sábado, 10 de janeiro de 2015

Contos Argentinos na Biblioteca de Babel de Jorge Luís Borges




Quando o editor Franco Maria Ricci propôs a Jorge Luís Borges, num encontro ocasional em Buenos Aires, a aventura de dirigir uma colecção de obras fantásticas, jamais se esperaria que desse contacto surgisse uma das mais belas compilações desse género literário.  À boa maneira borgiana, o mítico escritor argentino, intitulou a colecção de “A Biblioteca de Babel”. E ainda hoje é um modelo de arte tipográfica e de requinte bibliográfico. Foram publicados, ao que cremos, cerca de trinta volumes e as obras aí referenciadas foram seleccionadas e prefaciadas por Borges, cuja ascendência se situa em terras de Torre de Moncorvo (Trás-os-Montes).
Com as capas originais, esses volumes reapareceram numa nova edição da editorial Presença. É uma galeria de  autores pouco conhecidos, esquecidos ou célebres.
Recentemente saiu a público o volume (17) com “Contos Argentinos”. O mestre da sintese literária, seleccionou vários autores: Leopoldo Lugones, Adolfo Bioy Casares, Arturo Cancela, Pilar de Lusarreta, Júlio Cortázar, Manuel Mujica Láinez, Silvina Ocampo, Frederico Peltzer, Manuel Peyrou, María Esther Vázquez.
A cada um dedica um conto e uma síntese biográfica. Da introdução respigamos: “ Sempre num ou noutro aspecto as letras argentinas se distinguiram daquelas que ao castelhano deram os demais países do continente. Em finais do século passado, produziu-se aqui um género singular, a poesia gauchesca; agora, são já muitos os escritores que se inclinam para a literatura fantástica e que não se limitam a ensaiar uma mera transcrição da realidade” (p. 9).
Como tinha razão o Borges de então. Não foi preciso muito para surgir um Gabriel Garcia Marquez e antes dele um Juan Rulfo (autor de cabeceira de ambos), um mito da Literatura que apenas escreveu cerca de 300 páginas!.

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