terça-feira, 26 de agosto de 2014

Barroso da Fonte - Barrosão foi enforcado em Montalegre há 170 anos


Barroso da Fonte
Dia 17 de Setembro de 2014 perfaz 170 anos que foi enforcado no Carvalho da Forca, em Montalegre, José Fernandes Begueiro, natural de Venda Nova e/ou de Codeçoso do Arco. Nascera em 1815, filho de Senhorinha Fernandes Begueiro, viúva.
No vol. XI da obra Portugal Antigo e Moderno, pp. 1326/1332, na entrada sobre Vilarinho do Arco, também na altura mais conhecida por Vilarinho dos Padrões, freguesia da Venda Nova, pode ler-se: “acusado de haver, bárbara, aleivosa e traiçoeiramente, assassinado e roubado em Abril de 1838, na serra das Alturas de Barroso, Inácia Joaquina, viúva de António José da Costa e o menor Francisco, ambos da cidade de Braga, o juiz de Montalegre, por sentença de 21 de Janeiro de 1840, condenou-o à pena de morte, na forca erguida no campo do Toural da Vila de Montalegre. Essa sentença foi confirmada por acórdão de 12 de Agosto de 1842. Recorrendo, foi-lhe negado o recurso, pelo acórdão de 12 de Maio de 1843. Por portaria de 28 de Agosto de 1844 foi comunicado ao Presidente da Relação do Porto que S. M. não houve por bem, usar da sua real clemência a favor do réu”.
Na referida fonte, agradece-se o relato sobre este enforcamento, ao Padre José dos Santos Moura, natural da aldeia do Cortiço e, ao tempo, pároco de Caíres. Aí se chama a atenção para o tomo IV, p 142, da Revista Universal Lisbonense, onde se publicou integralmente a sentença que o então Juiz de Direito de Montalegre, dr. João Carlos de Oliveira, lavrou contra o réu. Diz-se aí que o Begueiro “foi preso numa taberna na Venda Nova, no dia 25 de Maio de 1838, armado com um pau de choupa e uma faca de mola”. Mais se diz aí que “desde a sua infância se tinha associado com ladrões, salteadores e assassinos. Tinha a tendência para ladrão, salteador e assassino. O júri deu como provado o crime com todas as circunstâncias agravantes do libelo acusatório”.
Lê-se na mesma fonte que foi lida nessa altura uma Carta ou Memória escrita por um contemporâneo do réu que o assistiu no oratório, onde se podia ouvir: “O réu foi conduzido da cadeia da Relação do Porto para Montalegre, por uma escolta de Infantaria nº 2. Seguiu a estrada de Ruivães e, quando passou nas Alturas, junto ao local onde cometeu os dois crimes, tirou o chapéu e orou largo tempo. Chegou a Montalegre no dia 13 de Setembro de 1844, pelas 10 horas da manhã. Entrou logo na prisão,  comendo e fumando, como se não pensasse na sua triste sorte. Declarou que eram inúteis as cautelas para não se suicidar, porque queria morrer como cristão. No dia 15 chegaram a Montalegre os executores. Estava ele jantando, mas vendo-os, entristeceu-se e não acabou o jantar. À uma hora foi intimado a entrar no oratório. Despediu-se das pessoas que através das grades o observavam, pedindo perdão a todos e que orassem pela sua alma. Em seguida entrou resoluto no oratório”.
O relato deste XI volume do dicionário de Pinho Leal descreve nas pp.1330/1331 a forma colaborante de Begueiro, que pode ter fugido, na noite de 16 para 17 de Setembro. A meio da noite reparou que todos dormiam sossegadamente. O Begueiro saiu como se nada se passasse. Já no exterior, nem lhe passou pela cabeça evadir-se, porque estava arrependido dos crimes e teria que pagar por eles.
Aconteceu este episódio há 170 anos. Ainda existe à entrada da Câmara Municipal de Montalegre a árvore da forca. É um carvalho com mais de dois séculos de existência, já considerado monumento de interesse municipal.
Lê-se ainda na mesma fonte: “nos fins do último século na estrada da ponte (do Arco na Venda Nova) ocorreram cenas horrorosas. Passando por ali um estudante da freguesia de Calvão, Chaves, vindo de Coimbra em o gozo e férias, foi ali roubado e barbaramente assassinado, por ter mostrado, em Ruivães, onde comera, um anel de ouro. Os assaltantes e assassinos eram galegos. Foram presos, julgados e condenados à morte, em Montalegre. As suas cabeças foram colocadas no alto de postes na mesma ponte, até serem devorados pelo tempo e pelos pássaros. O mesmo informador escreve que, já depois do enforcamento do Begueiro, foi condenado à morte, por fuzilamento, em Chaves, um desertor que por duas vezes tentou assassinar o Padre João Gonçalves, pároco de Sarraquinhos. Citado como sendo o Pintor de Vilar de Perdizes, foi preso, condenado e fuzilado. Antes da morte pediu para ser confessado pelo padre que tentara matar. Este facto reli-o no dicionário de Pinho Leal, nestas férias, em Codeçoso.
                                                                                            Barroso da Fonte

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