor folar, retirado de modo aleatório e com prova cega pelos jurados. Deixando-me da confeição e passando à comercialização, a Autarquia de Valpaços terá que rever a forma de pesagem para venda. Assim, a minha mulher deve ter comprado um quilo de folar que não pesaria 700 gramas e isto não dá boa imagem. Mas a minha ida à Feira acontece, quando já não há palmas, nem promoções culturais ou políticas e passamos sempre pelo stand da Junta de Freguesia de Santa M.ª de Émeres e do «bolo podre» da família Alcoforado (com ligações ténues à histórica figura romântica e freirática, bejense, de Soror Marianna), onde me abasteço dos famosos bolos, a fazer lembrar no aspecto, não no aroma, a boleima portalegrense. Apesar de ser uma excelente Feira, é possível continuar a melhorá-la. Eu continuarei a ser um devoto porque por estas terras estão as minha raízes e parte da minha vida e dos meus sonhos.

4- A sociedade dos direitos retorcidos – humanidade.
Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 26MAR2015
Provérbios ou ditos:

             Esmolinha à Maia, para um pandeiro, que não tem dinheiro!
             Outubro revolver, Novembro semear, Dezembro nascer – nasceu Deus para nos salvar – Janeiro gear, Fevereiro chover, Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar, Agosto engravelar, Setembro vindimar.
             A bom e mau comer três vezes beber.



     Descobrir um pouco do VALE*

Vale!
Um lugar lindo à minha espera,
Ventre que protege a primavera,
A chuva fria lá não vai chegar,

Vale!
Lugar de um grande e manso pinho,
Aonde a pomba brava fez o ninho,
Viveu na sua copa a namorar,

Vale!
Vento suão que aquece a terra,
Acolhe as lágrimas que vem da serra,
Num ribeirinho lindo vão pró mar,

Vale!
Lugar de um grande e manso pinho
Aonde a pomba brava fez o ninho
Morreu na sua copa a namorar

* Abílio Bastos, Abadim, 1957/58

Nota do Poeta: O Vale era demasiado pequeno e o rapaz conhecia todos os recantos. Era tão lindo, que lhe parece que o Tempo, ainda continua lá. Mas era pequeno e tinha ao fundo o Rio onde escondia os Poemas, depois de mergulhar nas suas águas. Digo, depois, porque não queria destruir algo que serviu para lhe apaziguar a revolta... Aguas calmas... entendido? Com uma velha concertina a tiracolo, e a sacola com o livro da terceira classe, guardava o gado, enquanto a Luciana e a Maria, jovens que tinham descido ao lugar para apanhar pasto para os coelhos, lhe pediam que tocasse a «Cana-Verde».

E sonhava…
Por as vacas a dançar!...
Os grilos a cantar ao desafio!
Escrever poemas no ar,
E pendura-los num fio...
Para ninguém os apanhar...
Ia esconde-los no Rio...
Em 1953!...
Depois em 1957/58 e mais…
Foi uma razia!...
O poema da Pomba Brava, chegou por essa altura…


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