segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O devaneio de Vladimir Putin


No dia três de Agosto de 1914, a Alemanha declarava guerra à França e lançava uma campanha de invasão da Bélgica. Esta invasão foi provocada pela crise de Saravejo, onde o Arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo-Lorena (herdeiro do império Austro-Húngaro) e sua mulher haviam sido assassinados por uma seita anarquista (de deriva socialista), a “Mão Negra”.
O que depois viria não poderia ser bom. Edward Grey, ministro dos Negócios Estrangeiros, previu-o na noite de quatro de Agosto, enquanto observava as luzes acesas nos gabinetes de Whitehall: “As lâmpadas apagam-se em toda a Europa. Não voltaremos a vê-las acesas antes de morrer”.
O que Grey previu foi o que sucedeu desde essa noite até 11 de Novembro de 1918– a catástrofe. Aquilo que só um político com a visão e estatura de Bismarck, conseguira, através de acordos com as várias nações (alguns secretos), durante décadas evitar.
A Grande Guerra tinha sido despoletada por meia dúzia de políticos medíocres.
A “invasão” da Ucrânia pelos camiões Russos, ultrajando o governo de Kiev, desrespeitando o direito internacional, trouxe-nos à memória o episódio de Saravejo em 1914.
O que Vladimir Putin demonstrou é que não está à altura de comandar um país como a Rússia. Só a sabedoria europeia e americana permitiu que a catástrofe prevista por Grey em 1914 se não consumasse 100 anos depois, agora com as consequências previstas por Einstein.
Kruchtchev foi imprudente (e aventureiro)  na crise de Cuba em 1962 (como o foi agora Putin) , mas foi criticado pelos seus pares do kremlin.
Tivesse Vladimir usado a inteligência e teria hoje a Ucrânia nas mãos sem disparar um tiro. Como país independente, é certo, com algumas matizes europeias, mas sob influência total (em todos os aspectos) da Rússia.



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