segunda-feira, 21 de julho de 2014

O véu de António Costa – as más leis, ou leis danosas


O Dr. António Costa que até parece ser boa pessoa (até prova em contrário), tem bombardeado o público português como só Sócrates o fez. Em 2005, para aqueles que têm memória, sucedeu exactamente o mesmo. Com uma grande diferença. Enquanto Costa, no Consulado de quase sete anos, que levou o país a esta miséria, se manteve como ministro, Seguro teve o mérito de se desmarcar, desde o inicio, dessa governação danosa.
Desde o inicio desta campanha socialista, o Dr. António Costa não apresentou uma ideia sustentável para o país. Aliás, como o disse Alberto Gonçalves (DN, 20-07-XIV), o que diz hoje, desdiz amanhã.
A entrevista de Costa ao Público ( 20-07-XIV ) até seria interessante se sub-repticiamente não tivesse o propósito de salvaguardar o Consulado de Sócrates, a causa principal do actual desastre do País. Até porque António Costa não tem culpa de ser apoiado por malfeitores. É coisa normal em democracia. Mas já a tem quando os elogia.
As ideias que aponta numa entrevista de cinco páginas, em nada se diferenciam das apontadas por António José Seguro. E, de certa maneira, apontadas pela a actual governação (de direita, como eles gostam de dizer).
O que António Costa tem de perceber (como há muito já percebeu), bem como a “inteligência” autóctone que o apoia, é que o País teve que fazer este caminho de austeridade, imposto pelos credores cuja entrada no País se deve à governação danosa (chefiada por José Sócrates até Junho de 2011) a que António Costa pertenceu.
A partir daqui, outros caminhos se apontam. Mas só a partir daqui, dos três anos de austeridade. O tempo levado, mais coisa menos coisa, pelo governo do Bloco Central, com Primeiro ministro o dr. Soares e Ministro das Finanças, o professor Hernâni Lopes. Nessa altura, porém, podia desvalorizar-se a moeda como ponto de apoio, hoje não. Mas não julgue o edil de Lisboa e os seus correligionários que a austeridade acabou. Não. Há-de durar décadas, mesmo que sejam implantadas, a partir de agora, políticas de desenvolvimento e emprego. Eles sabem!
O cerne da questão, porém,  nunca é verdadeiramente apontado, e quando o é, é-o de forma velada, para ser entendido por poucos.
Já o dissemos neste espaço que a principal causa da pobreza (sendo esta a principal causa das crises), não “é isto nem aquilo”, como os políticos costumam dizer. Nem o que disse Marx ou Rousseau.  É, grosso modo, o conjunto das “más leis”, das leis danosas (como aflorou nas suas máximas Burke). Estas sim, levam à pobreza, à corrupção, logo às crises financeiras e sociais.
António Costa, na sua entrevista, aflora o problema, mas de forma velada ao responder à jornalista: “Nunca se regressa ao que passou, porque o que passou está passado[1]. Agora temos de retomar quais são as prioridades e os valores[2]. E a compreensão do seguinte: hoje não consolidaremos as finanças publicas sem termos crescimento e não teremos crescimento sem aumentar o nosso nível de coesão social”. E vai por aí adiante dando um ou outro exemplo, enchendo a boca com as qualificações dos portugueses, como aliás fazem todos os seus correligionários e os verdadeiros culpados do seu desperdício!
Ora a coesão social  e as qualificações só são desperdiçadas com as “más leis”. E nenhum governo as desperdiçou tanto, como aquele a que o autarca da Capital pertenceu, entre 2005 e 2011.
Damos um exemplo, e apenas um. Nunca as qualificações foram tão desperdiçadas como na Escola Pública tutelada, à altura, por Maria de Lurdes Rodrigues. As “más leis”, ou leis danosas, que corromperam as instituições, nas quais os portugueses confiavam, saltaram do seu gabinete como cogumelos. E o grande erro desta governação de direita (como gosta de lhe chamar) foi não as ter corrigido como devia e como lhe competia (fá-lo-á a História e o Tempo).
António Costa sabe disso porque a sua esposa é (ou era) professora da Escola Pública, com quem  se solidarizou, à época, acompanhando-a numa das manifestações na Avenida da Liberdade.
Ao desperdiçar essas qualificações, desperdiçou-se a coesão social, e o principio fundamental da democracia – a Liberdade.
É este o véu de António Costa. Não dizendo, diz, dando “ uma no cravo e outra na ferradura!”.
Armando Palavras



[1] - Aqui tenta demarcar-se do consulado de Sócrates.
[2] - É dúbia esta afirmação porque, como referiu João Proença, a atitude de António Costa (por sua iniciativa, ou empurrado) em fazer frente, neste momento, ao secretário geral do Partido, é simplesmente imoral. Na verdade, João Proença tem toda a razão, porque o que se passou põe em causa, no mínimo, princípios básicos de Ética.

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