![]() |
| Jorge Lage |
5- Campanha
calma da castanha em 2014 – À medida que vamos avançando na idade e ganhamos
novas competências estratégicas, a pesquisa vai sendo mais calma, concelho a
concelho, sem pressa, descobrindo novos saberes, novas paisagens, novo
património e nova gente. Em Maio fui convidado, pela referência cultural e
cívica de Chaves, Isabel Viçoso, para a 29OUT2014 ir ao Município de Boticas
apresentar o livro «Memórias da Maria Castanha», o que foi muito agradável pela
forma franca como fui bem recebido. Seguiu-se, dia 08NOV2014, uma palestra
sobre o castanheiro na Festa da Castanha de Prados – Celorico da Beira, onde me
apercebi que andam por ali alguns finórios muito instruídos a enganar os
agricultores. Aproveitei, ainda, para conhecer algum património edificado e a
paisagem natural e soberba da Serra da Estrela. Em Linhares da Beira, uma
pérola da Estrela, almocei no gourmet «Cova da Loba», com uma decoração e
construção excelentes. Na comida prefiro a tradicional porque alguma gourmet
parece afastada das delícias da mesa e da qualidade intrínseca. Mais a sul,
estive, como convidado, na Feira do Mel e da Castanha da Lousã, com um mar de
feirantes, onde o livro foi apresentado pelo ilustre Professor da Universidade
de Coimbra, Luciano Lourenço. Muito bem alojado, bem recebido pelo Director da
Cultura lousanense e pelo elenco municipal. A campanha terminou na Galiza,
perto de Ourense, em Alhariz, uma vila cheia de história e de cultura edificada
e preservada. Os galegos ao fim de semana não se metem na «toca» como nós,
juntam-se nos bares, conversam, convivem e dão vida ao casco velho edificado.
Os Magustos galegos estão mais próximos dos que faziam os nossos antepassados
celtas no bosque sagrado. Mesmo com chuva, o evento foi promovido pela
«Fundación Vicente Risco», no eco-parque Rexo, com uma tenda a proteger-nos da
chuva fria outonal. Apesar de os galegos estarem mais informados sobre a
castanhicultura ainda têm muitas interrogações que foram sendo tiradas pela
exposição e diálogo.
7- Para quem
vão os fundos comunitários gastos no plantio de novos soutos? – Há anos, com a
vulgarização dos Projectos dos fundos comunitários, alguns engenheiros ou
regentes agrícolas batiam as aldeias do interior e subiam as escadas dos
agricultores para lhes propor a florestação de terras por aluguer e outros para
elaboração de Projectos. Foi um facturar com ganância pelos mais expeditos.
Tudo o mais foram quase só cinzas e plantações ao abandono. Na Ilha da Madeira
falaram-me em alguns casos de vigarice. Isto é, sem os Projectos aprovados
cobravam a fatia pelo trabalho técnico e nunca havia aprovação. Em Portugal,
dizem que uma associação de «castanheiros» criada à sombra da UTAD, mas
distinta desta, pelo menos, na facturação. E o abocanhar de verbas do quadro
comunitário é tal que se bate grande parte do país, apresentando os projectos
como lhes interessa, assim se fala. Dizem que alguns senhores ligados à UTAD e
os «compadres» e outros, farão um trabalho apresentado na sua essência
envolvente como louvável, só que parece não o ser de todo. Alguns do meio mais
atentos, acham estranho esta vocação principal de quem se arroga de servir
universidade em investigar e inovar. Dizem que a associação quer monopolizar a
fileira do castanheiro. Já terá havido em tempos idos (não pude confirmar) professores
credenciados ameaçados por, também, fazerem estudos oportunos, sérios e
abrangentes sobre a castanha, em parceria com outros organismos insuspeitos e
prestigiados, como o Instituto Ricardo Jorge. O que me parece, porque sirvo,
como voluntário, há mais de 20 anos, um Projecto educativo, em que toda a verba
entra na contabilidade da Universidade de Coimbra e por norma esta cobra à
cabeça uns 25% a 30%. Se nos Projectos que a associação da fileira da castanha
planifica, todas as verbas entram na UTAD, toda a Universidade beneficia. Mas,
se passarem ao lado, alguém poderá andar a viver bem com a capa de benemérito.
Há municípios que se rendem a alguns «magos» universitários do tema. Para
alguns agentes do desenvolvimento rural e local, os Projectos de plantação de
souto e pomar deviam ser feitos em conjunto com os Municípios, associações
florestais e proprietários para grande parte das verbas ficarem onde se plantam
os castanheiros e motivam as plantações, gerando desenvolvimento local. Caso
contrário poderá acontecer uns levarem mais os muitos milhares de euros e os
outros ficarem com os problemas. Curioso é dizerem-me que o projecto mais
avançado no tratamento da doença do cancro do castanheiro ser do IPB. Mesmo
este tratamento já se comercializa e aplica noutros países há algum tempo.
Intrigante é quando uns pretendem um pequeno apoio dos Serviços Florestais tudo
são dificuldades e para as grandes verbas passarem para alguns «lobbies» parece
que há condutas ou auto-estradas abertas.
Jorge Lage –
jorgelage@portugalmail.com – 19NOV2014
Provérbios
ou ditos:
O pobre não tem, os ricos não dão, lá
virá o mês das castanhas que eles pagarão.
Toca la rana! O que mais unhas tem,
mais (castanhas) apanha!

Sem comentários:
Enviar um comentário