
Quando o
editor Franco Maria Ricci propôs a Jorge Luís Borges, num encontro ocasional em
Buenos Aires, a aventura de dirigir uma colecção de obras fantásticas, jamais
se esperaria que desse contacto surgisse uma das mais belas compilações desse
género literário. À boa maneira
borgiana, o mítico escritor argentino, intitulou a colecção de “A Biblioteca de
Babel”. E ainda hoje é um modelo de arte tipográfica e de requinte
bibliográfico. Foram publicados, ao que cremos, cerca de trinta volumes e as
obras aí referenciadas foram seleccionadas e prefaciadas por Borges, cuja ascendência se situa em terras de Torre de Moncorvo (Trás-os-Montes).
Com as
capas originais, esses volumes reapareceram numa nova edição da editorial
Presença. É uma galeria de autores pouco
conhecidos, esquecidos ou célebres.
Recentemente
saiu a público o volume (17) com “Contos Argentinos”. O mestre da sintese
literária, seleccionou vários autores: Leopoldo Lugones, Adolfo Bioy Casares,
Arturo Cancela, Pilar de Lusarreta, Júlio Cortázar, Manuel Mujica Láinez,
Silvina Ocampo, Frederico Peltzer, Manuel Peyrou, María Esther Vázquez.
A cada
um dedica um conto e uma síntese biográfica. Da introdução respigamos: “ Sempre
num ou noutro aspecto as letras argentinas se distinguiram daquelas que ao
castelhano deram os demais países do continente. Em finais do século passado,
produziu-se aqui um género singular, a poesia gauchesca; agora, são já muitos
os escritores que se inclinam para a literatura fantástica e que não se limitam
a ensaiar uma mera transcrição da realidade” (p. 9).
Como
tinha razão o Borges de então. Não foi preciso muito para surgir um Gabriel
Garcia Marquez e antes dele um Juan Rulfo (autor de cabeceira de ambos), um
mito da Literatura que apenas escreveu cerca de 300 páginas!.

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