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| Barroso da Fonte |
Manuel Pinho que, como
governante, nos ensinou a cornear a simbologia do gesto, trabalhou cerca de
vinte anos no Banco Espírito Santo, «numa «holding» sem atividade, BES África».
«O ex-ministro Manuel Pinho vai
avançar com um processo judicial contra o Banco Espírito Santo para receber uma
reforma antecipada que lhe terá sido prometida por Ricardo Salgado. Em causa
está um valor superior a dois milhões de euros.
Quando faltavam cinco anos para Manuel Pinho,
em 2013, ano de prejuízos históricos para o BES, o banco promoveu alterações no
Regulamento do Regime de Pensões de Reforma dos Administradores. Aí, Manuel
Pinho, que recebia um salário mensal bruto de 39 mil euros (14 meses por ano)
como administrador de uma “holding” sem atividade, a BES África, questionou o
banco sobre a sua situação e tentou receber o valor que faltava. De
preferência, à cabeça. Mais de dois milhões de euros».
Ao deixar o Governo socialista, em Junho de
2009, após ter feito um gesto considerado “ofensivo”para a bancada do PCP,
durante um debate parlamentar, Manuel Pinho regressou ao grupo liderado por
Salgado, mas depois, como vice-presidente do BES África.
Manuel Pinho, de 60 anos,
negociou com Ricardo Salgado a sua reforma antecipada. Em paralelo com a
atividade de docente, exerce atualmente as funções de vice-presidente da
holding BES África, auferindo, mensalmente, cerca de 50 mil euros, o que abriu
espaço a que possa reclamar cerca de 3,5 milhões de euros de compensações até à
idade da reforma que são os 65 anos.
Uma fonte próxima do ex-governante disse que a
única coisa que confirmava era que
Manuel Pinho estava a contar com
uma reforma a que tem direito, desde os 55 anos, não como administrador
do BES África, mas como administrador executivo que foi, durante cerca de 10
anos, no BES”.
Recorde-se que um ano depois de
ter saído do Governo, em 2009, o ex-ministro anunciou que ia dar aulas na
Universidade de Columbia, na School of International and Public Affairs, numa
cátedra criada por si sobre energias renováveis e patrocinada pela EDP. As
funções de docente nos EUA, onde hoje reside, são exercidas em simultâneo com
as de vice-presidente do BES África.
Este tipo de notícias não podem
ser indiferentes a quem quer que seja. Após um ano em que Portugal e os
Portugueses, em geral, suportaram uma penosa, injusta e humilhante crise de
identidade, olhar para o tipo de vida de certos governantes que a ela estiveram
e estão ligados, leva a que se pergunte em que república vivemos. O cidadão
comum que vive quase isolado do mundo, no estrangeiro e sem meios para comprar
jornais e telefones fáceis para andar informado, precisa de conhecer a
realidade do país em que vive e de que é parte ativa.
Abrindo os olhos e os ouvidos
àquilo que se promete e àquilo que devem ser os direitos essenciais à
cidadania, somos levados a crer que há um abismo entre os cidadãos do mesmo
país. Uns têm tudo e outros nada têm. Uns vivem e são tratados como deuses.
Outros, ao invés, são explorados, espezinhados e tidos como seres desprezíveis.
Se isto é a democracia dos poderosos, declaradamente sou anti-democrata.
Barroso da Fonte


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